- Perspectivas para produção argentina seguem positivas;
- Exportações norte-americanas 23/24 estão abaixo da média dos últimos cinco anos;
- USDA projeta aumento dos estoques finais norte-americanos em 24/25.
- USDA reduziu estimativa para produção e estoques finais globais em 23/24;
- USDA projeta redução da área plantada de milho nos EUA em 24/25;
- Fundos estão saindo de suas posições vendidas.
Estados Unidos
Preços estáveis na bolsa de Chicago - Na última semana, algumas notícias chamaram atenção no mercado de milho. A Conab atualizou suas estimativas para a safra brasileira, foram divulgados os tradicionais números de exportação para os Estados Unidos e problemas com cigarrinha foram relatados na Argentina. Nenhum desses eventos, entretanto, produziu mudanças significativas nas expectativas dos agentes. Consequentemente, o preço do milho pouco variou na bolsa de Chicago. No encerramento do pregão de sexta-feira (15), o contrato com vencimento em maio ficou cotado a 436,75 cents/bu, desvalorização semanal de 0,68%.
Mudança no modo de atuação dos fundos tem limitado perdas para o milho em Chicago - Além das questões de oferta e demanda, tem chamado atenção no mercado de milho uma mudança no modo de atuação dos fundos. Até meados de fevereiro, esse tipo de investidor estava constantemente ampliando suas posições vendidas, apostando fortemente na desvalorização do milho. O relatório CFTC divulgado no dia 23 de fevereiro chegou a mostrar um saldo de 341 mil posições vendidas, maior valor dos últimos cinco anos. De lá para cá, entretanto, os fundos passaram a ir na direção inversa. Na última divulgação CFTC, realizada na última sexta-feira (15), o saldo negativo dos fundos recuou para 256 mil contratos. Ou seja, em três semanas, os fundos saíram de suas posições vendidas em 85 mil contratos. Os fatores por trás desta mudança não estão totalmente claros. Ela pode estar relacionada à realização de lucro, diminuição da exposição financeira ou até mesmo uma postura cautelosa frente a indícios de aquecimento da inflação global. De todo modo, ela significa que os fundos estão menos baixistas, o que tem influenciado os preços na bolsa de Chicago.
Perspectivas para a produção de milho nos Estados Unidos – Com a leve recuperação nos preços futuros do milho na bolsa de Chicago, as perspectivas de ganhos para os produtores norte-americanos melhoraram. Na última segunda-feira (18), brokers da StoneX nos Estados Unidos estimaram um lucro de US$ 13/hectare no caso da produção do milho na safra 24/25, o que não é muito, mas já é um retorno positivo, algo que não existia um mês atrás. Para a soja, as perspectivas são mais interessantes, com o lucro estimado de US$ 43/hectare podendo favorecer o plantio desta cultura em detrimento do plantio do milho. O relatório de intenção de plantio do USDA será divulgado 28 de março, consolidando as perspectivas iniciais para a safra norte-americana 24/25.
Nos Estados Unidos, vendas de exportação seguem decepcionando - O relatório de vendas de exportação dos Estados Unidos mostrou a venda líquida de 1,28 milhão de toneladas na semana encerrada dia 8 de março, volume 3% abaixo do registrado na média dos últimos três para o período. No agregado do ano safra 23/24, as vendas alcançaram 40,5 milhões, contra 44,8 milhões na média dos últimos três anos. Ou seja, as exportações norte-americanas seguem decepcionando em 23/24.
Intraday (15 min) contrato de maio/24 - CBOT

Brasil
Estabilidade para o milho na B3 - Assim como em Chicago, os preços do milho na B3 pouco variaram na semana encerrada dia 15 de março. O contrato com vencimento em maio ficou cotado a R$ 60,75/sc, variação semanal de 0,1%. Entre os fatores que podem estar por trás da indecisão dos agentes, destaque para as incertezas quanto a oferta brasileira, já que as estimativas de Conab, USDA e instituições privadas estão divergindo significativamente. Outro fator que pode estar por trás da falta de direção do milho são as incertezas quanto a safra norte-americana. Ela começará a ser plantada em abril e ainda não há clareza quanto ao tamanho da área que será semeada.
Estimativa da Conab está divergindo da divulgada por USDA e instituições privadas brasileiras - Na última terça-feira, a Conab atualizou sua estimativa para a safra brasileira de milho 23/24, com as 112,75 milhões de toneladas representando uma redução mensal de quase 1 milhão de toneladas. Essa divulgação foi bastante polêmica porque ela afastou ainda mais o número da Conab do divulgado pelo USDA e instituições privadas brasileiras: o USDA estima a produção de 124 milhões de toneladas e a StoneX a produção de 124,4 milhões de toneladas, volumes 10% superiores aos da Conab. Com essa divergência, as perspectivas para a oferta brasileira de milho se mantêm incertas, o que aumenta a dificuldade em estimar preços futuros.
Avanço da colheita do milho verão - Até a última sexta-feira (15), 52,4% das lavouras de milho verão já haviam sido colhidas no Brasil, percentual em linha com a média dos últimos cinco anos. Analisando de maneira regionalizada, temos que a colheita já está quase finalizada nos estados do Sul, avançou em cerca de metade das lavouras no Sudeste e ainda está para começar no Norte/Nordeste.
Avanço do plantio do milho safrinha e onda de calor - O plantio do milho safrinha 23/24 está praticamente finalizado. Pela estimativa da StoneX, 94,0% das lavouras já haviam sido semeadas até a última sexta-feira (15), percentual em linha com a média dos últimos anos para o período. A maior parte do que ainda não foi plantado está em Minas Gerais, estado em que os trabalhos no campo estão atrasados. Com a semeadura em seus estágios finais, as atenções agora se voltam para o clima e os impactos que ele terá sobra as lavouras de milho. No momento, o Brasil está enfrentando uma onda de calor que tem impactado parte importante da área de produção do safrinha, mas, por enquanto, a maior parte das lavouras ainda está em estágios vegetativos de desenvolvimento.
Intraday (15 min) contrato de maio/24 - B3

Argentina
Problemas com cigarrinha podem resultar em cortes na produção argentina – Em seus comunicados semanais, tanto a Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA), como a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) deram bastante destaque para problemas na safra de milho relacionados à cigarrinha. Pelo que foi comentado, a praga está muito disseminada em Santa Fé e Rosário, províncias que, junto com Buenos Aires, compõe o núcleo agrícola argentino. Por enquanto, as bolsas mantiveram suas estimativas de produção: 56,5 milhões de toneladas para a BCBA e 57 milhões para a de BCR. Ambas, entretanto, alertaram para a possibilidade de cortes, que poderão acontecer nas próximas semanas conforme os danos forem ficando mais claros. No momento, a BCBA já aumentou sua estimativa de lavouras em condições ruins, que passou de 13% no dia 6 de março para 17% no dia 13.
Chuva está atrapalhando a colheita – Na Argentina, as chuvas intensas registradas ao longo dos últimos dias atrapalharam o progresso da colheita. A Bolsa de Cereales de Buenos Aires indica que apenas 3,2% das lavouras de milho já foram colhidas, contra 7,0% na média dos últimos cinco anos. A Bolsa de Comércio de Rosário indica número similares: 3,0% na safra atual, contra 10% na média histórica. De todo modo, a conclusão é que a colheita do milho ainda está apenas começando, existindo um longo intervalo de tempo antes da consolidação do número final da safra.
Preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





