
Milho cai na semana; Fórum agrícola traz possível redução de área nos EUA, mas mercado ainda bem abastecido
- Altista
- Exportações em baixa nos Estados Unidos
- Novos estímulos para o mercado da soja transbordam para o milho
- Safra argentina revisada para baixo
- Consumo global aquecido
- Baixista
- Mercado global de milho bem abastecido
- Safra sul-americana pode ser recorde, apesar da persistência de riscos
- Conflitos geopolíticos aumentam riscos para o mercado
CBOT
Os futuros do milho desempenharam um leve recuo ao longo da semana passada, com o vencimento de maio/26 terminando a sexta-feira negociado a US¢ 439,75/bu (-0,5%).
Em mais uma semana de agenda inexpressiva, o mercado acompanhou com certa atenção as primeiras projeções do USDA para a safra 2026/27, trazidas no Fórum Agrícola, que aconteceu na semana passada.
Intraday (15 min) contrato de mai/26 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
O primeiro indicativo para a área plantada americana neste ano apontou para uma redução de 5,1% na área plantada de milho, resultando na semeadura de cerca de 38 milhões de hectares. Assumindo uma produtividade de 11,49 ton/ha (abaixo do ano passado, mas condizente com a tendência histórica), a safra americana 2026/27 poderia ficar por volta das 400 milhões de toneladas. Em que pese o fato dessa estimativa de oferta ser baseada apenas em modelos estatísticos, não há nada que chame muita atenção.
O que é interessante, no entanto, é observar como o USDA está abordando a demanda pelo milho americano no próximo ano-safra.
A projeção de consumo de milho para etanol ficou estável em 142,2 milhões de toneladas. Fato é que o número deste ano está, na opinião de alguns analistas, sensivelmente superestimado, o que sugeriria que poderia representar um leve aumento em relação ao ano safra 2025/26 caso vejamos realmente uma revisão para baixo no número deste ano-safra. O USDA não cita em seu relatório a possibilidade de um aumento de consumo de etanol na possibilidade de autorização de comércio do E15 ao longo de todo o ano, fato que tem repercutido no mercado após Donald Trump demonstrar apoio à proposta nas últimas semanas. Quando fala de exportações de etanol, que é o grande eixo dinâmico da demanda pelo álcool americano nos últimos tempos, o USDA considera um cenário estável, o que seria de se confirmar ainda. Vale lembrar que acordos comerciais com diversos países nos últimos meses previam o comprometimento com a importação de etanol americano, fator não citado pelo departamento.
A projeção para consumo de Ração caiu para 152,4 milhões de toneladas. Se a fronteira com o México seguir fechada para o tráfego de gado vivo graças aos casos de bicheira-do-novo-mundo no país latino, esse fator seguirá pressionando a demanda interna de ração nos Estados Unidos. Ainda assim, perspectiva de rebanho interno mais construtivo nos país seria um fator de suporte para a demanda por ração.
A projeção de exportações caiu para 78,7 milhões de toneladas. De fato, estamos em um ano atípico, em que diversos fatores têm contribuído para um forte programa de exportações de milho nos Estados Unidos. Ainda assim, não existem fatores que joguem contra esse bom momento olhando para a safra que vem. Do ponto de vista competitivo, o milho americano seguirá sendo favorecido, principalmente em um contexto em que a demanda interna brasileira deverá apresentar um crescimento bastante expressivo, diminuindo a participação do segundo maior exportador do mundo no comércio internacional. Argentina e Ucrânia têm potencial para expandir suas exportações, o que pode penalizar um pouco as exportações americanas.
Em outro tópico, na última sexta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos avaliou que a aplicação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Nacional (IEEPA) para a aplicação de tarifas pelo presidente dos EUA é ilegal. Com isso, as chamadas “tarifas recíprocas”, anunciadas pelo presidente Donald Trump em abril do ano passado, caíram. Acesse o material da StoneX sobre o tema clicando aqui.
O efeito imediato para as commodities foi baixista, uma vez que o mercado viu que a decisão enfraqueceria a posição do governo americano na negociação com outros países. No entanto, a reação foi tímida e momentânea, revelando uma certa resistência das commodities a essa pauta.
Daqui para frente, seguiremos observando o desenrolar dos fatos. Ainda na sexta-feira, Trump anunciou novas tarifas de 15% - embora inicialmente noticiado que seriam de 10% - contra o mundo todo através de um arcabouço legal alternativo. Isso reforça a posição do presidente de dobrar a aposta para manter sua política comercial ativa. O mercado reage com certe incerteza ao futuro tarifário norte-americano e, sem dúvidas, devemos ver novidades sobre o tema nas próximas semanas. Em março, Trump se encontra com o presidente Lula, do Brasil, e, em abril, com o presidente da China, Xi Jinping.
Intraday (15 min) contrato de mai/26 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
BRASIL
Os preços do milho negociado na B3 seguiram em alta ao longo da semana passada, com o maio/26 fechando a R$71,43/saca (+1,2%).
O plantio do milho safrinha segue avançando, mas apresenta atrasos em diversas regiões importantes. Um regime bastante chuvoso tem dificultado os trabalhos no campo, aumentando os riscos para o pleno desenvolvimento da safrinha, o que pode ser um fator ajudando a ampliar o apetite comprador.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
