- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Possibilidade do USDA ter superestimado redução da área de plantio de milho nos EUA;
- Plantio nos EUA acontecendo dentro da janela ideal.
- Fatores altistas
- Seca no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo;
- Disseminação da cigarrinha na Argentina;
- Fundos saindo de suas posições vendidas;
- Valorização do trigo devido a problemas climáticos em Rússia e Ucrânia.
Panorama geral
Na semana passada (27/05-31/05), os futuros do milho desvalorizaram na bolsa de Chicago, devolvendo parte dos ganhos que vinham desde meados de fevereiro. No encerramento do período, o contrato com vencimento em julho ficou cotado a 446,25 cents/bu, desvalorização semanal de 4,0%.
O principal fator por trás das perdas foi o avanço importante do plantio do milho nos Estados Unidos, que de 70% no dia 19 de maio passou para 83% no dia 26 de maio. Esses números indicaram para o mercado que a probabilidade de muitos hectares serem plantados fora da época ideal é baixa, o que tende a ser favorável para o bom desenvolvimento da safra.
Outro fator que contribuiu para a desvalorização do milho foi o recuo no preço do trigo. Isso aconteceu porque alguns modelos climáticos indicaram que vai chover em regiões produtoras de Rússia e Ucrânia que vinham sofrendo com a seca.
Nos próximos dias e semanas, a manutenção ou não da tendência de baixa dependerá, principalmente, dos dados relacionados às condições das lavouras de milho norte-americanas, que substituirão os dados de plantio como principais direcionadores de preço. A expectativa é que hoje (3) o USDA divulgue sua primeira estimativa relacionada a isso.
Numa perspectiva mais ampla, o cenário para o milho segue incerto. Por um lado, a deflação das commodities, fenômeno que marcou o mercado ao longo dos anos de 2022 e 2023, já não é mais dominante, fator altista para o preço do milho. A mudança está relacionada ao acirramento dos riscos geopolíticos e à resiliência da demanda global, fatores que inflacionaram uma série de commodities ao longo de 2024, com destaque para o petróleo e o gás natural.
Por outro, os dados de oferta e demanda seguem mostrando um balanço folgado para o mercado de milho nos ciclos 23/24 e 24/25, fator baixista para os preços. Entretanto, é claro que a confirmação ou não dessa estimativa ainda depende de muitos fatores, com o principal deles, no momento, sendo o desenvolvimento da safra dos Estados Unidos.
Portanto, os agentes que atuam no mercado de milho devem ficar atentos principalmente ao preço de outras commodities e ao desenrolar da safra norte-americana.
Outros dois assuntos importantes surgiram ao longo dos últimos dias no mercado de milho: nova estimativa de safra da StoneX para o Brasil e a liberação pela China das importações de milho argentino. Ambos serão discutidos em detalhes nas sessões abaixo.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - CBOT

Estados Unidos
Na última semana, os fundamentos de oferta se tornaram mais baixistas nos Estados Unidos devido ao avanço do plantio. Como esse assunto foi bastante discutido na primeira sessão desse relatório, aqui não entraremos em detalhes.
Sobre os fundamentos de demanda, eles se tornaram ligeiramente mais altistas. Nas exportações, o preço FOB dos Estados Unidos se tornou muito parecido com o de Ucrânia, Brasil e Argentina, situação rara nos últimos anos e que aumentou a competitividade dos norte-americanos no mercado internacional. Neste cenário, torna-se mais provável a estimativa do USDA de que os Estados Unidos exportarão 54,6 milhões de toneladas ao longo do ciclo 23/24. Faltando 15 semanas para o fim do ciclo, as vendas de exportação já alcançaram 50,0 milhões de toneladas.
Falando sobre o setor de etanol, ele segue demandando volumes de milho superiores à média histórica. Com o verão se aproximando, as usinas já passaram a produzir mais etanol, antecipando o aumento da demanda das famílias, que costumam viajar mais nesse período. Na semana encerrada dia 24 de maio, os Estados Unidos produziram 1.068 mil barris de etanol por dia, aumento semanal de 4,8% e de 6,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Vendas de exportação dos Estados Unidos (mil toneladas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Brasil
Na última sexta-feira de maio, a colheita do milho safrinha atingiu 6,4%. Os estados em que a atividade está mais avançada são Paraná e Mato Grosso, regiões em que a colheita atingiu 11% e 8,7%, respectivamente. Somando esse aumento na oferta interna com a desvalorização do milho na bolsa de Chicago, o resultado foram perdas para o milho na B3 ao longo da semana passada (27/05-31/05). No encerramento do período, o contrato com vencimento em julho ficou cotado a R$ 58,21/sc, desvalorização semanal de 2,0%.
Além dos dados de colheita, a StoneX também atualizou sua estimativa para a safra de milho brasileira 23/24. Para o milho verão, já 90% colhido, foi mantido o número de 26,1 milhões de toneladas, volume 8,9% inferior ao registrado no ciclo passado.
Já para o milho safrinha, cortes importantes na produtividade foram feitos para o Mato Grosso do Sul (-18,6%), São Paulo (-17,4%), Paraná (-9,2%) e, em menor intensidade, Goiás (-2,0%), consequência do clima seco que predominou em grande parte do país ao longo do mês de maio. A produção de Mato Grosso, Pará e Maranhão foram corrigidas para cima, mas isso não foi suficiente para compensar as perdas dos outros estados. Agora, a StoneX estima a produção de 93,5 milhões de toneladas de milho safrinha no ciclo 23/24, recuo de 3,9% na comparação com a estimativa de maio e de 13,7% na comparação com o ciclo 22/23.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - B3

Argentina
O governo chinês aprovou a importação de modalidades híbridas de milho geneticamente modificados disponíveis na Argentina. A expectativa é que os primeiros lotes começarão a ser embarcados em julho.
Essa medida pode trazer mudanças importantes para os exportadores brasileiros. Historicamente, a China dependia muito de Estados Unidos e Ucrânia para atender suas necessidades, mas em 2023, com a aprovação das importações brasileiras, o Brasil se tornou rapidamente o principal parceiro comercial do país asiático, conquistando fatias importante do mercado. Agora, com a entrada da Argentina, brasileiros podem vir a perder espaço, já que passou a existir mais um player importante atuando no mercado chinês.
Voltando as atenções para a safra argentina 23/24, a colheita avançou 1,7 pontos percentuais na comparação semanal, atingindo 30,1%. No momento, a produtividade está em 134,2 sacas/hectare (8,05 ton/ha), mas a expectativa é que esse valor caia conforme as lavouras de plantios tardio comecem a ser colhidas.
Sobre as condições das lavouras, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA) estimou uma pequena melhora na comparação semanal, com o percentual médio, bom ou excelente subindo de 51% para 53%. Há indícios, portanto, de que a cigarrinha não está mais se espalhando com grande velocidade. Com isso, a BCBA manteve sua estimativa de produção em 46,5 milhões de hectares.
Lavouras argentinas de milho em condições normais, boas ou excelentes

Fonte: Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.
Preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





