
Milho avança em Chicago; safra argentina revisada para baixo; perto de um quinto da safrinha já foi semeada no Brasil
- Altista
- Exportações em baixa nos Estados Unidos
- Novos estímulos para o mercado da soja transbordam para o milho
- Safra argentina revisada para baixo
- Consumo global aquecido
- Baixista
- Mercado global de milho bem abastecido
- Safra sul-americana pode ser recorde, apesar da persistência de riscos
- Conflitos geopolíticos aumentam riscos para o mercado
CBOT
Os futuros do milho ampliaram altas na CBOT ao longo da última semana. O vencimento de maio/26 encerrou a sexta-feira com uma alta acumulada de 0,7%, negociado a US¢438,75/bu.
Intraday (15 min) contrato de mai/26 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
O mercado de milho se aproveitou de um bom desempenho do mercado de soja, que encontrou suportes por várias frentes ao longo do início deste mês. Em primeiro lugar, novas diretrizes acerca da política de biocombustíveis nos Estados Unidos elevaram a confiança de uma trajetória crescente de consumo doméstico de oleaginosas no país, entregando força para o óleo e para o grão de soja.
No entanto, a grande notícia da semana foi a declaração do presidente americano, Donald Trump, que disse que a China poderia comprar mais 8 milhões de toneladas de soja americana ainda neste ano-safra (set-ago). A fala foi muito bem recebida pelo mercado dado o que isso pode significar para o balanço americano de soja uma vez que as exportações se fortalecerem, principalmente em uma janela do ano em que o Brasil ganha competitividade.
O milho encontrou suporte nesse contexto de alta para as agrícolas em Chicago. Em um contexto de decisão de plantio no hemisfério norte, esse ganho de força dos preços de soja pode motivar alguma transição de área para a safra 2026/27, o que se traduziria em uma produção de milho mais pressionada neste ano. Além disso, vale também pontuar que a expectativa de destencionamento das relações comerciais entre EUA e China é, por si só, motivo de otimismo para os mercados.
Tratando de como a demanda tem se comportado, as exportações norte-americanas operaram em baixa, com o país vendendo pouco mais de 1 milhão de toneladas na última semana de janeiro. A produção de etanol também operou em baixa. No entanto, nenhum desses sinais foi lido pelo mercado como um enfraquecimento da demanda por milho nessas frentes. Dessa forma, etanol e exportações seguem sendo os pilares que sustentam o uso de milho americano neste ano safra.
O mercado estará atento também à atualização das Estimativas Mundiais de Oferta & Demanda (WASDE) do USDA amanhã (terça-feira, 10/fev). Embora o mercado esteja atento a possíveis revisões para cima na oferta sul-americana, deveremos observar também a possibilidade de revisões para o balanço dos Estados Unidos.
Argentina
Na semana passada, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires atualizou as suas estimativas para a safra de milho na Argentina para 58 milhões de toneladas, uma redução de 1 milhão de toneladas em relação ao que era estimado anteriormente. Ainda assim, trata-se de uma safra robusta, bem acima do que foi observado no ano passado.
Com isso, apesar de uma esperada queda da oferta brasileira (veremos como o clima se desenvolverá no decorrer da safrinha), o crescimento da colheita do país vizinho deve garantir uma estabilidade da oferta sul-americana.
Com o consumo em alta no Brasil, no entanto, podemos ver exportações mais pressionadas na América do Sul, o que já era antecipado, com grande possibilidade de ganho de share da Argentina no mercado exportador. Vale pontuar que a Argentina segue com preços FOB bastante competitivos para entregas nos próximos meses, o que pode seguir dinamizando seu setor exportador, principalmente se a safra for de fato no volume atualmente estimado.
O clima, no entanto, segue sendo pouco propício para as lavouras do país, o que pode pautar novas revisões para baixo na colheita de milho do país.
Brasil
Os preços do milho encerraram a semana em alta, com o vencimento de maio/26 sendo negociado a R$69,12/saca (+0,5%) na sexta-feira.
A safra brasileira segue apresentando um desenvolvimento satisfatório. As exportações encerraram o mês de janeiro em queda, ficando em cerca de 3,6 milhões de toneladas, cerca de 650 mil toneladas a menos do que em janeiro do ano passado. O movimento é natural dada a menor competitividade do milho brasileiro após a forte pressão que os preços do milho americano vêm sofrendo já há algum tempo.
Intraday (15 min) contrato de mai/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
