
Milho despenca com WASDE; atenção do mercado se volta para as perspectivas para a safra de 2026
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- Exportações seguem fortalecidas nos Estados Unidos;
- Perspectivas de menor área plantada nos EUA em 2026;
- Consumo brasileiro aquecido.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Produtividade recorde nos EUA;
- Estoques finais maiores nos Estados Unidos;
- Possibilidade de revisão negativa para consumo de milho nos EUA.
CBOT
Os preços do milho negociados em Chicago recuaram 4,3% na semana passada. Após um choque inicial na semana em função de um WASDE altamente baixista, o vencimento de março encontrou suporte no patamar dos US¢420/bu, encerrando a semana a US¢424,75/bu.
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
WASDE | Na última segunda-feira, foi divulgada uma atualização das Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda (WASDE), do USDA. O mercado esperava um relatório altista, na medida em que se apostava em um corte na produtividade média das lavouras americanas. O que foi visto, no entanto, não foi apenas uma elevação da produtividade, mas também uma revisão positiva para a área plantada. A soma desses fatores resultou em uma safra de 432,3 milhões de toneladas, aumento de 1,6% em relação ao que foi reportado no relatório de dezembro.
Pelo lado da demanda, o USDA elevou o consumo para ração animal para 334,5 milhões de toneladas, enquanto o mercado esperava um corte. A revisão positiva ajudou a amortecer os efeitos da safra recorde nos estoques finais, mas o mercado ainda se mostra bastante cético com esse número, existindo a possibilidade de surpresas baixistas no campo do consumo em relatórios futuros.
Os números de consumo de milho para a produção de etanol e de exportações se mantiveram inalterados. Do lado do etanol, uma leve revisão negativa poderia ser esperada, mas as usinas vêm se mostrando bastante ativas, o que justifica que o USDA aguarde para fazer novas revisões, conforme será discutido em outra seção deste relatório. Os números de exportações já são recordes, mas o cenário que vemos hoje é de embarques e vendas acima do ritmo necessário para atingir o alvo de 81,3 milhões de toneladas, o que pode justificar elevações nos relatórios futuros.
Os estoques finais de milho nos EUA ficaram em 56,6 milhões de toneladas, maior volume desta década. Dessa forma, o mercado avançará para a próxima safra bem abastecido de milho, o que justifica parcialmente uma área menor dedicada ao cereal. Outros fatores que corroboram esse cenário de queda de área são: 1) a maior competitividade da soja do ponto de vista de preço; 2) os elevados preços de insumos, que pesam mais sobre o milho; e 3) uma rotação natural de áreas para outras culturas, dada a elevada área plantada vista em 2025.
Etanol | Na semana passada, a EIA reportou um volume recorde de produção de etanol nos Estados Unidos, com a produção média ficando em cerca de 1,2 milhão de barris por dia na semana encerrada em 09 de janeiro. O fato foi de suporte para os futuros de milho, conforme sugere que o consumo doméstico americano segue bastante aquecido frente à safra gigante.
Após a divulgação do WASDE na segunda-feira, vimos uma movimentação mais ativa no sentido de pressionar a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA para a aprovação da comercialização do E15 (gasolina com 15% de mistura de etanol anidro) ao longo de todo o ano.
O fato, embora seja fator de suporte para os preços no longo prazo, provavelmente terá efeitos mais limitados em prazos mais curtos. A capacidade instalada de produção de etanol nos EUA já está bastante comprometida, e são poucos os projetos de novas usinas ou expansão das existentes nos próximos meses. Ainda assim, será crucial para o produtor americano que o país encontre novas fontes de demanda, conforme a produtividade média de milho vem em trajetória bastante crescente nos últimos anos.
Daqui para frente, as discussões em torno do E15 serão cruciais para o mercado, fato que será acompanhado de perto.
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Brasil
Os preços de milho na B3 também recuaram de forma geral. O vencimento de março/26 encerrou a semana negociado a R$ 70,30/saca (-3,6%). Sem grandes notícias em relação às safras brasileiras, o mercado doméstico acompanhou Chicago. Fato é que o milho americano já estava bastante competitivo nos últimos meses e, com as recentes quedas, continuará competitivo, afetando negativamente as exportações brasileiras.
A soja já começa a ser colhida pelo Brasil, e as perspectivas de produtividade são boas. Com o fim da safra de soja, a necessidade de abrir espaço em armazéns para a oleaginosa e o início do plantio do milho safrinha serão fatores que podem trazer maior dinamismo ao mercado ao longo das próximas semanas.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
