- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Boa condição das lavouras norte-americanas;
- Avanço da colheita no Brasil (safrinha) e Argentina.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Seca na Ucrânia impactando o desenvolvimento da safra 24/25.
Na semana passada (29/07-02/08), os contratos futuros de milho voltaram a desvalorizar na bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em setembro encerrou o período cotado a 386,50 cents/bu, desvalorização semanal de 2%. Quando considerado o preço contínuo, que diz respeito ao contrato de menor vencimento, o preço de encerramento da semana passada é o menor desde outubro de 2020.
O principal fator por trás da desvalorização foi a mudança nas perspectivas climáticas para o cinturão agrícola dos Estados Unidos. A previsão de clima quente e seco na segunda semana de agosto, que fez os futuros do milho valorizarem entre os dias 22 e 26 de agosto, deixou de existir, com os modelos agora indicando clima mais úmido na maior parte das regiões.
Alguns outros fatores também ajudaram na desvalorização. Na segunda-feira (29), a atualização do USDA mostrou 68% das lavouras de milho norte-americanas em condições boas/excelentes, percentual 6 pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos para o período, o que indica produtividade elevada. Depois, na quinta-feira (1), a StoneX dos Estados Unidos divulgou sua primeira estimativa de safra para o ciclo 2024/25 também indicando produtividade elevada: 11,44 ton/ha, contra 11,36 na previsão atual do USDA. Caso essa produtividade se concretize, ela será a maior da história e resultará na produção de 386,27 milhões de toneladas, volume que representaria a segunda maior safra de milho da história dos Estados Unidos, ficando atrás apenas das 389 milhões produzidas no ciclo passado.
Para além dos fundamentos do próprio mercado de milho, fatores macroeconômicos também pesaram na desvalorização do grão. Na semana passada, a divulgação de dados fracos de emprego nos Estados Unidos desencadeou o temor de uma recessão na principal economia do mundo, fenômeno que levou investidores a fugirem de ativos arriscados e trouxe a possibilidade de uma retração na demanda por commodities. Para uma análise mais completo sobre a aversão ao risco na economia mundial, acesse o relatório da StoneX.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Para o mercado brasileiro de milho, a grande consequência do aumento da aversão ao risco foi uma nova rodada de desvalorização do real. Agora, um dólar equivale a mais de R$ 5,75, maior valor desde fevereiro de 2021 e que aumenta a competitividade das exportações brasileiras. Seguindo o dólar, o milho valorizou na B3 na semana passada, com o contrato com vencimento em setembro encerrando o período cotado a R$ 61,83/sc, valorização semanal de 1,2%. De modo geral, a alta do dólar tem sustentado o preço do milho no Brasil, contrabalanceando o aumento da oferta decorrente do avanço da colheita. Desde o dia 12 de julho, o contrato contínuo do milho no Brasil valorizou cerca de 10%.
Dando mais detalhes sobre a colheita da safrinha, a estimativa da StoneX indica que ela alcançou 93,2%. Na maior parte dos estados, o processo já está praticamente encerrado, restando apenas os mineiros, que por enquanto colheram 45% das lavouras.
Outra atualização importante feita pela StoneX na semana passada diz respeito as estimativas de safra para o Brasil. Para o ciclo 2023/24, os números estão praticamente consolidados, com apenas alguns ajustes sendo realizados. Resumidamente, a estimativa é de 26,058 milhões de toneladas na 1ª safra, 93,553 milhões na 2ª e ainda 2,191 milhões na 3ª, totalizando 121,8 milhões de toneladas, a terceira maior safra da história do Brasil.
Já para o ciclo 2024/25, pela primeira vez a StoneX divulgou uma estimativa, ainda que apenas para a 1ª safra. Em resumo, foi estimada uma redução importante na área plantada, que de 3,64 milhões de hectares em 23/24 passaria para 3,4 milhões, redução de 6,7%. Os estados com os maiores cortes estimados são Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Goiás. Diminuição da área de milho verão não é um fenômeno novo. Desde o final dos anos 90 que o plantio dessa cultura no 2º semestre tem perdido espaço, principalmente para a soja. A diminuição anual de 6,7%, entretanto, é mais representativa e responde ao desânimo dos agricultores com o patamar atual de preços.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





