- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA corta safra do Brasil em apenas 1 milhão de toneladas;
- Safra deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA;
- Corte mais acentuado de produção pela Conab;
- USDA revisa exportações chinesas para cima;
- NOPA traz esmagamento mais forte nos EUA em fevereiro;
- Elevada posição liquida vendida dos fundos especulativos;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
Na semana passada, o vencimento da soja para maio em Chicago chegou a superar o patamar de 1200 cents por bushel, mas devolveu parte dos ganhos e encerrou o período com leve baixa de 0,5%, em 1192,5 cents por bushel. É importante lembrar que os fundos especulativos registram uma posição liquida vendida muito grande, o que deixa o mercado sujeito a ajustes.
Os agentes continuam monitorando a safra da América do Sul, com destaque para as divergências entre os números da Conab e do USDA, com a Companhia de Abastecimento do Brasil estimando uma safra mais de 8 milhões mais baixa que o último dado do Departamento de Agricultura dos EUA.
A colheita está avançando, tendo alcançado 70,9% do total, segundo a StoneX, na última sexta-feira (dia 22). Na próxima segunda-feira (dia 01/04), a StoneX vai divulgar mais uma atualização dos números da safra brasileira 2023/24, que devem ficar cada vez menos sujeitos a alterações, à medida que os trabalhos no campo progridem.
De qualquer maneira, mesmo se o número mais baixo da Conab for confirmado, a ampla recuperação da safra argentina deve mais que compensar as perdas por aqui, ainda garantindo uma oferta robusta na América do Sul.
As condições estão favoráveis para a safra argentina, com uma importante parte das lavouras passando por fases chave. A Bolsa de Cereales de Buenos Aires divulgou na última quinta-feira (dia 21) que 31% das plantas estão em condições boas/excelentes, aumento de 1 p.p. em comparação ao dado anterior. Outros 53% da safra estão em condições normais, enquanto o percentual regular/ruim ficou estável em 16%.
Segundo a Bolsa de Buenos Aires, a safra argentina de soja deve crescer mais de 30 milhões de toneladas, passando de apenas 21 milhões de toneladas em 2022/23, quando foi fortemente afetada pelo La Niña, para 52,5 milhões de toneladas, no ciclo atual, 2023/24.


Pelo lado da demanda, as exportações norte-americanas também continuam sendo acompanhadas, com o Brasil se mantendo mais competitivo. As exportações brasileiras em janeiro e fevereiro superaram os mesmos meses de 2023, mesmo com as perdas da safra 2023/24.
Nos EUA, as vendas de exportação na semana encerrada em 14/03 alcançaram 494 mil toneladas, volume dentro do intervalo das estimativas, que iam de 250 a 800 mil. No acumulado, foram negociadas 40,16 milhões de toneladas, contra 49,4 milhões no mesmo período do ano passado. Dessa diferença de 9,25 milhões de toneladas no comparativo anual, a China responde por 7,7 milhões.

O mercado já aguarda com expectativa o relatório de intenções de plantio, que será divulgado pelo USDA na próxima quinta-feira (dia 28/03). Esse é o primeiro número de área plantada para a safra 2024/25 do país, baseado em levantamento com produtores. As expectativas apontam para um crescimento anual da área de soja, motivado por um balanço mais apertado nos EUA e uma queda proporcionalmente menor dos preços em relação ao milho. Já o milho registraria uma queda da área plantada em comparação ao ciclo 2023/24.
De qualquer forma, há muitas dúvidas sobre o potencial crescimento da área plantada norte-americana de soja, com as estimativas do mercado variando de 34,54 a 35,61 milhões de hectares, contra 33,83 milhões no ano passado. Essa divulgação pode movimentar o mercado, principalmente se ficar muito fora das expectativas.
Uma área plantada maior tende a resultar em um balanço de oferta e demanda mais folgado para a soja nos EUA, caso a produtividade se mantenha dentro da tendência usual. As perspectivas iniciais apontam crescimento também da demanda pela soja norte-americana na safra 2024/25, mas a oferta poderia avançar mais fortemente, caso não haja surpresas climáticas significativas e considerando um crescimento da área plantada.
Além desse dado muito aguardado, o posicionamento dos fundos especulativos deve continuar no radar nessa semana que começa, assim como o andamento da safra da América do Sul e as exportações de soja dos EUA.





