- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA corta safra do Brasil em apenas 1 milhão de toneladas;
- Safra deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações fracas dos EUA;
- StoneX eleva a produção de soja 2023/24;
- Cortes da produção estimada por Conab, USDA e Abiove;
- Clima quente e seco piora condições de safra na Argentina;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
A soja oscilou entre perdas e ganhos ao longo da última semana, com o mercado tentando estabelecer algum piso para os preços na bolsa depois da queda praticamente contínua desde meados de novembro, com o contrato contínuo tendo tocado seu menor nível em mais de três anos. Em função de uma recuperação registrada na sexta-feira (dia 01), a soja terminou o período cotada a 1.141 cents por bushel, ganho semanal de 0,8%.
De maneira geral, os fundamentos seguem semelhantes. O mercado segue otimista com as safras sul-americanas, com perspectiva de grande recuperação da Argentina e com as últimas atualizações das estimativas da StoneX para a safra brasileira reduzindo o temor por quebras significativas no país. Adicionalmente, a expectativa de aumento de área de produção nos Estados Unidos, sinalizada no relatório de intenções de plantio do USDA, adiciona mais um fundamento favorável à oferta.


Por outro lado, a demanda permanece mais lenta, o que contribui para o sentimento de um balanço de oferta e demanda mais confortável, principalmente no 1º semestre de 2024. Enquanto na China, o ritmo mais lento da demanda pela oleaginosa segue sem mostrar sinais de aceleração, nos Estados Unidos, a produção de biodiesel e diesel renovável segue morosa, influenciada pelos RINs D4 (Renewable Identification Numbers), emitidos e comercializados por produtores desses biocombustíveis, ainda bastante desvalorizados, o que desestimula tanto a demanda pelo óleo de soja quanto, o esmagamento.
Na última sexta-feira (dia 04), USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualizou os dados oficiais de esmagamento de soja nos Estados Unidos em janeiro, que ficou levemente abaixo do esperado. O país totalizou 5,302 milhões de toneladas de soja esmagada no mês, 0,9% abaixo das estimativas, de 5,349 milhões e recuando 4,6% em relação a dezembro. Apesar do esmagamento superar em 1,9% o mesmo mês de 2023, sazonalmente o mês de janeiro costuma marcar um leve aumento frente a dezembro, o que desperta alguma cautela. Adicionalmente, o relatório mostrou que consumo de óleo de soja no mês totalizou 712 mil tons, queda de 5,9% em relação a dezembro e ficando 5,7% abaixo de janeiro de 2023. Os estoques de óleo, por sua vez, avançaram 13,8%, para 700 mil tons, em linha com os indicativos de estoques mostrados pelo NOPA, o que alivia as preocupações com os níveis historicamente baixos vistos nos meses anteriores.

Nesta semana, os agentes aguardarão pela divulgação na sexta-feira (dia 08) do relatório WASDE do USDA, que atualizará as estimativas do departamento para os indicadores de oferta e demanda dos principais produtores da oleaginosa.
A agenda de indicadores macroeconômicos também merece atenção e tende a afetar as cotações das commodities na semana. Para a China, serão divulgados pela S&P Global/Caixin entre esta segunda (dia 04) e a terça-feira (dia 05) os PMI de Serviços e Consolidado do país, que ajudarão na leitura sobre o ritmo de recuperação do nível de atividade do país, e podem afetar o humor dos mercados principalmente no que diz respeito à demanda global. O Índice de Preço ao Consumidor (CPI) chinês, que será publicado na sexta-feira (dia 08) e com estimativas dos agentes que atinja o maior nível desde janeiro de 2023, sugerindo um reaquecimento do consumo em função do ano novo lunar, também pode atuar como um fator de suporte.

Inspeções de exportação dos EUA: Considerado a prévia das exportações, o Relatório de Inspeções de Exportação do USDA indicou uma queda nos embarques de exportações, que caíram em relação à semana anterior, totalizando 1,10 milhão de toneladas. Desta forma, houve uma queda de 8% quando comparado a semana anterior, marcando a terceira semana consecutiva de diminuições.
Vendas de exportação dos EUA: As médias das exportações de vendas líquidas da safra atual se recuperaram na semana até o dia 29 de fevereiro, com 159,7 mil toneladas. Porém, o nível negociado continua longe da média vista nos três últimos anos, onde foram observadas 579,9 mil toneladas. Já a safra nova não foi vendida pela segunda semana consecutiva, sendo que nos anos anteriores já era observado um certo volume de vendas, mostrando que a demanda continua enfraquecida.
Safra brasileira: Com a produção brasileira sendo chave para a definição da oferta internacional da oleaginosa, a semana foi marcada por atualizações de diferentes estimativas. Pelo lado da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), a safra foi reduzida em 2,3 milhões de toneladas em relação a publicação anterior da instituição, esperando-se assim 153,8 milhões de toneladas para a produção de 2023/24. Condições climáticas adversas são as justificativas para o corte.
Por sua vez, a StoneX Brasil atualizou a sua estimativa de safra 2023/24 para cima, elevando a produção para 151,55 milhões de toneladas (0,8% superior ao último relatório). Como já era esperado, não será registrado um novo recorde, lembrando que a safra anterior 2022/23 foi de 157,9 milhões de toneladas. Neste cenário de alta, influenciaram os resultados os ajustes para cima da região de MAPITOPA, além dos estados de Bahia e Goiás. Neste caso, bons níveis de precipitações nas últimas beneficiaram principalmente as lavouras plantadas mais tarde, podendo-se projetar um maior rendimento. Já o Mato Grosso do Sul, ajustou a colheita esperada para baixo. Assim, o cenário projetado pela StoneX consolida uma safra robusta para o país.





