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Resumo Semanal de Milho

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Milho avança em Chicago, mas enfrenta resistência técnicas 
 
Raphael Bulascoschi
Analista de Inteligência de Mercado
Novo governo nos EUA e clima sul-americano estiveram no radar dos investidores. 
  • Fatores baixistas
  • Preocupações com sanções contra aliados estratégicos dos EUA;
  • Preocupações com o novo governo Trump nos EUA, que pode impactar política de biocombustíveis e ritmo de exportações do país.
  • Fatores altistas
  • Dólar se enfraquece nos primeiros dias de Trump;
  • Cortes produtivos nos EUA, levando a uma revisão nos estoques finais do país;
  • Clima sul-americano menos favorável.

Síntese semanal | Os futuros do milho avançaram em Chicago, com o vencimento de março/25 encerrando a semana negociado a US¢486,50/bu (+0,5%). As commodities foram ajudadas por um movimento de enfraquecimento do dólar. Além disso, pressões do lado da oferta, motivadas principalmente pelo clima adverso na Argentina, também seguiram oferecendo suportes. Ainda assim, os futuros do milho enfrentam forte resistência no patamar dos US¢500/bu, o que fez o mercado devolver parte dos ganhos no encerramento da semana. 

Intraday (15 min) contrato de março/25 - CBOT

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Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.

Dólar e macroeconomia | A semana foi marcada por uma perda de força global do dólar. Com a chegada de Trump na Casa Branca, no último dia 20, esperava-se que o novo presidente dos EUA já colocasse em prática a política tarifária agressiva proposta na campanha, que chegou a incluir nos planos uma taxa de 60% para produtos chineses. No entanto, o que foi observado a partir dos primeiros momentos do novo governo foi uma postura bem mais cautelosa, focando primeiramente em tarifas a países vizinhos, como México e Canadá.  

O fato ajudou a enfraquecer o “trump-trade”. Dessa forma, o dólar recuou em comparação a outras moedas e o mercado de commodities abriu na terça-feira operando predominantemente no verde, fortalecidos tanto pelo dólar mais fraco – que tende a baratear o preço das commodities norte-americanas – quanto pela perspectiva de que o comércio internacional não estaria tão comprometido nesse novo governo Trump. 

Falando sobre o dólar, nesta semana, teremos uma nova decisão de política monetária nos EUA. A perspectiva quase unânime é de que o FOMC mantenha a taxa de juros no patamar atual. A questão agora será entender como Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, se posicionará acerca da trajetória futura dos juros americanos, com destaque para os dados de inflação que foram divulgados nesse mês de janeiro, bem como às perspectivas de inflação e crescimento sob a nova gestão no governo norte-americano. 

Política estrangeira sob Trump | Conforme já abordado, Trump focou suas primeiras ações nessa nova gestão pressionando países vizinhos, como México e Canadá, que se tornaram os primeiros alvos das tarifas tão comentadas pelo presidente na campanha. 

Chama atenção o foco da política externa do novo governo nas américas. Além das tarifas contra países vizinhos, Trump também já prometeu retaliar movimentos contra deportações em massa que devem acontecer nos EUA nas próximas semanas. Durante os últimos dias, os presidentes dos EUA e da Colômbia se viram em uma disputa após Gustavo Petro se opor em receber os deportados dos EUA. Donald Trump retaliou prometendo tarifas de importação contra produtos colombianos. 

Após o debate acalorado, a situação já parece mais pacífica na manhã dessa segunda-feira, enquanto os países parecem ter encontrado um acordo. Ainda assim, a reflexão originada dessa movimentação recente é de que Trump nesse mandato busca uma política externa muito mais focada nas Américas, o que é reforçado se pensarmos que o presidente escolheu Marco Rubio – congressista de origem cubana e que pautou sua vida política na discussão sobre imigração e relação com países latino-americanos – como Secretário de Estado, cargo mais importante para a política externa no governo americano. 

O fato pode representar uma ameaça à relação dos EUA com dois importantes parceiros comerciais que compram milho norte-americano. México e Colômbia ocupam duas posições entre os quatro maiores importadores de milho dos EUA. O fato de os dois países estarem na mira da política externa do novo governo deverá ser importante de ser acompanhado no mercado do cereal ao longo dos próximos meses. 

 

Intraday (15 min) contrato de março/25 - B3

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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

América do Sul | O clima na América do Sul segue sendo acompanhado nos mercados. Os mapas climáticos na Argentina têm movimentado os preços. Algumas chuvas foram observadas no país ao longo dos últimos dias, mas volume ainda aquém do necessário para entregar boas condições nas lavouras de milho do país. O clima argentino motivou um corte de 1 milhão de toneladas na estimativa de safra de milho da Bolsa de Cereales na semana passada, com a instituição estimando uma colheita de 46 milhões de toneladas para o cereal. 

No Brasil, a pauta é o atraso na colheita da soja no centro-oeste. As preocupações de um milho segunda safra sendo plantado em uma janela menos ideal - o que tende a aumentar os riscos para a safra que concentra a maior parte da produção brasileira de milho no ano – persistem. 

Do lado dos preços, vimos o milho negociado na B3 com forte desvalorização, encerrando a semana negociado a R$75,15/saca (-2,0%). Apesar de preocupações com a oferta sul-americana, o mercado foi fortemente pressionado pelo movimento do dólar, que vem se desvalorizando contra o Real desde alcançar máximas do meio para o fim de dezembro. Nesta semana, veremos mais uma reunião de política monetária no Brasil, onde é esperado um aumento dos juros básicos de 1 p.p., o que ajuda a valorizar a moeda brasileira, penalizando commodities negociadas em Real. 


Tabelas de preços futuros e físicos

 

Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
 

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)

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Fonte: StoneX.

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