FATORES BAIXISTAS
- Expectativa de estoques norte-americanos e mundiais menos apertados em 2021/22;
- Preocupação com novos casos de Covid-19 e lockdowns na China;
- Avanço das negociações entre Rússia e Ucrânia.
FATORES ALTISTAS
- Avanço da vacinação contra a Covid-19;
- Preocupação com safra de grãos na América do Sul;
- Conflito entre Rússia e Ucrânia e expectativa de menor plantio na Ucrânia.
Os futuros do cereal finalizaram o primeiro pregão da semana passada no campo negativo, seguindo as quedas observadas nos mercados de soja e petróleo e previsões climáticas mais favoráveis para o avanço do plantio do milho nos EUA. O contrato com vencimento em julho de 2022 encerrou a sessão da segunda-feira (09) com uma contração de 12,75 cents/bu no comparativo diário.
O USDA divulgou no dia seu relatório semanal de acompanhamento de safra. Segundo dados do Departamento, a semeadura havia atingido 22% até o último dia 8 de maio, um avanço semanal de 8 p. p. No mesmo período de 2021, o plantio havia alcançado 64%, ao passo que a média dos últimos 5 anos é de 50%.
Intraday (15 min) contrato de julho/22 (CBOT)
Na terça-feira (10), os futuros encerraram o dia em leve alta em uma sessão marcada por compras técnicas e pelo posicionamento dos agentes para o relatório de oferta e demanda do USDA. O julho/22 avançou 3,25 cents/bu no comparativo diário.
Na quarta-feira (11), os contratos futuros do milho na CBOT tiveram mais um dia de alta, com os agentes novamente definindo suas posições pré-divulgação do relatório WASDE. O contrato com vencimento em julho de 2022 encerrou o pregão com uma expressiva alta, de 13,25 cents/bu no comparativo diário.
A Administração de Informação de Energia (EIA) relatou que a produção norte-americana de etanol avançou para 991 mil barris por dia (mbpd) na semana encerrada em 6 de junho, crescimento de 22 mbpd no comparativo semanal. Já os estoques do biocombustível avançaram para 23,14 milhões de barris, aumento de 253 mil barris em relação à semana anterior.
Na quinta-feira (12), em meio à tão esperada divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, que trouxe os primeiros números para a safra 2022/23 de grãos, os preços do cereal fecharam em leve alta na CBOT, com o julho/22 encerrando o pregão com uma valorização de 3 cents/bu.
Em relação à safra 2021/22 dos EUA, não houve alterações. Para o ciclo 22/23 dos EUA, o Departamento trouxe uma produção de 367,3 milhões de toneladas, 4,3% a menos que o estimado no ano anterior, resultado da expectativa de uma menor área plantada em relação ao ano passado. Em meio à menor oferta, o USDA espera também reduções na demanda pelo milho norte-americano. O consumo doméstico foi estimado em 309 milhões de toneladas, recuo de 2,2% em comparação com a safra anterior, enquanto as exportações foram reduzidas para 61 milhões de toneladas, uma contração de 4% no comparativo anual. Mesmo com o racionamento do consumo, o Departamento estima um recuo nos estoques finais dos EUA, para 34,5 milhões de toneladas, volume 5,6% menor que o estimado para 2021/22.
No que tange os demais países, também não houve grandes mudanças nos números referentes à safra 2021/22. Em relação à safra 2022/23, os principais destaques foram a estimativa de produção do Brasil, que ficou em 126 milhões de toneladas, 10 milhões a mais que o número estimado para a safra atual, e de produção da Ucrânia, que ficou em 19,5 milhões de toneladas, contra 42,1 milhões em 21/22, refletindo a preocupação com os impactos da guerra sobre a safra do país.
A Equipe de Inteligência de Mercado da StoneX fez uma matéria especial abordando com mais detalhes os números do USDA para as novas safras de milho, soja, algodão, trigo e óleos vegetais. Clique aqui para acessar o material completo.
Também na quinta-feira, a Conab divulgou sua relatório mensal de estimativa de safra. Para a primeira safra de milho, a Companhia reduziu a produção em cerca de 210 mil toneladas, 24,7 milhões. Já a segunda safra recebeu um corte de 850 mil toneladas, para 87,7 milhões de toneladas. Por outro lado, a estimativa de produção da terceira safra foi elevada, de 2,18 para 2,22 milhões de toneladas. Com isso, a produção total 2021/22 foi estimada em 114,6 milhões de toneladas, cerca de 1 milhão de toneladas abaixo do último relatório. Clique aqui para a acessar o relatório completo.
O USDA informou que as vendas líquidas referentes à safra 2021/22 totalizaram 192,7 mil toneladas na semana encerrada em 5 de maio, 589,8 mil toneladas a menos que o observado na semana anterior, mas 306,1 mil acima do registrado na semana equivalente de 2021. O volume ficou abaixo da faixa esperada pelo mercado, que variava entre 350 mil e 700 mil toneladas. Os compromissos de todos os destinos avançaram para 58,5 milhões de toneladas, contra 67,7 milhões no mesmo período do ano passado.
Na sexta-feira (13), os futuros do cereal voltaram a recuar em Chicago. O julho/22 acumulou uma desvalorização de 10,25 cents/bu no comparativo diário. Com isso, o contrato em questão encerrou a semana cotado a 781,25 cents/bu, registrando uma contração de 3,5 cents/bu, ou 0,4%, no período.
Ao longo da próxima semana ainda será importante continuar acompanhando o conflito entre Rússia e Ucrânia e os casos de Covid-19 na China, já que são fatores que seguem com potencial para alterar o balanço de oferta e demanda mundial dos grãos.
Nos EUA, o clima e o ritmo de plantio nas próximas semanas serão fundamentais, já que caso o país não consiga aumentar o ritmo da semeadura e continue com um significativo atraso, é bem provável que a safra norte-americana apresente alguma perda de potencial produtivo.
PREÇOS FÍSICOS (R$/sc 60kg)