- Fatores baixistas
- Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
- Número de lavouras em níveis bons/excelentes acima da média;
- USDA estima produtividade recorde para os EUA;
- Diferencial de juros traz valorização do Real, podendo pressionar milho B3.
- Fatores altistas
- Clima seco no Brasil deve atrasar plantio da soja primeira safra, o que pode impactar o plantio da safrinha;
- Corte de juros nos EUA deve trazer fortalecimento da demando no médio prazo.
- Cobertura de posições vendidas;
- Risco geopolítico no Mar Negro.
Síntese Semanal | Os futuros do milho recuaram em Chicago na última semana, com o vencimento de dezembro encerrando o dia a US¢401,50/bu (-2,8%). Após operarem perto da estabilidade no começo da semana, os futuros foram pressionados na quinta-feira, conforme a publicação de um relatório de vendas de exportação abaixo das expectativas afetou a percepção de demanda global pelo cereal norte-americano. Além disso, uma cobertura de posições vendidas pode ter influenciado o mercado, conforme a safra forte dos EUA segue sendo colhida e os olhos se voltam para a América do Sul, onde o clima seco entrega alguma incerteza. Ainda assim, a colheita forte dos EUA segue sendo um fator de baixa para o milho. Vale observar que passamos por momento de seca nos rios usados para o escoamento hidroviário da safra pode representar gargalos logísticos, o que seguirá sendo monitorado. O volume que deve entrar no mercado deverá ser atipicamente alto, sendo assim, será preponderante que os EUA encontre uma forma de transportar essa safra robusta.
Vendas de Exportação - EUA | Por trás das perdas vistas na semana passada para o milho estão os dados de vendas de exportação que apontaram para um resultado abaixo das 900 mil toneladas, volume abaixo da média que vinha sendo observada nas últimas semanas. O principal destino das vendas seguiu sendo o México, com destaque para a manutenção da China como um comprador mais apagado, o que deve se manter como um ponto de atenção, visto que o país é um importante importador do cereal.
Corte de juros nos EUA | Na última quarta-feira, após dois dias de reuniões, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) dos EUA anunciou o corte de 50 pontos-base na taxa de juros da maior economia do mundo. O fato ajudou a impulsionar diversos mercados, uma vez que ainda existia discussão acerca da proporção do corte que seria promovido pela autoridade monetária ainda estava aberta. Optou-se pela ação mais agressiva para atacar um possível contexto recessivo. Ainda assim, o consequente aquecimento da economia deverá ser monitorado conforme os efeitos do corte passem a ser sentidos na economia. Se por um lado os 50 pontos-base de redução ajudam a fortalecer o mercado de trabalho no médio prazo, uma aceleração na inflação - que segue acima da meta - não está descartada, o que pode entregar uma mudança no tom do Fed ao longo de 2025. Esperam-se ainda mais dois cortes de 25 pontos-base nas duas reuniões que o FOMC realizará em 2024.
Intraday (15 min) contrato de dezembro/24 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
B3 e Câmbio | Os futuros do milho tiveram uma semana de pouca variação no Brasil. Após operarem a semana inteira em baixa, uma recuperação na sexta-feira fez com que o novembro/24 na B3 encerrasse praticamente no zero a zero, negociado a RS$67,85/sc (+0,1%). O movimento aconteceu apesar das pressões vindas de Chicago – com a desvalorização tratada acima – e do câmbio. Do lado das divisas, um aumento do diferencial de juros entre Brasil e EUA após a “superquarta”, quando o FOMC optou por um corte de 50 pontos-base nos EUA e o COPOM aumentou 25 pontos-base nos juros brasileiros, fez o real se valorizar. Com isso, as exportações brasileiras tendem a ficar menos competitivas.
De qualquer forma, por mais que existam forte pressões baixistas para os contratos, o mercado doméstico pode ser suportado por um risco climático, conforme a seca no interior do Brasil continua entregando perspectivas de um atraso no plantio da primeira safra de soja – que pode, por sua vez, entregar atrasos também para a safrinha.
Plantio – Brasil | Os dados de acompanhamento de plantio da primeira safra, publicados pela StoneX na última sexta-feira, trouxeram um ritmo relativamente normal para o plantio de milho, com os estados do sul puxando esse número. Ao todo, já se plantou 21,6% da área de milho primeira safra. Até agora, como esperado, o atraso está na soja, onde apenas 1,5% da área foi plantada, com apenas o Paraná tendo iniciado o plantio de maneira mais substantiva. As primeiras áreas foram semeadas no Mato Grosso, mas algo com muita pouca substância - e abaixo do observado na safra passada.
Intraday (15 min) contrato de novembro/24 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Daqui pra frente | Nesta semana, com a agenda mais esvaziada, o mercado deve seguir repercutindo as perspectivas climáticas no Brasil. Na abertura semanal, os grãos operam em alta, conforme uma dose de otimismo vem sendo injetada nos mercados financeiros internacionais, com uma posível continuidade do movimento de cobertura de posições vendidas. Além disso, o acompanhamento de safra dos EUA, que será publicado hoje pelo USDA, deverá trazer o ritmo da colheita no maior produtor de milho do mundo.
Tabelas de preços futuros e físicos
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)





