- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA corta safra brasileira em 155 milhões de toneladas;
- Safra ainda deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA;
- Número mais baixo de produção da Conab;
- USDA revisa exportações chinesas para cima;
- Elevada posição liquida vendida dos fundos especulativos;
- Bolsa de Buenos Aires corta safra argentina 23/24;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
As cotações da soja registraram mais uma semana de queda, com o vencimento para maio terminando a sexta-feira (dia 12) em 1174 cents por bushel, baixa de 0,9% no período.
O mercado continuou acompanhando o andamento da safra da América do Sul, o lado da demanda, principalmente chinesa, além da divulgação dos relatórios mensais da Conab e do USDA.
Apesar de sempre muito aguardadas, as atualizações de abril da Conab e do USDA não modificaram o cenário de divergências entre as várias estimativas de mercado. O levantamento da Conab trouxe um pequeno corte para a produção brasileira, que passou de 146,9 para 146,5 milhões de toneladas, devido a um leve recuo na produtividade média esperada. Também não houve maiores novidades pelo lado da demanda pela soja brasileira, com consumo doméstico e exportações ficando praticamente estáveis em comparação ao relatório do mês anterior.
De qualquer forma, o foco estava no número de produção, após a safra 23/24 ter sido impactada por adversidades climáticas, resultando em estimativas muito diversas entre as várias instituições. O USDA não contribuiu para “melhorar” esse cenário, mantendo a produção brasileira em 155 milhões de toneladas, um dos números mais elevados do mercado, com uma diferença de 8,5 milhões de toneladas em relação à Conab, que é considerada a produção oficial para o Brasil. Destaca-se que a StoneX estima a produção brasileira de soja deste ano em 150,8 milhões de toneladas.
Dessa forma ainda permanecem dúvidas sobre o tamanho final da safra de soja 23/24, mas, mesmo assim, os preços da oleaginosa continuam sob pressão, em meio à recuperação da Argentina, às perspectivas iniciais de crescimento da área de soja 24/25 nos EUA e à demanda, com dúvidas sobre qual será o tamanho das importações chinesas.


Na Argentina, apesar das estimativas ainda apontando para uma safra ao redor de 50 milhões de toneladas, a Bolsa de Cereales reduziu a produção 23/24 esperada para o país de 52,5 para 51 milhões de toneladas. A colheita da safra no país alcançou 10,6% do total na última quarta-feira e, por mais, que se aposte em rendimentos melhores da parcela semeada mais tarde, a instituição assume que regiões do Norte do país, algumas áreas das províncias de Córdoba, La Pampa e Buenos Aires não devem conseguir se recuperar totalmente.
De qualquer maneira, esse resultado ainda seria robusto, indicando uma ampla recuperação para o país em comparação à safra 22/23, fortemente afetada pelo La Niña, e mais que compensando as perdas brasileiras. Contudo, as condições das lavouras continuam sendo monitoradas, com o percentual bom/excelente tendo subido 1 p.p. para 31% no último levantamento, apesar da proporção das lavouras em condições regulares/ruins também ter avançado 1 p.p., atingindo 22%.
Pelo lado da demanda, as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 04/04 alcançaram 305,3 mil toneladas, nível dento das estimativas do mercado, que iam de 200 a 600 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 40,9 milhões de toneladas de soja da safra 23/24, contra 50,1 milhões, com a China respondendo por 7,5 milhões de toneladas desse atraso.
Mesmo com o USDA tendo cortado a estimativa de exportações dos EUA no ciclo 23/24, de 46,8 para 46,27 milhões de toneladas, 7,9 milhões a menos que no ciclo anterior, o ritmo de vendas mais fraco ainda estaria 1,3 milhão de toneladas abaixo do necessário para atingir essa estimativa ajustada.

A alfândega chinesa reportou que o país importou 5,54 milhões de toneladas em março, 1,3 milhão a menos que no mesmo mês de 2023. Considerando o importado até o momento, o volume anual tenderia a fica mais baixo, inferior a 100 milhões de toneladas, não alcançando 105 milhões, como o USDA está projetando para o ciclo 23/24. Cabe lembrar que o USDA revisou safras chinesas passadas, colocando números de importação do país acima dos oficiais.
De qualquer forma, a despeito de divergências nas estimativas, as compras chinesas continuam no radar, com a margem dos suínos tendo melhorado nas últimas semanas, situação benéfica, mas que ainda não permite afirmar que haverá um maior incentivo ao esmagamento.
Nesta semana, além de dados macroeconômicos e o andamento do conflito no Oriente Médio, o mercado de soja deve continuar atento à demanda, com vendas de exportação dos EUA e dados preliminares de embarques no Brasil, além do esmagamento nos EUA, divulgado pela Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês).





