Síntese semanal | Os futuros do milho observaram mais uma semana de recuo. Na semana passada, o contrato dezembro/25 negociado em Chicago viu uma queda de 1,3% para fechar negociado a US¢405,50/bu, após testar resistências abaixo do patamar dos US¢400/bu. A essa altura, o mercado norte-americano vê poucos fundamentos para a alta. Os altos níveis de exportação de milho pelos Estados Unidos fazem pouco efeito na dinâmica baixista que vem dominando as negociações em Chicago já há alguns meses. A verdade é que qualquer reação do lado da demanda fará pouco frente ao alto nível produtivo que é esperado para a safra norte-americana.
Nesta semana, o mercado de commodities tem reagido a declarações do presidente Donald Trump de que a China poderia quadruplicar suas compras de soja dos EUA. O fato não se baseia em nenhum acordo bilateral e, na verdade, parece pouco plausível no momento. De qualquer forma, o fato de que Trump tem levado em consideração o setor agrícola americano nas negociações comerciais com a China já é um aceno importante, contribuindo para o tom altista da declaração.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Exportações | Faltando três semanas para o encerramento do ano-safra de milho, as exportações de milho dos Estados Unidos já estão praticamente parelhas com o estimado atualmente pelo USDA. Dessa forma, as expectativas são de que o departamento revise, em seu relatório mensal que será publicado amanhã, para cima as estimativas de embarques do país. O mercado exportador foi o grande destaque deste ano-safra, que contou com o maior volume embarcado pelos EUA na história.
Além da robusta safra norte-americana, tanto no ano passado quanto neste, fatores como um milho mais caro em outras origens, como Brasil e Ucrânia, têm tornado o milho norte-americano praticamente uma unanimidade entre os importadores, como Japão, Coreia do Sul, Espanha e especialmente o México, que tem importado volumes recordes nos últimos meses.
Daqui para frente, as dúvidas pesam com relação à possibilidade de o Brasil voltar a se tornar competitivo após o avanço da colheita da safrinha de milho. A safrinha que vemos neste ano é robusta e deve sustentar os níveis de embarques acima do que foi visto no ano passado. Ainda assim, os preços domésticos têm se mantido em níveis relativamente altos, fator que não é ajudado pelo real brasileiro, que apresenta uma dinâmica de valorização em relação ao dólar desde o começo do ano, criando alguma incerteza com relação à atratividade do milho brasileiro nos principais destinos.
Safra – EUA | 73% das lavouras de milho dos Estados Unidos são avaliadas em condições boas/excelentes. Neste estágio, a safra robusta já deixa o terreno das perspectivas e torna-se uma realidade cada vez mais concreta. A maior parte das lavouras já polinizou e agora entra-se na fase final de desenvolvimento dos milharais.
Nas próximas semanas, o mercado acompanhará uma série de pesquisas de campo que farão levantamentos de produtividade nas principais regiões produtoras, o que entregará perspectivas mais claras acerca da produtividade. Na semana passada, vimos os resultados da primeira estimativa de safra da divisão americana da StoneX, que apontou para uma produtividade de 11,81 ton/ha, o que configuraria uma safra recorde de 414,62 milhões de toneladas para os Estados Unidos.
Algumas estimativas apontam que o USDA pode já fazer uma revisão para a produtividade americana em sua estimativa de amanhã. De qualquer forma, é praticamente uma unanimidade que a atual estimativa (a do relatório de julho) está abaixo do que realmente será concretizado após a colheita.