
CBOT recua com correção em semana marcada por incertezas; Argentina zera retenciones
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Comercialização brasileira lenta e consumo doméstico aquecido.
- Bearish
- Encerramento da colheita do milho safrinha no Brasil;
- Safra recorde nos Estados Unidos;
- Fim das retenciones argentinas, tornando o mercado global mais competitivo.
CBOT | Os futuros do milho voltaram a recuar na semana passada. O patamar de US¢430/bu parece entregar alguma resistência para os futuros do milho, sendo testada entre a terça e a quarta-feira. Com isso, os futuros do milho encerraram a semana negociados a US¢424,00/bu (-1,4%).
As condições da safra americana se mostraram melhores do que o esperado pelos analistas na semana passada; ainda assim, recuaram 6% nas últimas seis semanas. Fato é que a safra tem apresentado algum grau de deterioração na reta final do desenvolvimento. Uma vez que isso é um fato, cabe ao mercado tentar compreender de que forma isso impactará a produção americana e qual será o tamanho do excedente nesta safra. Até o momento, as apostas seguem apontando para uma produção recorde, o que consolidará os estoques em altos níveis, limitando assim o potencial de altas mais significativas no curto-prazo.
Pensando na demanda, o mercado acompanha as decisões na política de biocombustíveis nos Estados Unidos. A Agência de Proteção Ambiental receberá comentários públicos acerca da realocação da isenção de metas de combustíveis renováveis no país, mas deixou em aberto qual seria a porcentagem dessa meta realocada, bem como sinalizou à possibilidade de acatar propostas intermediárias. A não realocação seria baixista para os RINs no mercado americano, o que desincentivaria a produção de biocombustíveis, como o etanol. Enquanto a agência não anuncia uma decisão, que só deve surgir em novembro, o mercado especula com certa ansiedade sobre o futuro dos biocombustíveis no país. Na semana passada, a StoneX publicou uma matéria especial sobre tema, que pode ser acessada clicando aqui.
No mercado exportador, ainda temos visto os Estados Unidos como uma origem barata de milho, fato que tem ganhado força com o enfraquecimento do dólar nas últimas semanas. Ainda assim, a Argentina será um ponto de atenção daqui para frente. Além disso, como já é esperado nessa época do ano, uma preocupação logística emerge nos Estados Unidos, uma vez que há a expectativa de que os níveis do rio Mississippi possam atingir volumes baixos até o final do mês. O fato, se concretizado, afetará a navegação nessa rota e encarecerá o frete, o que tem potencial de ser muito negativo para as exportações americanas, que é o grande eixo dinâmico do balanço americano de milho dos últimos meses.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Argentina | Na semana passada, pudemos ver negócios sendo feitos nos portos argentinos, muito amparados por um milho mais competitivo no país. Os preços FOB do milho na Argentina são os menores dentre as principais origens do cereal no mundo até o final do ano – sendo inclusive mais competitivos do que o preço FOB praticado nos portos americanos do Golfo.
Esse fato chama ainda mais atenção se levada em consideração a notícia, da manhã desta segunda-feira (22), de que o governo argentino zerará as tarifas de exportação de grãos até o dia 31 de outubro. A medida visa o acumulo de divisas internacionais em um momento de forte enfraquecimento do peso, frente a dados econômicos mais fracos e uma vitória da oposição nas eleições provinciais de Buenos Aires, o que pode ser um indício de enfraquecimento da popularidade de Milei – e, portanto, de sua política econômica pró-mercado. A medida tenderá a acelerar a comercialização de grãos pelos produtores argentinos, criando um cenário de pressão para os preços internacionais nas próximas semanas.
Intraday (15 min) contrato de set/25 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Brasil | No Brasil, os preços do milho também se enfraqueceram. Além da pressão nos mercados internacionais, um enfraquecimento do dólar também pesou nas cotações de milho brasileiro. As exportações continuam aquém do seu potencial e o mercado ainda trata com certo grau de incerteza o desempenho dos embarques até o ano que vem. Enquanto isso, o mercado doméstico segue bastante forte na demanda por milho para etanol. A expectativa é de que seis novas usinas de etanol entrem em operação ainda neste ano, além de diversas outras no primeiro semestre do ano que vem, antes da colheita da safrinha 2025/26.
Dólar | Na semana passada, observou-se uma substantiva valorização do real em relação ao dólar, reforçando o movimento que tem sido observado desde o início do ano. A ampliação do diferencial de juros após as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil foi o principal fator por trás desse movimento. Mas, para além disso, tem-se observado um influxo de capitais estrangeiros em ativos brasileiros conforme os agentes antecipam um possível rali eleitoral a partir do ano que vem. O real mais caro é negativo para os exportadores e, em um momento de preços de milho já altos nos portos, podemos ver um interesse ainda menor de alguns destinos pelo milho brasileiro no curto prazo.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)


Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
