- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Boa condição das lavouras norte-americanas;
- Avanço da colheita no Brasil (safrinha) e Argentina.
- Fatores altistas
- Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos;
- Seca na Ucrânia impactando o desenvolvimento da safra 24/25.
Na semana passada (19/08-23/08), os futuros do milho negociados na bolsa de Chicago desvalorizaram. O contrato com vencimento em setembro ficou cotado a 367,75 cents/bu, variação semanal de -0,7%. O principal fator por trás da desvalorização foi o crop tour da consultoria Pro Farmer, que indicou uma safra robusta de milho nos Estados Unidos.
Fornecendo mais detalhes, a Pro Farmer estimou o rendimento médio das lavouras norte-americanas de milho em 11,37 ton/ha, resultando na produção de 380,48 milhões de toneladas. Esses valores ficaram abaixo dos estimados pelo USDA: 11,49 ton/ha e 384,75 milhões de toneladas. Entretanto, como em 9 dos últimos 12 anos as estimativas nacionais da Pro Farmer ficaram abaixo dos números finais do USDA, o mercado interpretou que os valores do crop tour confirmaram as expectativas de uma safra robusta nos Estados Unidos.
Apesar do mercado constantemente comparar os números da Pro Farmer com os do USDA, o mais interessante é comparar os valores do Pro Farmer com os valores da própria instituição de anos anteriores, visto que os números da consultoria privada e do Departamento governamental nem sempre batem. Fazendo isso, os resultados novamente têm um viés baixista. Em 2023, ano em que os Estados Unidos produziram sua maior safra de milho da história, o crop tour da Pro Farmer estimou a produtividade nacional em 10,80 ton/ha, valor 5% inferior às 11,37 ton/ha registradas neste ano. Para os estados, em seis dos sete acompanhados a produtividade em 2024 ficou acima da de 2023.
É importante lembrar que mais hectares foram plantados com milho no ano passado do que neste ano, fator que ameniza o viés baixista dos valores de produtividade. Mesmo assim, o rendimento estar acima do registrado no ano em que a produção norte-americana bateu recorde ainda é um fator significativo. Tanto que as 380,48 milhões de toneladas estimadas para 2024 são ligeiramente superiores as 380 milhões registradas em 2023.
Para finalizar os comentários sobre o crop tour da Pro Farmer, é importante destacar que alguns analistas acreditam que a produtividade vai ficar ainda acima da estimada pela instituição porque o clima nos Estados Unidos em agosto está ameno, fenômeno que desacelera o processo de maturação e, portanto, favorece o crescimento das sementes, fator não considerado pelos analistas da Pro Farmer.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Além do crop tour, o mercado de milho também esteve atento às movimentações no campo macroeconômico. Ouviu-se na fala de Jerome Powell, presidente do Fed, que “chegou a hora para a política [monetária dos EUA] sofrer um ajuste”. A fala era o que faltava para sacramentar a perspectiva de um corte de juros na economia norte-americana. Nos momentos consecutivos à fala, o otimismo tomou conta do mercado acionário dos EUA, além de entregar ganhos para algumas commodities. De qualquer forma, o mercado do milho não pareceu muito impactado pela declaração de Powell, visto que o vencimento de setembro em Chicago apresentou queda de cerca de 1% na sexta-feira. Ainda assim, o fato deve estar nas atenções dos investidores, uma vez que pode impactar o consumo de milho e a cotação do dólar.
Precificado o corte de juros em setembro, o debate será, a partir de agora, a profundidade desse corte. A probabilidade maior atualmente é de que o os juros básicos sejam diminuídos em 25 pontos-base na reunião de setembro, mas o corte pode ser de 50 caso o mercado de trabalho se mostre mais enfraquecido.
Tirando a possibilidade de mudanças na política monetária, outros fatores de demanda pouco chamaram atenção no mercado de milho na última semana. Ainda assim, algumas notícias merecem destaque, como o aumento da produção de etanol de milho nos EUA, que avançou, na semana passada, 26 mil barris/dia. Nas exportações, as vendas da safra atual dos Estados Unidos seguem mais lentas do que o normal, mas ainda dentro das possibilidades de cumprir a estimativa do USDA. Mesmo assim, as vendas da nova safra seguem fortes, sendo contabilizadas em 1,3 milhão de toneladas, bem acima da média dos últimos anos.
No Brasil, o milho teve uma semana de alta na B3. Resumidamente, os contratos valorizaram significativamente na segunda-feira e depois alternaram ganhos e perdas, variando em conjunto com o dólar. No encerramento do período, o contrato com vencimento em setembro ficou cotado a R$ 60,23/sc, valorização semanal de 1,1%.
No quesito notícias, estamos num período fraco para o Brasil. A colheita da safrinha está praticamente finalizada desde o início de agosto e o plantio da safra verão 2024/25 ainda não começou. As únicas atualizações são as referentes à comercialização. Para o milho safrinha, o levantamento da StoneX detectou uma aceleração, com os 49,3% comercializados representando um avanço mensal de 16,6 pontos percentuais. Agora, a comercialização da safra 2023/24 não é mais a mais lenta dos últimos cinco anos, como recorrentemente vinha sendo o caso, tendo ultrapassada a velocidade da safra 2022/23. Por outro lado, a comercialização segue atrasada quando comparada à média dos últimos cinco anos de 63,6%.
Para a semana que se inicia, as atenções devem seguir voltadas para os Estados Unidos e as perspectivas de produção e produtividade. A StoneX atualizará seus números na próxima segunda-feira, dia 1º de setembro.
Intraday (15 min) contrato de setembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





