
WASDE é baixista para o milho, mas Chicago fecha semana em leve alta
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Produção de etanol fortalecida nos EUA;
- Melhoria na relação EUA-China.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Safra potencialmente recorde nos Estados Unidos;
- Estoques maiores nos Estados Unidos.
CBOT
Os futuros do milho encerraram a semana em leve alta, com o dezembro/25 sendo negociado a US¢430,25/bu (+0,7%). O principal fator de alta para as cotações foi um otimismo generalizado nos ativos negociados globalmente com o fim da paralisação do governo americano, que durou 43 dias, sendo o mais longo da história.
No entanto, um WASDE bastante baixista, publicado na sexta-feira, pesou sobre as cotações, puxando o dezembro/25 para o suporte de US¢430/bu. Olhando para os Estados Unidos, vimos um ajuste positivo na área plantada da safra 2024/25, o que elevou a produção para 378,4 milhões de toneladas (600 mil a mais do que a estimativa de setembro). Além disso, conforme já era antecipado em função do relatório trimestral de estoques, publicado no final de setembro, o consumo doméstico foi revisado para baixo em quase 5 milhões de toneladas. Essas revisões positivas para a produção e negativa para o consumo elevaram os estoques finais para 38,9 milhões de toneladas. Tudo isso já era, de certa forma, esperado, não sendo, portanto, o principal fator de pressão sobre o mercado.
A grande ansiedade dos agentes se relacionava às perspectivas para a produtividade 2025/26. Muitos esperavam que o número seria naturalmente revisado para baixo, mas a magnitude desse corte ainda era incerta. Após a divulgação do relatório, a redução do rendimento nacional médio dos EUA foi considerada branda, ficando em 11,67 ton/ha (contra 11,72 ton/ha em setembro). O número, que é, aliás, o mesmo da última estimativa da StoneX, continua entregando uma produção excepcional, o que reforça o cenário de balanço folgado.
Do lado da demanda, vimos uma revisão das exportações americana para 78,1 milhões de toneladas, o que é um volume robusto. Ainda assim, o número de consumo doméstico se manteve inalterado, o que é uma grande interrogação daqui para frente. Ora, um dos motivos da atividade aquecida do mercado exportador americano é justamente o fechamento da fronteira para o gado mexicano, o que significa que os animais do vizinho ao sul dos Estados Unidos devem ser alimentados lá, e não mais nos confinamentos americanos. Esse fator é baixista para o consumo doméstico de milho para a alimentação animal. Dessa forma, surpreende o departamento não ter feito ainda uma revisão para baixo nesse número de demanda doméstica.
Globalmente, destaca-se uma revisão positiva para o consumo em diversos países, como Brasil, Argentina e Ucrânia. Esse fato foi importante pois pressionou a relação estoque/uso para 21,7%, menor valor da última década. O consumo global aquecido é um fator de atenção, podendo operar como uma força altista olhando para 2026.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Brasil
Os preços domésticos de milho no Brasil fecharam em estabilidade após uma semana pouco volátil. O janeiro/26 encerrou a sexta-feira negociado a R$70,95/saca (-0,1%). A primeira safra brasileira se desenvolve relativamente bem no sul do país, embora tenhamos observado regiões em que o desenvolvimento das lavouras deve ser afetado pela precipitação excessiva nas últimas semanas.
Para além disso, houve poucas novidades no campo dos fundamentos. O real brasileiro seguiu se fortalecendo e as exportações seguiram mais lentas no início de novembro.
Intraday (15 min) contrato de jan/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
