
Milho termina semana em alta carregado por ganhos na soja após indicativo de acordo EUA-China
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Melhoria na relação EUA-China.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Safra potencialmente recorde nos Estados Unidos;
- Estoques maiores nos Estados Unidos.
CBOT
Os futuros do milho em Chicago apresentaram um fechamento positivo na semana passada, com o dezembro/25 encerrando a sexta-feira negociado a US¢431,50/bu (+1,9%). O mercado de milho em Chicago foi carregado por outras commodities, como a soja, que foi amplamente beneficiada pelas tratativas comerciais entre Estados Unidos e China após o encontro de Donald Trump com Xi Jinping na última quinta-feira, na Coréia do Sul. Pelas informações que saíram da reunião pela boca do secretário do tesouro dos EUA, Scott Bessant, a China se comprometeu em comprar 12 milhões de toneladas de soja americana neste ano-safra e mais 25 milhões anualmente pelos próximos 3 anos. O mercado de grãos americano se animou com essa perspectiva, uma vez que significaria um balanço menos folgado do que era antecipado frente à ausência completa da China do mercado americano.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Com a colheita se encaminhando para o final, o mercado americano passa cada vez mais a ponderar as perspectivas para a safra 2026/27. Fato é que vimos um incremento substancial de área plantada de milho neste ano, o que pode resultar em um recuo no ano que vem. Assim, o ganho de força dos preços da soja nos últimos dias fortalece essa tese de recuo de área do cereal, o que pode sugerir maiores riscos para o balanço americano no ano que vem. De qualquer forma, a primavera no hemisfério norte ainda está distante; sendo assim, muito tem de acontecer até que esses fatos se concretizem.
Nesta semana, o foco do mercado americano estará nas possibilidades de democratas e republicanos encontrarem uma solução para a paralisação do governo americano que já dura mais de um mês. O “shutdown” tem feito o mercado operar no escuro por boa parte das últimas semanas, tendo sido responsável pela falta de um WASDE no mês de outubro. De qualquer forma, com ou sem solução no congresso americano, o USDA já confirmou que o WASDE de novembro, que será publicado no próximo dia 14.
Brasil
Os futuros na B3 encerraram a semana em alta, seguindo Chicago. O vencimento de novembro/25 encerrou a sexta-feira negociado a R$68,04/saca (+1,3%).
Nesta manhã, a StoneX publicou a sua tradicional estimativa da safra de grãos no Brasil. O relatório de novembro trouxe as primeiras perspectivas para a safrinha de milho do ano que vem, bem como uma perspectiva para o balanço brasileiro de milho em 2025/26. É esperado um incremento de área plantada na safrinha de cerca de 230 mil hectares, o que deve contribuir para entregar um potencial de colheita de 107 milhões de toneladas. Dessa forma, o total de milho brasileiro produzido no ano que vem deverá estar na casa das 135,2 milhões de toneladas.
Para o balanço da safra 2024/25, com uma redução na estimativa de exportações e uma revisão de safras anteriores, o Brasil deve entrar na safra 2025/26 com uma disponibilidade de 18,8 milhões de toneladas, volume significativo.
Intraday (15 min) contrato de nov/25 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Câmbio
A taxa de câmbio USDBRL encerrou a semana relativamente estável, após operar em baixa por boa parte do período.
Em primeiro lugar, a reunião de Lula com Donald Trump no último domingo (26) foi, ao que tudo indica, bastante construtivo no sentido de resolver o imbróglio tarifário que acontece há alguns meses. O fato ajudou a dar suporte para os ativos brasileiros na abertura da semana, mesmo diante da pouca clareza, por ora, acerca de um possível acordo comercial, que segue sendo discutido.
Além disso, contribuiu a decisão de política monetária nos Estados Unidos, que resultou em mais um corte de 25 pontos-base na taxa de juros do país, ampliando o diferencial de juros entre os países, o que tende a ser positivo para moedas emergentes. No entanto, as declarações posteriores do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) está dividido com relação à possibilidade de um novo corte de juros em dezembro foram fator de suporte para a divisa americana. O mercado já tomava como praticamente certo esse novo corte e o aumento da incerteza com relação à decisão contribuiu em ampliar o sentimento de aversão ao risco globalmente.
Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (FOMC) do Banco Central brasileiro se reunirá, devendo manter a taxa de juros em 15%. Dessa forma, o mercado estará atento a declarações posteriores por parte das autoridades monetárias com relação ao caminho dos juros nos próximos meses. O contexto é de uma desaceleração da inflação – embora ela ainda se mantenha acima da meta –, o que contribui em pressionar o comitê para sinalizar um início de ciclo de cortes de juros nos próximos meses.
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Especial | China
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O mercado de milho na China tem sido fortemente influenciado por condições climáticas adversas durante a colheita nas Planícies do Norte, uma das principais regiões produtoras do país. Chuvas persistentes causaram excesso de umidade nos campos, atrasando a colheita e prejudicando a qualidade dos grãos. Consultorias locais estimam que entre 12 e 13 milhões de toneladas de milho possam ter sido danificadas por esse fator.
Ainda assim, o clima mais seco nos últimos dias ajudou a reduzir os temores de perdas maiores. Além disso, o avanço da colheita sob melhores condições climáticas e o início de um padrão de tempo mais estável têm contribuído para aliviar a pressão sobre as lavouras.
Paralelamente, o atraso no plantio do trigo de inverno elevou os preços do cereal no mercado doméstico chinês, reduzindo sua atratividade no uso em rações e devolvendo espaço ao milho como principal grão para alimentação animal.
Ao mesmo tempo, o abate de suínos na China cresceu no terceiro trimestre. O movimento foi reflexo de um contexto de margens bastante apertadas para os pecuaristas do país. Dessa forma, uma diminuição do rebanho de suínos pode ajudar a equilibrar parcialmente o balanço de grãos no país.
Olhando à frente, o balanço de milho na China tende a permanecer mais ajustado, mas sem sinais imediatos de escassez. A combinação entre uma safra volumosa no Nordeste, que deve compensar as perdas no Norte, e uma demanda um pouco mais contida pelo menor rebanho de suínos cria um quadro de relativo equilíbrio para os próximos meses. Para as importações, o USDA estima que o país deva importar 10 milhões de toneladas neste ano-safra. Ainda assim, consultorias locais sugerem que esse número deva estar entre 3 e 6 milhões de toneladas. Com as perdas em lavouras localizadas, podemos ver esse número crescer; ainda assim, a estimativa do USDA parece estar otimista pelo cenário atual.
Fonte: StoneX.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
