- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- Possível migração de área de última hora do milho para a soja nos EUA;
- Margens de esmagamento mais pressionadas na China;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Perspectivas de crescimento de área nos EUA.
- Fatores altistas
- Impacto das chuvas no ritmo de plantio dos EUA;
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Fundos especulativos reduzem posição vendida;
- USDA continua apostando em importações chinesas muito aquecidas.
A semana passada foi mais curta em Chicago, devido ao feriado do Memorial Day na segunda-feira (dia 24), mas na volta das negociações, na terça-feira (dia 28), uma tendência de queda predominou. O vencimento para julho encerrou a sexta-feira (dia 31) em 1205 cents por bushel, baixa semanal de 3,4%.
A safra norte-americana está cada vez mais no foco do mercado, com apostas de que a soja possa ganhar áreas de última hora, o que condicionou um movimento de venda. O plantio da safra 24/25 no país começou muito acelerado, mas perdeu um pouco de força devido à ocorrência de chuvas. Contudo, o ritmo da semeadura da soja continua se mantendo acima da média de cinco anos para o período.
Na semana encerrada em 26/05, já tinham sido plantados 68% da área prevista, enquanto a média estava em 63%. Já no mesmo período do ano passado, a semeadura alcançava 78% do total, lembrando que nas primeiras semanas de plantio da safra 24/25, o percentual ultrapassava o do ano passado, antes de uma maior lentidão por causa das chuvas.
Mesmo assim, o produtor está conseguindo manter os trabalhos no campo, o que alimenta as especulações quanto a possíveis trocas de áreas com o milho, já que a janela do cereal é algumas semanas mais tardia que a da oleaginosa e as datas limite que garantem a cobertura total do seguro agrícola estão sendo atingidas. Quando essas janelas “chegam ao fim”, a cobertura do seguro também vai caindo, o que acontece algumas semanas antes para o milho, e poderia incentivar uma migração de última hora para a soja. Contudo, é sempre bom lembrar que o produtor norte-americano gosta de plantar milho e a área divulgada nas intenções de plantio em março foi considerada, no geral, abaixo do esperado. Com isso, surpresas no relatório do final de junho podem ocorrer.


Em relação ao Brasil, a situação do Rio Grande do Sul e seus impactos na cadeia da soja como um todo ainda estão sendo avaliados. A StoneX mantém sua estimativa de corte de 3 milhões de toneladas na safra gaúcha, considerando o que ainda faltava ser colhido quando as chuvas começaram. No entanto, o estado é destaque no esmagamento de soja e na produção de biodiesel, além da produção de proteína animal. Com isso, os efeitos no setor relacionado à soja a ao agro em geral precisam ser mais bem avaliados.
Na Argentina, a colheita da soja alcançou 86% do total na última quarta-feira (dia 30), segundo a Bolsa de Buenos Aires, com os trabalhos se concentrando mais ao norte do país. Por enquanto, a estimativa continua em 50,5 milhões de toneladas, com a Bolsa destacando uma variabilidade nos rendimentos entre as regiões, mas que estão se compensando.
Em relação à demanda, as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 23/05 alcançaram 329,4 mil toneladas, volume dentro do intervalo das estimativas, que iam de 200 a 400 mil toneladas. No acumulado, foram negociadas 43,2 milhões de toneladas, volume abaixo do ano passado, quando alcançava 50,9 milhões, mas lembrando que o USDA estima embarques mais baixos para o ciclo 23/24, em 46,3 milhões de toneladas. Com isso, as negociações acumuladas e considerando o ritmo usual de vendas, essa estimativa de exportações tende a ser alcançada.

O mercado monitora as importações chinesas de soja, com as margens de esmagamento no país estando mais pressionadas atualmente. De qualquer forma, a China tem dado preferência ao produto brasileiro, e é a responsável pelas vendas mais fracas dos EUA no ciclo 23/24, enquanto outros país estão comprando mais soja norte-americana em comparação ao ano anterior.
Nesta semana que começa, o mercado deve continuar acompanhando o andamento da safra 24/25 dos EUA, com especulações sobre possíveis trocas de área de última hora. Além disso, serão divulgadas as exportações brasileiras consolidadas de maio e os dados semanais de vendas e embarques dos EUA.





