Síntese semanal | Os futuros do milho tiveram mais uma semana de recuo em Chicago. O dezembro/25 terminou a semana negociado a US¢419,00/bu, menor valor da história deste contrato. O mercado continua repercutindo o bom desenvolvimento da safra norte-americana. Rumores esparsos sugerem frustração com a produtividade das lavouras de algumas localidades, mas no geral devemos ver uma excelente safra vinda do maior produtor do mundo neste ano. Dados de gado em engorda dos Estados Unidos também sugeriram um consumo menor de rações neste ano, o que pode sinalizar para uma revisão para baixo nas estimativas de consumo de milho pelos EUA.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Mercado exportador global | O mês de julho costuma marcar o início de uma alta sazonal das exportações brasileiras de milho, que tradicionalmente se intensificam ao longo do segundo semestre. Em 2025, no entanto, esse movimento tem se mostrado mais contido. Apesar de uma produção robusta, o ritmo de comercialização interna segue lento, o que tem contribuído para a sustentação dos preços domésticos. Além disso, atrasos pontuais na colheita e a resiliência do consumo interno, com destaque para o crescimento do setor de etanol de milho, ajudam a explicar a menor participação das exportações neste momento.
Nos Estados Unidos, o cenário é distinto. As exportações seguem firmes, contrariando o padrão sazonal de desaceleração. Na última semana, foram registradas vendas de 1,9 milhão de toneladas para a safra 2025/26, enquanto os embarques alcançaram 1,5 milhão de toneladas na semana. O milho norte-americano tem se beneficiado de preços mais competitivos frente a um balanço de oferta e demanda relativamente folgado, o que sustenta sua maior participação nos mercados internacionais. Diante desse desempenho, não se descarta a possibilidade de novas revisões altistas para as exportações na temporada 2024/25.
Na Argentina, o governo anunciou recentemente a redução das retenciones sobre o milho (de 12% para 9,5%), em mais uma sinalização de estímulo às exportações. A medida, implementada na semana retrasada, pode melhorar a competitividade do produto argentino no curto prazo, em especial considerando a recuperação da safra após os impactos severos do último ciclo climático.
Em síntese, o mercado exportador se mantém acirrado. Com exceção da Ucrânia, as três principais origens (Argentina, Brasil e Estados Unidos) devem se manter competitivos. Nos EUA e no Brasil, produções robustas garantem uma posição mais vantajosa no mercado exportador, embora os EUA estejam surfando essa onda de maneira mais favorável, uma vez que os preços brasileiros ainda oferecem maior resistência. Já na Argentina, o incentivo às exportações, para além do balanço, vem na forma de uma redução nos impostos de exportação, tornando o milho do país mais atrativo na visão dos importadores.
Posição dos fundos especulativos | Na semana passada, os fundos seguiram expandindo seu posicionamento vendido no mercado de milho. O cenário de balanço folgado continua justificando, na visão desses agentes, um tom baixista para o cereal. Problemas pontuais na safra têm sido atribuídos a excesso de chuvas. Nesse ponto, as teses de que esses problemas pontuais representem problemas de grande envergadura na safra norte-americana não tem se refletido nas posições dos agentes de mercado.