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Resumo Semanal de Milho

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Milho termina semana em queda com dados de exportação inexpressivos 
 
Raphael Bulascoschi
Analista de Inteligência de Mercado
Safra sul-americana entra no radar e seca preocupa, mas segue muito preliminar para estimar perdas substanciais
  • Fatores baixistas
  • Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
  • Número de lavouras em níveis bons/excelentes acima da média;
  • USDA estima produtividade recorde para os EUA;
  • Diferencial de juros traz valorização do Real, podendo pressionar milho B3.
  • Fatores altistas
  • Clima seco no Brasil deve atrasar plantio da soja primeira safra, o que pode impactar o plantio da safrinha;
  • Corte de juros nos EUA deve trazer fortalecimento da demando no médio prazo.
  • Cobertura de posições vendidas;
  • Risco geopolítico no Mar Negro.

Síntese Semanal | Os futuros do milho recuaram em Chicago na última semana, com o vencimento de dezembro encerrando o dia a US¢401,50/bu (-2,8%). Após operarem perto da estabilidade no começo da semana, os futuros foram pressionados na quinta-feira, conforme a publicação de um relatório de vendas de exportação abaixo das expectativas afetou a percepção de demanda global pelo cereal norte-americano. Além disso, uma cobertura de posições vendidas pode ter influenciado o mercado, conforme a safra forte dos EUA segue sendo colhida e os olhos se voltam para a América do Sul, onde o clima seco entrega alguma incerteza. Ainda assim, a colheita forte dos EUA segue sendo um fator de baixa para o milho. Vale observar que passamos por momento de seca nos rios usados para o escoamento hidroviário da safra pode representar gargalos logísticos, o que seguirá sendo monitorado. O volume que deve entrar no mercado deverá ser atipicamente alto, sendo assim, será preponderante que os EUA encontre uma forma de transportar essa safra robusta.

Vendas de Exportação - EUA | Por trás das perdas vistas na semana passada para o milho estão os dados de vendas de exportação que apontaram para um resultado abaixo das 900 mil toneladas, volume abaixo da média que vinha sendo observada nas últimas semanas. O principal destino das vendas seguiu sendo o México, com destaque para a manutenção da China como um comprador mais apagado, o que deve se manter como um ponto de atenção, visto que o país é um importante importador do cereal.  

Corte de juros nos EUA | Na última quarta-feira, após dois dias de reuniões, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) dos EUA anunciou o corte de 50 pontos-base na taxa de juros da maior economia do mundo. O fato ajudou a impulsionar diversos mercados, uma vez que ainda existia discussão acerca da proporção do corte que seria promovido pela autoridade monetária ainda estava aberta. Optou-se pela ação mais agressiva para atacar um possível contexto recessivo. Ainda assim, o consequente aquecimento da economia deverá ser monitorado conforme os efeitos do corte passem a ser sentidos na economia. Se por um lado os 50 pontos-base de redução ajudam a fortalecer o mercado de trabalho no médio prazo, uma aceleração na inflação - que segue acima da meta - não está descartada, o que pode entregar uma mudança no tom do Fed ao longo de 2025. Esperam-se ainda mais dois cortes de 25 pontos-base nas duas reuniões que o FOMC realizará em 2024. 

Intraday (15 min) contrato de dezembro/24 - CBOT

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Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.

B3 e Câmbio | Os futuros do milho tiveram uma semana de pouca variação no Brasil. Após operarem a semana inteira em baixa, uma recuperação na sexta-feira fez com que o novembro/24 na B3 encerrasse praticamente no zero a zero, negociado a RS$67,85/sc (+0,1%). O movimento aconteceu apesar das pressões vindas de Chicago – com a desvalorização tratada acima – e do câmbio. Do lado das divisas, um aumento do diferencial de juros entre Brasil e EUA após a “superquarta”, quando o FOMC optou por um corte de 50 pontos-base nos EUA e o COPOM aumentou 25 pontos-base nos juros brasileiros, fez o real se valorizar. Com isso, as exportações brasileiras tendem a ficar menos competitivas. 

De qualquer forma, por mais que existam forte pressões baixistas para os contratos, o mercado doméstico pode ser suportado por um risco climático, conforme a seca no interior do Brasil continua entregando perspectivas de um atraso no plantio da primeira safra de soja – que pode, por sua vez, entregar atrasos também para a safrinha. 

Plantio – Brasil | Os dados de acompanhamento de plantio da primeira safra, publicados pela StoneX na última sexta-feira, trouxeram um ritmo relativamente normal para o plantio de milho, com os estados do sul puxando esse número. Ao todo, já se plantou 21,6% da área de milho primeira safra. Até agora, como esperado, o atraso está na soja, onde apenas 1,5% da área foi plantada, com apenas o Paraná tendo iniciado o plantio de maneira mais substantiva. As primeiras áreas foram semeadas no Mato Grosso, mas algo com muita pouca substância - e abaixo do observado na safra passada.

Intraday (15 min) contrato de novembro/24 - B3

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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Daqui pra frente | Nesta semana, com a agenda mais esvaziada, o mercado deve seguir repercutindo as perspectivas climáticas no Brasil. Na abertura semanal, os grãos operam em alta, conforme uma dose de otimismo vem sendo injetada nos mercados financeiros internacionais, com uma posível continuidade do movimento de cobertura de posições vendidas. Além disso, o acompanhamento de safra dos EUA, que será publicado hoje pelo USDA, deverá trazer o ritmo da colheita no maior produtor de milho do mundo. 


Tabelas de preços futuros e físicos

 

Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

image 101020
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
 

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)

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Fonte: StoneX.

AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

Arlan Suderman
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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