- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Possibilidade do USDA ter superestimado redução da área de plantio de milho nos EUA.
- Fatores altistas
- Seca no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo;
- Excesso de chuva no Rio Grande do Sul;
- Disseminação da cigarrinha na Argentina;
- Atraso do plantio nos Estados Unidos.
Panorama geral
Na semana passada, os futuros do milho tiveram ganhos significativos na bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em julho encerrou o pregão de sexta-feira (10) cotado a 469,75 cents/bu, valorização semanal de 2,1%.
Além dos preços, chamou atenção a mudança significativa na posição dos fundos. Agora, o saldo desses agentes (contratos vendidos subtraídos dos contratos comprados) no mercado de milho é de -102.513, posição menos vendida desde agosto de 2023. Essa mudança indica que os agentes especuladores estão menos dispostos a apostar em novas perdas para o milho.
Ao longo da semana, o principal fator por trás das mudanças no preço e na posição dos fundos foi o relatório de oferta e demanda do USDA, o denominado relatório WASDE. Quando divulgado, na sexta-feira (10), ele trouxe algumas novidades para o mercado de milho.
Para a safra 2023/24, ocorreram os esperados cortes para as safras brasileira e argentina. No Brasil, a estimativa de produção passou de 124 para 122 milhões de toneladas, resultado de problemas climáticos enfrentados por alguns estados. Já na Argentina, a safra foi de 55 para 53 milhões de toneladas, resultado dos problemas causados pela cigarrinha. Ambos os cortes já estavam precificados pelo mercado e, portanto, não tiveram muito impacto sobre os preços.
Ainda sobre a safra 2023/24, ocorreram correções também para os Estados Unidos. O USDA aumentou a perspectiva de consumo de milho pelo setor de etanol (137,2 para 138,4 milhões de toneladas) e aumentou as perspectivas de exportação (53,3 para 54,6 milhões de toneladas). Consequentemente, aconteceu um corte nos estoques de passagem dos Estados Unidos: de 53,9 para 51,4 milhões de toneladas. Esses fatores também já eram esperados pelo mercado, tendo sido inclusive adiantados pelo economista chefe da StoneX, Arlan Suderman, em webinar realizado junto aos clientes do Brasil. Nesse sentido, eles também não tiveram muitos impactos sobre os preços.
O fator que mais teve impacto sobre as cotações foram as perspectivas para a safra 2024/25, em especial, os indicadores divulgados para os Estados Unidos. Isso porque essa foi a primeira estimativa para a nova safra, trazendo um primeiro vislumbre do que o USDA espera para esse novo ciclo.
A grande surpresa ficou por conta da estimativa para as exportações dos Estados Unidos, com as 55,9 milhões de toneladas ficando 6,4 milhões de toneladas acima do que havia sido estimado pela StoneX norte-americana. Com isso, os estoques de passagem 2024/25 ficaram em 53,4 milhões de toneladas, volume inferior às 58,0 milhões que o mercado esperava, resultando em ganhos para o milho.
Pensando no médio prazo, vale fazer algumas considerações. Apesar dos preços terem subido no imediato da divulgação, isso não significa que o relatório do USDA terá um impacto necessariamente altista sobre o preço do milho. Um estoque de 53,4 milhões de toneladas, embora menor que o imaginado, ainda representa um excesso de oferta muito grande, que não aponta para compradores tendo que pagar valores mais elevados para garantir suas necessidades de milho.
Analisando em perspectiva, temos que, de modo geral, será o tamanho da safra norte-americana quem definirá a direção do preço do milho ao longo do restante de 2024. Portanto, é muito importante seguir acompanhando as questões relacionadas a esse país. No momento, as atenções estão voltadas para o plantio, ligeiramente atrasado em relação à média histórica. Mais detalhes sobre isso serão trazidos na sessão abaixo.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - CBOT

Estados Unidos
Olhemos com mais detalhes as perspectivas para a safra norte-americana 2024/25, trazidas pelo USDA em seu relatório de maio. Pelo lado oferta, foi estimada uma safra de 377,5 milhões de toneladas, redução anual de 3,1% devido à retração na área de plantio. Entretanto, a safra robusta de 2023/24 resultou em um estoque de passagem muito elevado: 51,4 milhões de toneladas. Com isso, a oferta total (estoque + produção) para o ano safra 2024/25 ficou em 428,8 milhões de toneladas, volume 1,1% superior ao registrado no ciclo passado. De modo geral, o mercado esperava um número similar a esse que foi divulgado.
Já pelo lado da demanda, os números foram mais surpreendentes. Para o consumo doméstico, o USDA estimou que o setor de ração consumirá 146,1 milhões de toneladas, o de etanol 138,4 milhões de toneladas e o industrial outras 35,7 milhões. Todos esses volumes ficaram abaixo do que a StoneX norte-americana e grande parte do mercado estimava. No total, o consumo doméstico estimado pelo USDA ficou em 320,2 milhões de toneladas, volume 1,2% inferior as estimativas do mercado.
Com oferta em linha com a expectativa do mercado e com demanda doméstica ficando abaixo, o relatório de oferta e demanda do USDA poderia ter um impacto baixista sobre os preços. Entretanto, isso não aconteceu devido à demanda externa, ou seja, as exportações. O mercado esperava uma redução nas exportações norte-americanas de milho em 2024/25, já que os Estados Unidos vêm perdendo espaço no mercado internacional para o Brasil. A StoneX norte-americana, por exemplo, estimava a exportação de 49,5 milhões de toneladas. O USDA, entretanto, surpreendeu e estimou a exportação de 55,9 milhões de toneladas.
Em conclusão, as exportações ficaram aproximadamente 6,4 milhões de toneladas acima do que o mercado esperava, compensando o fato de que o consumo doméstico ficou 4,0 milhões de toneladas abaixo. Assim, o estoque final ficou em 53,4 milhões de toneladas, volume menor que as 58,0 milhões esperadas.
De todo modo, a realização ou não das estimativas do USDA dependerá do desenrolar da safra norte-americana, ainda em seus estágios iniciais. Até o dia 5 de maio, 36% das lavouras haviam sido plantadas, um atraso de 3 pontos percentuais na comparação com a média dos últimos cinco anos. Esse atraso está relacionado as chuvas que caíram sobre o cinturão agrícola norte-americano ao longo do primeiro terço de maio, atrapalhando a semeadura do milho.
Por enquanto, esse atraso ainda não é muito preocupante. Os modelos climáticos indicaram que o clima ficou seco na sexta (10), no sábado (11) e no domingo (12), o que deve ter permitido o avanço dos trabalhos de campo. Ademais, a janela ideal para o plantio se estende até o final de maio, restando ainda muitos dias para o avanço da semeadura.
De todo modo, caso o plantio não tenha avançado como se esperava no último fim de semana, é possível que o mercado comece a ficar mais nervoso. Nesse sentido, atenção para a atualização do avanço do plantio nos Estados Unidos, que será divulgada hoje (13) às 17h.
Vendas de exportação dos Estados Unidos (mil toneladas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Brasil
Para o Brasil, a principal mudança trazida pelo relatório de oferta e demanda do USDA foi o corte na estimativa para a safra 2023/24, que de 124 milhões de toneladas passou para 122 milhões. A redução foi motivada pela seca enfrentada por alguns estados brasileiros, com destaque para Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Para o restante do mês de maio, os modelos climáticos seguem mostrando pouquíssimas chuvas nessas regiões, com a exceção de alguns dias no Paraná. Caso essa previsão se concretize, novos cortes na produção não estão descartados.
Pelo lado da demanda, o relatório do USDA indicou um aumento de 1,3% no consumo doméstico brasileiro (de 78,5 para 79,5 milhões de toneladas) e uma redução de 3,8% nas exportações (de 52 para 50 milhões de toneladas). No agregado, o estoque final brasileiro para o ano 2023/24 foi reduzido em 2,4 milhões de toneladas, o que se configura como um fator altista para o milho.
Além do relatório do USDA, as atenções no mercado brasileiro de milho também estiveram voltadas para o Rio Grande do Sul. No momento em que as fortes chuvas começaram, a colheita do milho verão já estava finalizada. Por isso, a StoneX manteve sua estimativa para a safra gaúcha de milho em 5,0 milhões de toneladas. Entretanto, ainda não é possível mensurar o impacto das enchentes sobre o milho estocado e, portanto, cortes na produção não estão descartados. Vale lembrar que o clima do Rio Grande do Sul não permite o plantio do milho safrinha.
No agregado, o corte na produção trazida pelo relatório do USDA, a seca no Brasil central e as chuvas no Rio Grande do Sul fizeram o milho valorizar na B3. O contrato com vencimento em julho ficou cotado a R$ 58,95/sc, valorização semanal de 1,3%.
Para as próximas semanas, as atenções devem seguir voltadas para o clima no Brasil, com foco para a seca no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo e o excesso de chuvas no Rio Grande do Sul.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - B3

Argentina
O USDA agora estima a safra argentina de milho em 53 milhões de toneladas, redução mensal de 3,6% devido aos problemas trazidas pela cigarrinha. Esse corte trazido pelo USDA foi bastante conservador. Em suas últimas atualizações, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires estimou a safra da Argentina em 46,5 milhões de toneladas e a Bolsa de Comércio de Rosário estimou a produção de 47,5 milhões de toneladas. Portanto, o USDA deve seguir reduzindo a sua estimativa nas próximas divulgações, seguindo o caminho de cortes graduais que é típico da instituição.
Dando um pouco mais de detalhes sobre os problemas causados pela cigarrinha, tivemos a Bolsa de Rosário reduzindo a produtividade da safra argentina em cerca de 20% desde o início da disseminação da praga. Em províncias mais ao norte do país, a produtividade estimada foi cortada em mais de 50%, o que exemplifica os danos causados pela cigarrinha. No momento, apenas 58% das lavouras da Argentina estão em condições normais, boas ou excelentes, contra uma média de quase 90% nos quatro ciclos entre 2018/19 e 2021/22.
Sobre colheita, ela segue avançando de maneira lenta, já que cerca de 70% das lavouras argentinas de milho são de plantio tardio e, portanto, só costumam começar a ser colhidas no final de maio. Até o dia 8 de maio, 23,4% do milho havia sido colhido, avanço semanal de apenas 1,2 pontos percentuais. Nos próximos dias, entretanto, poderemos ver uma aceleração dos trabalhos de campo. Isso porque tem sido relatado que agricultores de regiões afetadas pela cigarrinha estão adiantando o início da colheita, visando minimizar os danos causados pela praga.
Lavouras argentinas de milho em condições normais, boas ou excelentes

Fonte: Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.
Preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





