- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Possibilidade do USDA ter superestimado redução da área de plantio de milho nos EUA;
- Plantio nos EUA acontecendo dentro da janela ideal;
- Boa condição das lavouras norte-americanas.
- Fatores altistas
- Seca no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo;
- Disseminação da cigarrinha na Argentina;
- Fundos saindo de suas posições vendidas;
- Valorização do trigo devido a problemas climáticos em Rússia e Ucrânia;
- Mudanças na legislação de PIS/Cofins podendo impactar preço de exportação brasileiro.
Panorama geral
Desde meados de maio, os fundamentos baixistas ganharam força no mercado de milho. Isso porque o plantio nos Estados Unidos avançou significativamente e deixou de ser um fator de grande preocupação, condição que reforça a estimativa do USDA de oferta superando a demanda ao longo do ciclo 24/25. Neste cenário, o milho desvalorizou na bolsa de Chicago em sete das últimas oito sessões.
Mesmo assim, o milho valorizou na CBOT na semana passada (03/06-07/06). Isso porque os ganhos na última quinta-feira (6), único dia de alta das últimas duas semanas, foram muito expressivos, compensando as perdas dos outros dias.
O fator por trás da valorização foi a mudança na legislação brasileira relacionado ao PIS/Cofins, principalmente no que diz respeito ao uso dos créditos de PIS/Cofins. Esse sistema de crédito funciona da seguinte maneira: quando uma empresa compra insumos de um fornecedor, ela ganha créditos equivalentes a alíquota do PIS/Cofins, atualmente definida em 9,25%. Então, se ela pagou R$ 100,00, ela ganhou R$ 9,25 de crédito.
Antes da edição da nova MP, esse crédito podia ser abatido do pagamento de qualquer imposto federal, seja ele o próprio PIS/Cofins ou algum outro, com destaque para o CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e os débitos previdenciários. Com a nova legislação, o crédito só poderá ser abatido do pagamento do próprio PIS/Cofins.
Essa mudança foi muito mal recebida pelo agronegócio e outros setores exportadores porque o PIS/Cofins não incide sobre operações de exportação. Isso significa que as tradings não conseguirão compensar os créditos adquiridos na compra de insumos, implicando em aumento importante nos custos. Consequentemente, foi especulada a possibilidade de que as tradings precisarão pagar menos aos produtores pelo grão ou terão que aumentar o valor de venda no mercado internacional. As tradings, inclusive, deixaram de comprar grãos, afirmando que precisam avaliar o impacto da medida antes de divulgar um valor de compra.
Pelas regras brasileiras, as MPs têm vigor imediato, mas precisam ser aprovadas em até 120 dias pelo Congresso. Caso não ocorra a aprovação, a medida perde validade. Nesse sentido, os próximos meses serão de muita disputa dentro do Legislativo. Por um lado, entidades do agronegócio e congressistas de oposição lutarão para derrubar a MP ou postergar a votação por mais de 120 dias. Por outro, o governo negociará para conseguir a aprovação dentro do prazo ou editar um Projeto de Lei que valide a medida, mesmo que passado o período de 120 dias.
Expostos os principais assuntos que mexeram com o preço do milho ao longo da semana, percebe-se que os fundamentos de oferta e demanda se tornaram mais baixistas, mas que fatores externos ao mercado acabaram resultando em ganhos para os contratos em Chicago. O com vencimento em julho encerrou o período cotado a 448,75 cents/bu, valorização semanal de 0,6%.
Nas próximas semanas, as atenções seguirão voltadas para o desenvolvimento da safra norte-americana e para a mudança na legislação brasileira. O primeiro deve ter impactos expressivos sobre os preços em Chicago, enquanto o segundo deve afetar mais o basis aqui no Brasil.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - CBOT

Estados Unidos
No dia 2 de junho, o plantio do milho nos Estados Unidos estava em 91%, valor 2 pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos para o período. Esse percentual indica que a maior parte da safra norte-americana conseguiu ser plantada dentro da janela ideal, fator positivo para o desenvolvimento da safra. Indica também que a maior parte dos produtores plantou dentro do período estipulado pelo seguro agrícola, o que é um indicativo de que a área plantada não será menor que a inicialmente estimada. O avanço do plantio, portanto, exerceu pressão ligeiramente baixista sobre os preços.
Além dos dados de plantio, o USDA divulgou pela primeira vez os dados de condição das lavouras. Para aqueles que apostam na desvalorização do milho, esses dados também foram positivos, já que mostraram 75% das lavouras em condições boas/excelentes, valor que é 4 pontos percentuais acima da média histórica para o período e 5 pontos percentuais acima da expectativa do mercado.
Pelo lado da demanda, as divulgações da semana passada foram mais altistas. As vendas de exportação mostraram saldo de 1,18 milhão de toneladas, volume elevado e que aponta para as exportações norte-americanas em 2023/24 alcançando a estimativa atual do USDA. Sobre o setor de etanol de milho, ele segue produzindo volumes recorde, o que implica em consumo elevado de milho. Vale lembrar que o verão do hemisfério Norte coincide com o auge de consumo de combustível nos Estados Unidos, o que aponta para meses de grande produção de etanol de milho.
Vendas de exportação dos Estados Unidos (mil toneladas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Brasil
Na semana passada, os futuros do milho negociados na B3 acompanharam o movimento de Chicago. Ou seja, os contratos desvalorizaram na maior parte do período devido a melhora nas perspectivas para a safra norte-americana e valorizaram na quinta (6) devido a edição da MP que modifica a legislação brasileira. No agregado do período, os contratos desvalorizaram, com a alta de quinta-feira não conseguindo compensar as perdas dos outros dias. O contrato com vencimento em julho encerrou o período cotado a R$ 57,20/sc, desvalorização semanal de 1,7%.
Para além dos preços da B3, na semana passada a StoneX atualizou sua estimativa de comercialização. Para o milho verão, apenas 55% da safra 2023/24 foi comercializada, menor percentual desde o ciclo 2017/18. Já para o milho safrinha, apenas 30,7% foram comercializados, menor percentual desde o ciclo 2017/18.
Esses percentuais indicam que o agricultor brasileiro não está satisfeito com os níveis atuais de preço, preferindo segurar sua produção. Esse fenômeno tem afetado o prêmio do milho aqui no Brasil, que está aumentando devido a necessidade das tradings pagarem valores mais elevados para conseguir a mercadoria que elas precisam. No momento, o prêmio no porto de Santos para embarque em julho é de 75 cents/bu; um mês atrás, ele era de 53 cents/bu.
Sobre a colheita do milho safrinha, a StoneX estima que ela atingiu 9,8% no dia 7 de junho, percentual acima do registrado em qualquer um dos últimos três anos. Os estados em que a colheita está mais adiantada são Paraná (15,0%), Mato Grosso (13,5%), Rondônia (5,9%) e São Paulo (4,0%). O avanço da colheita do milho safrinha é um fator baixista para o basis aqui no Brasil.
Intraday (15 min) contrato de julho/24 - B3

Argentina
A colheita do milho na Argentina enfim ganhou tração, sendo registrado um aumento semanal de 5 pontos percentuais que levou a colheita para 35,1%. Esse percentual está acima do registrado no mesmo período do ano passado (32,6%), mas abaixo da média dos últimos cinco anos para o período (41,5%).
Sobre a estimativa de safra, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires manteve a estimativa de 46,5 milhões de toneladas pela sexta semana consecutiva, indício de que os estragos causados pela cigarrinha já foram estimados em sua totalidade. Vale apontar que as 46,5 milhões de toneladas indicam um aumento de 12,5 milhões de toneladas na comparação com a safra passada.
Lavouras argentinas de milho em condições normais, boas ou excelentes

Fonte: Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.
Preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)




