
Milho cai na CBOT; na B3, movimento no câmbio ajuda futuros a encerrarem semana em alta; StoneX revisa estimativas para a safra 25/26
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- Exportações seguem fortalecidas nos Estados Unidos;
- Perspectivas de menor área plantada nos EUA em 2026;
- Consumo brasileiro aquecido.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Produtividade recorde nos EUA;
- Estoques finais maiores nos Estados Unidos;
- Possibilidade de revisão negativa para consumo de milho nos EUA.
CBOT
Os futuros do milho na CBOT encerraram a semana em leve queda na semana passada. Em que pese os fundamentos baixistas, o movimento semanal se deu menos por especifidades do mercado de milho, sendo mais associado à intensificação do fluxo de capitais ao longo da semana. O destaque ficou para uma intensa liquidação no campo dos metais preciosos, com quedas principalmente no ouro e na prata, que apresentaram uma intensa correção na sexta-feira.
O gatilho para essa baixa, de acordo com diversos analistas, foi a escolha pelo presidente americano, Donald Trump, de Kevin Warth como o próximo presidente do Federal Reserve. O posicionamento outrora rígido de Warth com relação à inflação diminuiu as crenças de uma intervenção política sobre os rumos futuros da taxa de juros dos Estados Unidos. Essa esperança na boa condução da política monetária, por sua vez, elevou a confiança na força do dólar como moeda hegemônica, enfraquecendo um dos pilares que vinham sustentando a alta das commodities metálicas nos últimos meses.
Ainda assim, fatores técnicos mantiveram o mercado de milho sustentado na faixa entra US¢425/bu-US¢430/bu. O março/26 encerrou a semana a US¢428,25/bu (-0,5%).
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Etanol | EUA
Em um discurso na cidade de Clive, Iowa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou seu apoio à permissão de vendas de gasolina com 15% de mistura de etanol (E15) ao longo de todo o ano.
A explicação oficial para a restrição de comercialização do E15 em determinados períodos do ano (à saber, entre 01/jun e 15/set) se dá por uma determinação da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos que busca evitar a comercialização de um combustível com níveis mais elevados de volatilidade para evitar a formação de smog, um tipo específico de poluição atmosférica. Explicações alternativas sugerem que se trata de uma medida para favorecer a indústria petrolífera ao comercializar um combustível com maior composição fóssil no período do ano de maior consumo de combustíveis leves (driving season).
A sinalização de Trump é importante para o mercado de milho, dado que as safras robustas produzidas nos últimos anos precisam encontrar um destino a fim de equilibrar o mercado. Ainda assim, o avanço legislativo da pauta não mudará a dinâmica do mercado no curto prazo – o que se reflete na falta de dinamismo dos preços após as declarações do presidente americano. Uma expansão do consumo de etanol nos Estados Unidos exigiria uma adequação de postos de gasolina e bombas de combustíveis, além da expansão da capacidade instalada de destilação de milho, o que não está no horizonte por ora. Mesmo que o anúncio de Trump incentivasse o anúncio de construção de novas usinas de etanol de milho nos Estados Unidos, ainda levaria um tempo para o início de suas operações, limitando o impacto imediato da medida no consumo doméstico de milho no país.
Argentina
A safra argentina continua se deteriorando. Na semana passada, as lavouras em condições boas/excelentes caiu para 46%. Embora distante dos 88% alcançado no mês de dezembro, ainda vemos uma safra melhor do que a do ano passado, quando apenas 28% das lavouras apresentavam as melhores condições de desenvolvimento.
Diversos modelos climáticos apontam para chuvas melhor distribuídas ao longo das próximas semanas podem oferecer uma melhora da safra. No entanto, as temperaturas altas devem permanecer, o que seguirá como um importante ponto de atenção.
Brasil
A safra brasileira segue se desenvolvendo bem. O bom desenvolvimento das lavouras de primeira safra no Paraná e na região do MATOPIBA colaboraram para uma revisão positiva de 2,3% nas estimativas da StoneX para a safra de verão do cereal, estimada agora em 26,6 milhões de toneladas. Para a safrinha, enquanto as lavouras ainda está sendo plantada nos principais estados, uma revisão da área plantada em Pará e Tocantins mais do que compensaram revisões para baixo em Maranhão e Piauí, elevando a expectativa de colheita da segunda safra para 106,4 milhões de toneladas.
Acesse o relatório completo clicando aqui.
Além de um balanço mais construtivo em face da boa safra que é esperada neste ano, uma continuidade da tendência de valorização do real em relação ao dólar seguiu como fator de pressão para os preços domésticos. A essa altura, os preços baixos do milho originado nos EUA e na Argentina no mercado exportador tem dificultado a competitividade do milho brasileiro internacionalmente, o que tem somado à pressão de curto prazo no mercado doméstico.
Intraday (15 min) contrato de mar/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
