
Milho aponta perdas após WASDE altista; mercado aguarda números finais no relatório de janeiro
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações seguem fortalecidas nos Estados Unidos;
- Perspectivas de menor área plantada nos EUA em 2026;
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Estoques finais maiores nos Estados Unidos.
CBOT
Ao longo da semana passada, o contrato de milho com vencimento em março/26 na CBOT acumulou perdas, encerrando a semana a US¢440,75/bu (-0,9%).
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
O grande destaque da semana foi a publicação de novas Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda (WASDE), pelo USDA, na terça-feira. Comumente, o relatório de dezembro reporta poucas mudanças nos números globais de oferta e demanda. E dessa vez não foi diferente.
Olhando para a safra americana, o grande destaque ficou para as exportações de milho do país, que foram revistas positivamente, ficando em 81,3 milhões de toneladas, patamar recorde e 3,2 milhões de toneladas acima do que era estimado em novembro. Essa atualização não foi uma grande novidade, uma vez que acompanhamos já há algumas semanas que o ritmo de vendas e embarques de milho americano estão bastante aquecidos.
A divulgação do próximo WASDE, em 12 de janeiro, será acompanhada pelo relatório trimestral de estoques nos EUA. Esse relatório, junto de pesquisas de campo realizadas pelo departamento, tende a fazer com que a revisão de janeiro seja um número bem mais preciso com relação tanto ao tamanho da safra do ponto de vista de oferta quanto da demanda. Os sinais do que aconteceu de setembro até agora apontam para números reais menores do que os estimados por enquanto pelo USDA tanto para produção quanto para o consumo.
Olhando globalmente, destaca-se um corte de 3 milhões de toneladas para a safra ucraniana – que enfrentou um clima mais adverso em alguns momentos –, levando a exportações menores. Esse corte de oferta de milho ucraniano no mercado internacional foi compensado por um corte de 1 milhão de toneladas nas importações de milho da União Europeia.
Olhando para a China, o WASDE manteve o número de produção em 295 milhões de toneladas, abaixo das 301,7 milhões de toneladas estimadas pelo governo chinês. O USDA mantém as estimativas de importações de 8 milhões de toneladas neste ano safra, enquanto a China se mantém menos otimista, esperando 6 milhões de toneladas importadas. Esse descasamento pode resultar em uma revisão de fluxos internacionais de milho no WASDE de janeiro. A China compra milho principalmente de Brasil e Ucrânia. Dessa forma, revisões para suas importações podem resultar em revisões para as estimativas de exportações desses países.
Brasil
No Brasil, os futuros do milho também recuaram, com o março/26 marcando R$72,00/saca (-1,9%) no encerramento da semana na B3.
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
O movimento se relaciona a um recuo técnico após sequência de altas nas últimas semanas. Além disso, conforme nos aproximamos do ano novo, o mercado passa a operar com menor liquidez.
Do ponto de vista das safras, não há grandes novidades. O retorno das chuvas no centro-oeste aumenta a esperança de um ciclo normal para a soja na maior parte das regiões, o que é positivo para as perspectivas de volume da safrinha. Ainda assim, há muito para acontecer ainda nas próximas semanas.
O mercado segue bastante atento também ao câmbio, uma vez que se observa uma desvalorização do real nas últimas semanas enquanto o mercado especula acerca do ciclo eleitoral do ano que vem. De qualquer forma, a ampliação do diferencial de juros continua a ser um fator ancorando a moeda brasileira.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
