Síntese semanal | Os futuros do milho avançaram em Chicago, com o vencimento de março/25 encerrando a semana negociado a US¢486,50/bu (+0,5%). As commodities foram ajudadas por um movimento de enfraquecimento do dólar. Além disso, pressões do lado da oferta, motivadas principalmente pelo clima adverso na Argentina, também seguiram oferecendo suportes. Ainda assim, os futuros do milho enfrentam forte resistência no patamar dos US¢500/bu, o que fez o mercado devolver parte dos ganhos no encerramento da semana.
Intraday (15 min) contrato de março/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Dólar e macroeconomia | A semana foi marcada por uma perda de força global do dólar. Com a chegada de Trump na Casa Branca, no último dia 20, esperava-se que o novo presidente dos EUA já colocasse em prática a política tarifária agressiva proposta na campanha, que chegou a incluir nos planos uma taxa de 60% para produtos chineses. No entanto, o que foi observado a partir dos primeiros momentos do novo governo foi uma postura bem mais cautelosa, focando primeiramente em tarifas a países vizinhos, como México e Canadá.
O fato ajudou a enfraquecer o “trump-trade”. Dessa forma, o dólar recuou em comparação a outras moedas e o mercado de commodities abriu na terça-feira operando predominantemente no verde, fortalecidos tanto pelo dólar mais fraco – que tende a baratear o preço das commodities norte-americanas – quanto pela perspectiva de que o comércio internacional não estaria tão comprometido nesse novo governo Trump.
Falando sobre o dólar, nesta semana, teremos uma nova decisão de política monetária nos EUA. A perspectiva quase unânime é de que o FOMC mantenha a taxa de juros no patamar atual. A questão agora será entender como Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, se posicionará acerca da trajetória futura dos juros americanos, com destaque para os dados de inflação que foram divulgados nesse mês de janeiro, bem como às perspectivas de inflação e crescimento sob a nova gestão no governo norte-americano.
Política estrangeira sob Trump | Conforme já abordado, Trump focou suas primeiras ações nessa nova gestão pressionando países vizinhos, como México e Canadá, que se tornaram os primeiros alvos das tarifas tão comentadas pelo presidente na campanha.
Chama atenção o foco da política externa do novo governo nas américas. Além das tarifas contra países vizinhos, Trump também já prometeu retaliar movimentos contra deportações em massa que devem acontecer nos EUA nas próximas semanas. Durante os últimos dias, os presidentes dos EUA e da Colômbia se viram em uma disputa após Gustavo Petro se opor em receber os deportados dos EUA. Donald Trump retaliou prometendo tarifas de importação contra produtos colombianos.
Após o debate acalorado, a situação já parece mais pacífica na manhã dessa segunda-feira, enquanto os países parecem ter encontrado um acordo. Ainda assim, a reflexão originada dessa movimentação recente é de que Trump nesse mandato busca uma política externa muito mais focada nas Américas, o que é reforçado se pensarmos que o presidente escolheu Marco Rubio – congressista de origem cubana e que pautou sua vida política na discussão sobre imigração e relação com países latino-americanos – como Secretário de Estado, cargo mais importante para a política externa no governo americano.
O fato pode representar uma ameaça à relação dos EUA com dois importantes parceiros comerciais que compram milho norte-americano. México e Colômbia ocupam duas posições entre os quatro maiores importadores de milho dos EUA. O fato de os dois países estarem na mira da política externa do novo governo deverá ser importante de ser acompanhado no mercado do cereal ao longo dos próximos meses.