- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- Margens de esmagamento mais pressionadas na China;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Condições de safra favoráveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Fundos especulativos reduzem posição vendida;
- Esmagamento aquecido nos EUA em maio;
- USDA continua apostando em importações chinesas muito aquecidas.
Na semana passada as cotações da soja registraram queda em Chicago, com o vencimento para a agosto encerrando a sexta-feira (dia 28) em 1133,5 cents por bushel, queda de 1,2% no período.
O mercado continua focado na safra dos EUA, acompanhando o clima no país e as condições das lavouras atualizadas semanalmente pelo USDA. Na semana encerrada em 23/06, houve um recuo de 3 p.p. no percentual bom/excelente das lavouras de soja, passando de 70% para 67%, enquanto o mercado estimava uma redução para 68%. Os maiores recuos ocorreram em Illinois, Indiana, Ohio e nas Dakotas. Mesmo assim, todos esses estados se mantêm acima da média de cinco anos para o período. Além disso, ainda é cedo para a safra de soja. Caso as condições boas/excelentes se mantenham em níveis mais elevados até o início de agosto, a possibilidade de uma produtividade acima da tendência é uma realidade.
Pelo lado da demanda, as exportações brasileiras continuam aquecidas em junho, tendo alcançado 10,99 milhões de toneladas até o dia 21 do mês. Destaca-se que o excedente exportável da safra 23/24 é menor, uma vez que produção também foi menor, e o recorde de mais de 100 milhões de toneladas do ano passado não vai ser alcançado. O produto brasileiro se mantém competitivo, situação reforçada pela recente desvalorização do real. Mesmo assim, os embarques no segundo semestre de 2024 devem ficar mais fracos, devido à disponibilidade da oleaginosa e ao consumo doméstico muito relevante, destacando o aumento de 2 p.p. na mistura obrigatória de biodiesel neste ano.


Nos EUA, as vendas de exportação da safra 23/24 na semana encerrada em 20/07 ficaram em 282,9 mil toneladas, abaixo do intervalo das estimativas, que iam de 300 a 600 mil toneladas. No acumulado. Foram negociadas 44,6 milhões de toneladas. A China representou 78 mil toneladas do negociado na semana, mas destaca-se que as margens de esmagamento não estão favoráveis no país. Inclusive, a possibilidade de adoção de medidas antidumping contra produtos suínos de países ocidentais reforça a ideia de que a indústria de suínos do país continua enfrentando desafios, com margens também apertadas.
Ainda pelo lado da demanda, o esmagamento de soja na Argentina está no radar, com a recuperação da produção 23/24 para ao redor de 50 milhões de toneladas, após a quebra muito grande no ano anterior. Sinais de que os níveis de processamento da oleaginosa ainda não teriam voltado ao usual são monitorados. O anúncio de vendas de farelo dos EUA para as Filipinas na semana passada foi interpretado como uma possível maior restrição em se originar o derivado da soja. A Argentina se destaca na exportação de farelo e óleo e, com a recuperação da produção neste ano, aumenta a competição nas exportações com Brasil e EUA, principalmente para o farelo, uma vez que o consumo doméstico brasileiro e norte-americano se mantém mais aquecido, puxado pelos biocombustíveis.

Na sexta-feira (dia 28), foram divulgados os relatórios de área plantada e posição trimestral dos estoques nos EUA, sempre muito aguardados pelo mercado.
Em relação à área, o USDA indicou 34,84 milhões de hectares, levemente abaixo da média das estimativas, em 35,11 milhões, e das intenções de plantio, divulgadas em março, em 35 milhões de hectares.
Já os estoques em 01/06 ficaram em 26,4 milhões de toneladas, nível bastante próximo à expectativa média do mercado, em 26,18 milhões, o que indica que o consumo da safra 23/24 está caminhando em linha com o esperado. O relatório mostrou que o produtor norte-americano está segurando uma maior parte dos estoques norte-americanos, diante dos preços mais pressionados, que desincentivam as negociações.
Logo após a divulgação dos números, as cotações da soja em Chicago avançaram, mas os ganhos não se sustentaram, uma vez que os resultados não indicam mudanças significativas em relação ao que já vem sendo trazido pelo USDA no relatório mensal de oferta e demanda (WASDE, na sigla em inglês). No próximo WASDE, que será divulgado no dia 12/07, essa nova área plantada será incorporada, enquanto ajustes na produtividade norte-americana 24/25 devem ocorrer a partir de agosto.
Nesta semana, a safa norte-americana deve continuar influenciando os preços, com a divulgação do acompanhamento de safra do país, hoje às 17h.





