
Milho cai enquanto mercado aguarda WASDE; no Brasil, saldo da semana é positivo
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações seguem fortalecidas nos Estados Unidos;
- Produção de etanol fortalecida nos EUA;
- Perspectivas de menor área plantada nos EUA em 2026;
- Risco climático no Brasil.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Safra robusta nos Estados Unidos;
- Estoques finais maiores nos Estados Unidos.
CBOT
Na primeira semana de dezembro, os futuros do milho em Chicago recuaram ligeiramente, com o março/26 encerrando o período a US¢444,75/bu (-0,7%).
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
O patamar dos US¢450/bu tem se mostrado uma resistência importante para o contrato, que tangenciou essa resistência quatro vezes desde o início de novembro, sempre recuando logo em seguida. O contrato fechou acima desse patamar apenas uma vez nesse período, no dia 13/nov, quando existia a expectativa de que o WASDE de novembro (publicado no dia 14/nov) reportaria um aperto do balanço americano de milho. Como o resultado não veio, o mercado recuou em seguida.
Como entramos em mais uma semana de WASDE, o mercado volta mais uma vez suas atenções ao relatório. É sabido que raramente o USDA faz revisões de monta no relatório de dezembro. Ainda assim, no final das contas o mercado espera uma revisão negativa para a oferta americana, independente se isso virá em dezembro ou janeiro (que é quando as revisões de maior peso são publicadas).
De qualquer forma, um consumo doméstico mais pressionado nos EUA agirá como uma força contrária ao possível corte na oferta, entregando bastante incerteza no mercado, que opera com bastante cautela às vésperas do relatório. O mercado exportador dos EUA segue ativo, existindo espaço para novas revisões para cima, embora tenhamos visto agentes mais cautelosos com essa possibilidade nos últimos tempos. De qualquer forma, o fato é que a tendência é uma consolidação maior dos EUA no comércio internacional, frente à maior ausência do Brasil.
Falando no país sul-americano, o mercado espera uma revisão para cima na produção doméstica, frente a um bom desenvolvimento do milho de primeira safra. Ainda assim, acreditamos que devemos ter cautela com a oferta brasileira na safra 2025/26, conforme os riscos para o milho safrinha têm crescido levemente frente a atrasos pontuais no ciclo da soja em algumas localidades no centro-oeste brasileiro.
Um ponto de atenção será também a China. O país pode ter sua safra levemente revista para baixo frente a um clima chuvoso no período de colheita da safra de milho no país. De qualquer forma, dificilmente veremos um número de importação para o país muito maior que as 8 milhões de toneladas estimadas no últimos WASDE, uma vez que autoridades locais tratam de um número mais próximo das 6 milhões de toneladas.
Brasil
Os futuros de milho no Brasil apresentaram um movimento em direção contrária a Chicago ao longo da semana passada. O março/26 negociado na B3 encerrou o período negociado a R$75,91/saca (+1,3%). Os preços físicos também apresentaram trajetória de alta, com um possível movimento de formação de estoques para a passagem do ano.
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Como já comentado, apesar de um desenvolvimento relativamente saudável do milho de primeira safra, algumas preocupações com a segunda safra, no ano que vem, pode estar estimulando uma atividade compradora no mercado doméstico, fato que continuará sendo acompanhado de perto.
Outro fator que deu suporte para o milho brasileiro na semana foi uma desvalorização forte do real frente ao dólar, com o dólar marcado R$ 5,43 na sexta-feira (+1,9%). O ex-presidente, Jair Bolsonaro, indicou seu filho, Flávio Bolsonaro, para representar seu grupo político nas eleições presidenciais no ano que vem. A indicação desagradou o mercado, que depositava maiores esperanças no nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas para representar Bolsonaro nas próximas eleições, o que ajudou a liderar um sentimento de aversão ao risco no mercado doméstico. Nesta semana, ainda veremos decisões de juros nos EUA e no Brasil, o que pode seguir entregando elevada volatilidade para a taxa de câmbio.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
