- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Boa condição das lavouras norte-americanas;
- Avanço da colheita no Brasil (safrinha) e Argentina.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Seca na Ucrânia impactando o desenvolvimento da safra 24/25.
Na semana passada (05/08-09/08), os futuros do milho mais uma vez atuaram em baixa na bolsa de Chicago. No encerramento do período, o contrato com vencimento em setembro ficou cotado a 376,75 cents/bu, desvalorização semanal de 2,5%.
As perspectivas positivas para a safra norte-americana seguem sendo o principal fator por trás da desvalorização do milho. A atualização semanal do USDA referente a 4 de agosto mostrou 67% das lavouras em condições boas/excelentes, recuo de 1 ponto percentual na comparação semanal, mas que ainda é 5 pontos percentuais acima da média histórica para o período. E para as próximas semanas, a perspectiva é que o milho mantenha essa condição, já que os modelos climáticos estão indicando temperaturas amenas na maior parte do cinturão agrícola. Vale lembrar que a temperatura, e não a umidade, é o principal determinante dos rendimentos em agosto, mês em que a maior parte das lavouras de milho entra na fase de maturação.
Falando de rendimento, esse é o dado mais aguardado do relatório de oferta e demanda do USDA que será divulgado hoje (12), às 13h. O mercado espera que a estimativa fique em 11,44 ton/ha, valor idêntico ao divulgado pela StoneX e que representaria um aumento de 0,08 ton/ha na comparação com a produtividade divulgada em julho. Como o recorde de produtividade nos Estados Unidos é de 11,36 ton/ha, temos o mercado trabalhando com a perspectiva de rendimento recorde nos Estados Unidos, fator que explica o porquê de o milho em Chicago estar sendo negociado pelo menor valor desde setembro de 2020. Caso o clima em agosto siga positivo para as lavouras, não está descartada a possibilidade de a produtividade alcançar valores ainda superiores as 11,44 ton/ha.
Além do rendimento, os investidores também estarão atentos aos dados de área divulgados pelo USDA. Normalmente, correções nas estimativas de área só começam a ser realizadas em setembro ou outubro, mas para este ano foi dito que a Farm Service Agency - agência do USDA que, entre outras funções, coleta dados dos agricultores – processou mais rápido que o normal os dados levantados, o que permite que mudanças aconteçam já no relatório de agosto. Com isso, o mercado espera que o USDA reduza a área colhida de milho em 190 mil hectares, passando de 33,77 milhões de hectares para 33,58.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Voltando as atenções para o Brasil, por aqui o milho desvalorizou na B3, contrastando com os ganhos que vinham dominando o mercado desde meados de julho. O principal fator por trás da desvalorização foi o recuo do dólar, que de R$ 5,75 passou para R$ 5,50, fenômeno que diminui a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional. O contrato com vencimento em setembro ficou cotado a R$ 60,23/sc, desvalorização semanal de 2,6%.
No mercado físico, as variações do dólar não chegaram a impactar significativamente as cotações, que, na média, se mantiveram praticamente inalteradas ao longo da semana. Com isso, o prêmio no porto de Paranaguá também pouco se alterou: para os embarques planejados para setembro, o prêmio passou de 104 cents/bu para 108 cents/bu.
Por fim, a colheita no Brasil. Segundo estimativa da StoneX, ela alcançou 96,7%, estando finalizada ou praticamente finalizada em todos os estados brasileiros com exceção de Minas Gerais. Esse é um importante fator de baixa, mas que no momento está sendo contrabalanceado pelo atraso na comercialização.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Além de Estados Unidos e Brasil, outro país produtor que o mercado de milho está de olho é a Ucrânia. Por lá, cerca de metade da área plantada com milho está enfrentando seca, o que algumas entidades estimam que irá resultar em perdas de 6 milhões de toneladas. Esse volume não deve ser suficiente para impactar os preços em Chicago, mas devem redirecionar os fluxos de comércio.
Olhando para a demanda norte-americana, as vendas de exportação vieram em alta, ficando em 485,4 mil toneladas na semana encerrada em 01/08. O volume se deveu principalmente a novas vendas para o México, que, comprando pouco mais de 300 mil toneladas, fez o número superar o teto das estimativas dos analistas, que era de 400 mil toneladas. Na mesma toada, os carregamentos vieram em alta, conforme os EUA registraram 1,3 milhões de toneladas embarcadas.
Em outra ponta, a produção de etanol no país recuou no comparativo semanal. Ainda assim, a produção semanal do biocombustível, que foi de 1,06 milhões de toneladas, mantém o ritmo de produção robusta neste ano, posicionando os níveis de produção acima da média dos anos anteriores. Além disso, os estoques de etanol dos EUA recuaram, demonstrando que, mesmo com a produção levemente maior neste ano, a demanda segue acompanhando a alta.
Mesmo assim, os fundamentos altistas pelo lado da demanda foram ofuscados ao longo da semana conforme os agentes continuam repercutindo o clima estadunidense. Além disso, conforme já veio sendo falado há algumas semanas, vale lembrar que os produtores norte-americanos seguem com a comercialização atrasada. Assim, conforme se aproxima o período de colheita da safra nova, a chance de que haja uma entrada do milho estocado da safra antiga seguirá crescendo, fator que deverá seguir sendo baixista para os preços.
As exportações brasileiras no mês de julho foram mais uma vez menores no comparativo anual. O país exportou 3,55 milhões de toneladas, um recuo de 16% em comparação com o mesmo mês no ano passado. É o segundo mês consecutivo de exportações abaixo de 2023 e é o segundo menor valor para um mês de julho dos últimos 6 anos. A explicação para esse movimento é diversa: em algum grau, o volume relativamente mais baixos deve estar associado à safra menor, bem como por um menor interesse de vender o milho para fora frente aos patamares de preço que vêm sendo praticados no mercado internacional.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





