- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA estima safra brasileira 23/24 em 154 milhões de toneladas;
- Safra ainda deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA.
- Fatores altistas
- Número mais baixo de produção da Conab;
- Possível impacto das chuvas no ritmo de plantio dos EUA;
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Bolsa de Buenos Aires cita preocupações com ritmo de colheita e rendimento no norte do país;
- USDA continua apostando em importações chinesas muito aquecidas.
As cotações da soja registraram volatilidade na última semana em Chicago, com o começo do período em forte alta, mas esses ganhos foram devolvidos e as cotações encerraram perto dos valores de sete dias antes. O vencimento para julho fechou a sexta-feira (dia 10) em 1219 cents por bushel, leve alta semanal de 0,3%.
Os ganhos consideráveis no início da semana formam condicionados por questões climáticas, em meio a alguma preocupação com o andamento do plantio nos EUA e com as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, no Brasil.
No caso da soja norte-americana, a ocorrência de chuvas em parte da área produtora da oleaginosa atrapalhou um pouco os trabalhos no campo. Na semana encerrada em 05/05, o USDA reportou que 25% das lavouras tinham sido plantadas, percentual acima da média, em 21%, mas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, em 30%, o que indica um ritmo mais lento, já que o plantio da oleaginosa vinha mais adiantado. Contudo, no caso da soja, essa desaceleração não é muito preocupante, uma vez que a janela da oleaginosa é algumas semanas mais tardia que a do milho, com a cenário para o cereal inspirando mais atenção.


Quanto ao Rio Grande do Sul, as preocupações iniciais em relação às perdas de soja causadas pelas chuvas históricas também condicionaram a forte alta registrada no pregão de segunda-feira (dia 06), com os fundos cobrindo posições vendidas, apesar de ainda não ser possível avaliar o impacto real, uma vez que não são somente as lavouras, mas toda a atividade associada, como armazenagem logística, indústria de proteína etc. Além de a contabilização das perdas ainda estar em curso, a maior preocupação atualmente é com as pessoas.
Antes desse evento climático, o estado seria nesse ciclo 2023/24 o segundo maior produtor de soja do país. Contudo, 30% da safra não havia sido colhida quando as chuvas começaram, implicando em perdas de produtividade. As regiões Norte e o Nordeste do estado concentram aproximadamente 67% da área de soja, onde 10% das lavouras ainda precisavam ser colhidas. Já na metade sul, que representa 33% da área de soja, aproximadamente 60% das lavouras ainda não haviam sido colhidas no momento de início do evento climático.
Após um levantamento inicial quanto aos impactos nas lavouras, a estimativa de produtividade da soja foi reduzida em 13% pela StoneX, o que representa um corte de 3 milhões de toneladas na produção final. Com isso, a safra gaúcha estimada passou de 23 para 20 milhões de toneladas. O último número nacional da StoneX, de 150,8 milhões de toneladas, passaria para 147,8 milhões de toneladas.
Por mais que as cotações da soja em Chicago tenham reagido e que as implicações para toda a cadeia da oleaginosa no estado devem ser muito relevantes, esse recuo de três milhões de toneladas não é suficiente para mudar o cenário global, com o USDA mantendo sua estimativa de produção consideravelmente acima do consumo. Com isso, as cotações devolveram os ganhos nos pregões seguintes.
É preciso lembrar, ainda, que, por mais que a oferta tenha o potencial movimentar os preços de maneira mais brusca e expressiva, as preocupações pelo lado da demanda permanecem, com destaque para o comportamento da China, apesar de o USDA estimar importações mais significativas que os próprios números oficiais da alfândega chinesas.
Na semana encerrada em 02/05, as vendas de exportação da safra 2023/24 dos EUA atingiram 428,9 mil toneladas, volume dentro das estimativas, levando o acumulado para 42,3 milhões, 8,4 milhões de toneladas a menos que no ano passado, mas lembrando que as estimativas do USDA para os embarques no ciclo estão mais baixas no comparativo anual. Desse “atraso”, a China é responsável por 7,3 milhões de toneladas, com o maior importador mundial concentrando suas compras no Brasil.

Ademais, a semana passada terminou com a divulgação do Relatório de Oferta e Demanda do USDA, muito aguardado, por trazer os primeiros números para a safra global 2024/25.
Mas antes de falar sobre a safra nova, o UDSA trouxe ajustes para a produção brasileira 2023/24, que passou de 155 para 154 milhões de toneladas, recuo que ainda mantém os números do Departamento como um dos maiores do mercado e que não refletiu, por enquanto, a situação do Rio Grande do Sul. A safra argentina foi mantida em 50 milhões de toneladas, número em linha com a Bolsa de Rosário e abaixo da Bolsa de Buenos Aires, que continua estimando a safra de soja do país em 51 milhões de toneladas. Apesar de mantido esse número de 51 milhões de toneladas, a Bolsa de Buenos Aires destaca preocupações com a demora da colheita no norte do país e com rendimentos mais baixos nessa região, o que poderia, eventualmente, levar à necessidade de ajustes futuros de safra.
Em relação aos números do USDA para o ciclo 2024/25, o crescimento esperado da produção mundial continuaria superando o do consumo, com essa diferença aumentando para mais de 20 milhões de toneladas, incrementando os estoques.
Além da perspectiva de safra cheia nos EUA, considerando uma recuperação da produção e o avanço da área plantada, o USDA estimou a safra brasileira em 2024/25 em 169 milhões de toneladas e a argentina em 51 milhões. Pelo lado da demanda, destaca-se uma perspectiva de crescimento anual considerável da importação chinesa, que passaria de 105 para 109 milhões de toneladas no comparativo anual, mas é importante ressaltar, novamente, o descolamento dos dados do USDA frente aos oficiais da alfândega chinesa. A demanda chinesa é motivo de dúvida, em meio ao desempenho econômico mais fraco, além do esforço do governo no sentido de tentar reduzir a participação do farelo de soja na ração, dada a dependência enorme de soja importada, que deixa o mercado sujeito a maiores riscos no seu abastecimento.
De qualquer forma, esses dados ainda são muito preliminares, com mudanças importantes podendo acontecer nos EUA e na América do Sul, ainda mais porque a safra brasileira começará a ser plantada somente em setembro.
Nesta semana, além dos dados usuais, como exportações, destaca-se a divulgação do levantamento de safra da Conab, nesta terça-feira (dia 14).




