- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA estima safra brasileira em 155 milhões de toneladas;
- Safra ainda deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA;
- Número mais baixo de produção da Conab;
- Esmagamento recorde nos EUA em março/24;
- Elevada posição liquida vendida dos fundos especulativos;
- Bolsa de Buenos Aires corta safra argentina 23/24;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago registraram alta, com atuação dos fundos especulativos na cobertura de posições vendidas. Destaca-se que, mesmo com o movimento recente, a posição líquida vendida continua elevada, o que deixa o mercado sujeito a novas rodadas de cobertura. O vencimento para julho atingiu 1177,25 cents por bushel na sexta-feira (dia 26), ganhos semanais de 1%.
Em relação aos fundamentos, não houve maiores mudanças, ainda com dúvidas sobre o tamanho da safra brasileira, diante da falta de convergência entre as várias estimativas do mercado, com o avanço inicial do plantio nos EUA e com a demanda, principalmente por parte da China, no radar.
No Brasil, a colheita da soja 23/24 atingiu 93,2% do total na sexta-feira (dia 26), de acordo com a StoneX, nível levemente abaixo do ano passado. Já as exportações preliminares de abril indicam que foram embarcadas 10,2 milhões de toneladas de soja até o dia 19/04, com os embarques se continuando aquecidos nesses primeiros meses com o aumento da disponibilidade pós colheita. Mesmo assim, as perspectivas de queda anual das exportações de soja se mantêm, acompanhando a menor produção neste ano.
Em relação à Argentina, a colheita continua encontrando entraves devido à ocorrência de chuvas, tendo alcançado 25,5% do total na quarta-feira (dia 24), um atraso de 22,8 p.p. em relação à média de cinco anos para esse período, mas de apenas 3 p.p. frente ao ano passado. A colheita ainda está no início nas províncias do norte do país (NOA e NEA), com os rendimentos registrados abaixo da média. Por outro lado, no núcleo Norte da região produtora (localizado mais ao centro do país), os rendimentos têm surpreendido, superando a média. Com isso, a Bolsa de Buenos Aires mantém a estimativa de produção de soja 23/24 do país em 51 milhões de toneladas.


Nos EUA, o plantio da safra 24/25 atingiu 8% no domingo, dia 21, mesmo nível do ano passado, mantendo-se adiantada em relação à média de cinco anos para o período, que está em 4%. Ainda é cedo para tirar qualquer conclusão quanto a esse ritmo mais adiantado dos trabalhos em campo. Um plantio mais cedo da soja poderia eventualmente ser benéfico para os rendimentos. Já em relação à área plantada final, o mercado ainda aposta que a área combinada de soja e milho pode aumentar, com o milho ganhando espaço, principalmente porque a área do cereal ficou abaixo do esperado na divulgação das intenções de plantio do produtor no final de março.
Quanto à demanda, as inspeções de exportação dos EUA na semana encerada em 18/04 alcançaram 450,3 mil toneladas, abaixo de uma semana antes, mas acima do mesmo período do ano passado. No acumulado, foram inspecionadas 38,5 milhões de toneladas contra 47 milhões nessa mesma época da safra anterior. Mesmo com o USDA estimando embarques menores no ciclo 23/24, esse rimo mais lento, se mantido, poderá levar à necessidade de novos ajustes no número de exportações por parte do Departamento.
Já as vendas de exportação do país na mesma semana atingiram 210,9 mil toneladas para a safra 23/24, abaixo do piso das estimativas, que iam de 300 a 600 mil toneladas. O acumulado das vendas está em 41,5 milhões de toneladas, contra 50,4 milhões no ano passado, quase 9 milhões de toneladas de diferença, com a China respondendo por 7,2% desse total. Assim como no caso das inspeções, mesmo com a estimativa de exportações sendo menor para este ciclo, o ritmo mais lento das vendas, se mantido, também poderia indicar que o USDA precisará fazer novos ajustes.
Cabe destacar que o período atual realmente não tende a registrar compras mais significativas de soja norte-americana pela China, indicando que o país deve finalizar o ano safra 23/24 com menos compras dos EUA, dando “preferência” para o Brasil, que continua com valores mais atrativos. Contudo, é preciso lembrar que a menor produção brasileira neste ano deve resultar em um segundo semestre de embarques mais fracos da soja brasileira, em comparação ao ano passado, o que poderia beneficiar a safra nova dos EUA, colhida a partir de setembro.

Nessa semana, além das divulgações usuais, a StoneX atualizará sua estimativa de safra 23/24 na próxima quinta-feira (dia 02). No campo macroeconômico, destaca-se a reunião de política monetária do Fed, com expectativa de manutenção dos juros. Na sexta-feira (dia 03), serão divulgados os dados do mercado de trabalho do país, referente a abril (Payroll).





