- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Boa condição das lavouras norte-americanas;
- Avanço da colheita no Brasil (safrinha) e Argentina.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Seca na Ucrânia impactando o desenvolvimento da safra 24/25.
Na semana passada (22 a 26 de julho), os futuros de milho negociados na bolsa de Chicago ensaiaram uma recuperação. Nos quatro primeiros dias da semana, os contratos valorizaram cerca de 4%, afastando-se do piso de preços. Na sexta-feira, entretanto, o milho devolveu grande parte dos ganhos, minimizando a alta. O setembro/24 encerrou o período cotado a 394,50 cents/bu, valorização semanal de 1,0%.
O principal fator por trás das altas foi a atualização das perspectivas meteorológicas para o cinturão agrícola dos Estados Unidos. Para a semana atual (29/07-04/08), a previsão não indica ameaças graves à safra de milho, mas o baixo volume de chuva na região oeste do cinturão traz alguma preocupação. Já para a semana que vai de 5 a 11 de agosto, os modelos indicam que praticamente não choverá no Meio-Oeste norte-americano, o que pode afetar a produtividade da safra de milho.
Nos próximos dias, o foco do mercado seguirá voltada para as atualizações das previsões. As desvalorizações de sexta-feira indicam que o mercado ainda não está convicto de que a possível seca da próxima semana impactará a produtividade do milho. Até porque a maior parte da safra já terá passado pela fase de polinização. Mesmo assim, é algo que deve seguir sendo acompanhado.
Sobre as perspectivas de produtividade, a StoneX dos Estados Unidos irá divulgar sua primeira estimativa oficial na próxima quinta-feira, dia 1º de agosto, com base em coleta primária de dados realizada junto a clientes. No momento, o economista chefe da StoneX, Arlan Suderman, estima que serão colhidas 11,45 ton/ha, contra a estimativa de 11,13 ton/ha do USDA. Será necessário esperar até quinta-feira para ver se a pesquisa da StoneX mostra um número mais próximo ao do Arlan ou ao do USDA. De qualquer forma, caso a seca da semana que vem se confirme, poderemos ter mudanças nas perspectivas de produtividade.
Voltando as atenções para as condições das lavouras, o USDA estima que 67% dos milharais se encontravam em condições boas/excelentes no dia 21 de julho, percentual que segue acima da média dos últimos cinco anos para o período. Na mesma data, 61% das lavouras estavam em fase de polinização, contra 56% na média dos últimos cinco anos. Ambos dados serão atualizados hoje, às 17h. A expectativa é que o percentual das lavouras em condições boas/excelentes mantenha-se em patamares similares e que as lavouras em fase de polinização tenham alcançado valores próximos a 80%.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
No Brasil, os futuros do milho negociados na B3 também valorizaram na semana passada, e ainda com mais intensidade do que na CBOT. No agregado do período, o contrato com vencimento em setembro ficou cotado a R$ 61,08/sc, valorização semanal de 3,3%. Na semana passada, inclusive, o preço contínuo do milho na B3 atingiu o maio valor em mais de quatro meses.
O atraso na comercialização da safrinha de milho é um importante fator por trás da alta, com tradings e cooperativas precisando ofertar valores mais elevados a fim de convencer os agricultores a venderem sua produção. Nas últimas semanas, entretanto, é possível argumentar que a alta do dólar tem sido o principal fator por trás da valorização do milho no Brasil. Do final de maio para cá, o dólar saltou de R$ 5,10 para R$ 5,65, ganhos de mais de 10% que aumentam a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.
Olhando para os prêmios nos portos, entretanto, eles mostram que o Brasil perdeu competitividade desde o final de maio. Ou seja, a valorização de 10% dólar não foi suficiente para compensar a alta do milho no Brasil (em reais), somado a desvalorização do milho na CBOT. No momento, o prêmio do milho no porto de Santos para embarque em agosto é de 95 cents/bu; no final de maio, era de 51 cents/bu.
Sobre a colheita da safrinha, a StoneX estima que ela tenha atingido 89,5% na última sexta-feira (26), contra apenas 63,8% na média dos últimos cinco anos, o que mostra que o ciclo está bastante adiantado. No Mato Grosso e em Rondônia, a colheita está praticamente finalizada, tendo ultrapassado os 98%. Nos outros estados, os agricultores estão adentrando na reta final, tendo ultrapassado os 80% em Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Apenas Minas Gerais ainda tem um longo caminho a percorrer, estando ainda em 30%.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Dando uma breve atualizada na situação da Argentina, a colheita também está bastante adianta: 86,6% contra 68,4% no mesmo período do ano passado. O rendimento médio está em 6,49 ton/ha e a estimativa de produção da Bolsa de Cereales de Buenos Aires ainda é de 46,5 milhões de toneladas.
Já na Ucrânia, há algumas semanas o extremo calor e a falta de chuvas adequadas vêm sendo observados pelo mercado. O milho plantado durante a safra de primavera pode ter sido particularmente afetado pelo fato de o clima adverso ter se dado em um período de polinização dos milharais. Durante o período em que o clima quente era reportado, o impacto na safra ainda era pouco claro e algumas estimativas apontavam para um recuo de 20% a 30% na produção de grãos em algumas regiões. No entanto, as informações mais recentes do ministério de agricultura ucraniano apontam para uma produtividade que deve recuar, na média do país, 5%, número que preocupa menos o mercado. Na última semana, algumas lavouras da Ucrânia foram beneficiadas por um clima mais ameno. No entanto, a região leste do país, bem como a região sul da Rússia, continuou reportando temperaturas mais quentes, fato que coloca ainda um ponto de atenção na produtividade da safra do Mar Negro.
Por fim, a China foi atingida na semana passada pelo tufão Gemei. A área mais afetada foi o sul da China, região com poucos hectares de milho. Mesmo assim, impactos sobre a produtividade das lavouras não estão descartados, já que o tufão causou chuvas em toda a China, inclusive em áreas de produção de milho que possuem risco de alagamento.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





