FATORES BAIXISTAS
- Recuperação mais lenta que o esperado da economia chinesa;
- Apreensão sobre recessão global;
- Redução do receio relacionado ao clima nas regiões central e oeste do cinturão dos EUA.
FATORES ALTISTAS
- Restrição na oferta de cereais em função do conflito no Mar Negro;
- Clima mais seco na região leste do cinturão dos EUA.
Em função do feriado do Fim da Escravidão nos EUA na segunda-feira (20), o primeiro pregão da semana anterior em Chicago ocorreu na terça-feira (21). Na abertura da semana, os futuros do milho apresentaram fortes quedas, seguindo a tendência de baixa observada no mercado dos demais grãos e no mercado financeiro como um todo. No dia, previsões de um clima mais favorável para o desenvolvimento do cereal nos EUA contribuíram para as contrações observadas. Além disso, a crescente preocupação com uma recessão também influenciou muito na precificação dos grãos em Chicago. O contrato com vencimento em julho deste ano finalizou a sessão com uma contração de 23,75 cents/bu no comparativo diário.
Segundo dados do USDA, os EUA exportaram 1,2 milhão de toneladas de milho na semana encerrada em 16 de junho, em linha com o volume embarcado na semana anterior, mas 591 mil toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. As exportações acumuladas totalizaram 46,16 milhões de toneladas, 9,83 milhões a menos que o registrado na mesma época da temporada anterior.
Ao final do dia, o USDA divulgou seu relatório semanal de acompanhamento de safra. Segundo dados do Departamento, 70% das lavouras norte-americanas se encontravam em condição boa ou excelente no dia 19 de junho, 2 p. p. a menos que uma semana antes e em linha com o esperado pelo mercado, já que foi registrado um clima mais seco que o normal na semana encerrada em 17 de junho. No mesmo período de 2021, 65% da safra se encontrava em condição boa ou excelente.
Intraday (15 min) contrato de julho/22 (CBOT)
Na quarta-feira (22), o mercado do cereal apresentou movimentos mistos em Chicago. Ao passo que o contrato mais próximo do milho finalizou mais um pregão no campo postivo, acumulando uma alta de 7,25 cents/bu no intradia, os contratos mais distantes recuaram. Previsões de um clima mais quente e seco para o Meio-Oeste dos EUA contribuíram para a sustentação dos preços do grão.
Na quinta-feira (23), os contratos do cereal registraram mais um dia de quedas generalizadas. Novamente, previsões climáticas mais favoráveis para a safra norte-americana e questões macroeconômicas pressionaram as cotações do grão. O julho/22 do milho acumulou uma queda de 21,25 cents/bu no intradia. Além disso, o grão tem sido afetado também pela baixa da soja, que por sua vez tem refletido as contrações observadas no mercados dos seus derivados.
A Indonésia tem voltado a permitir a exportação do óleo de palma, o que vem pressionando a cotação dos óleos vegetais como um todo e, por consequência, afetando também os preços da soja. Outro ponto importante a ser comentado é que a recuperação da atividade econômica chinesa tem ocorrido lentamente, levantando questionamentos sobre a demanda do país por grãos, em especial pela soja, visto que nas últimas semanas foi relatado um aumento dos estoques de farelo de soja no país.
Vendas semanais de exportação 2021/22 – EUA
Na sexta-feira (24), os futuros do cereal voltaram a avançar em Chicago, em um típico movimento de compras técnicas, com os agentes aproveitando as fortes quedas registradas recentemente. O julho/22 acumulou uma valorização de 3,5 cents/bu no comparativo diário. Com isso, o contrato em questão encerrou a semana cotado a 750,25 cents/bu, registrando uma desvalorização de 34,25 cents/bu no período, ou 4,4%.
O USDA informou que as vendas líquidas referentes à safra 2021/22 totalizaram 671,9 mil toneladas na semana encerrada em 16 de junho, 531 mil toneladas a mais que o observado na semana anterior e 4556 mil acima do registrado na semana equivalente de 2021. O volume ficou acima da faixa esperada pelo mercado, que variava entre 300 mil e 600 mil toneladas, o que, mesmo assim, não foi suficiente para compensar os fundamentos baixistas. Os compromissos de todos os destinos avançaram para 60,3 milhões de toneladas, contra 69,5 milhões no mesmo período do ano passado.
Na próxima semana, fundamentos macroeconômicos continuarão no radar dos agentes. A preocupação com a inflação é algo observado em todo o globo e muitos países têm adotado políticas visando combater o avanço dos preços, como o aumento da taxa de juros. E essa elevação da taxa de juros está intimamente ligada à crescente preocupação com uma recessão, já que poderia desestimular o crescimento da atividade econômica e, por tabela, impactar negativamente o consumo de grãos. Além disso, o aumento da taxa de juros também estimula a fuga de capital de ativos mais arriscados, como os futuros das commodities, para outros mais seguros, como títulos públicos.
À medida que as lavouras de grãos entram em importantes fases de desenvolvimento, o clima será um ponto crucial para a precificação do milho nas próximas semanas.
Na próxima quinta-feira, 30 de junho, será divulgado o relatório de estoques trimestrais e área plantada dos EUA. A média das estimativas do mercado aponta para uma área plantada final de 36,4 milhões de hectares de milho nos EUA, contra os 36,2 milhões de hectares trazido em março, ao passo que os agentes esperam, uma área plantada de soja de 36,6 milhões de hectares, contra o último número de 36,8 milhões. Caso essas alterações se concretizem, e mantendo o último rendimento estimado pelo USDA, não haveria uma mudança tão radical no balanço de O&D dos EUA.
Na próxima sexta-feira, 1º de julho, a StoneX irá divulgar a atualização das suas estimativas para a safra brasileira de grãos. No início de junho, a StoneX estimava a produção da safra 2021/22 de soja em 124,4 milhões de toneladas e a de milho em 116,8 milhões.
PREÇOS FÍSICOS (R$/sc 60kg)