- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Safra brasileira ainda robusta, apesar dos impactos climáticos;
- Margens de esmagamento mais pressionadas na China;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Finalização da colheita na Argentina, com safra robusta;
- Condições de safra favoráveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Fundos com elevada posição vendida
- Esmagamento aquecido nos EUA;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- USDA aumenta novamente as importações chinesas.
As cotações da soja registraram queda na semana anterior em Chicago. O vencimento para agosto fechou a sexta-feira (dia 12) em 1105 cents por bushel, baixa de 5,3% no período.
A falta de ameaças pelo lado da oferta e de surpresas pelo lado a demanda continua pressionando as cotações da oleaginosa, num momento em que a safra dos EUA está no centro das atenções. Nem mesmo o relatório do USDA resultou em maiores movimentações nos preços.
O clima nos EUA está mais favorável, com chances menores de ocorrência de secas, situação positiva ao desenvolvimento das lavouras. No caso da soja, o mês de agosto é o período mais importante para a definição da produtividade, pois concentra a fase de enchimento de grão. De qualquer forma, uma condição climática dentro do normal no país reforça o cenário de balanço de oferta e demanda mais folgado, uma vez que a safra 24/25 da América do Sul só começa a ser semeada em setembro.
Nos próximos dias, a previsões indicam temperaturas mais amenas e chuvas no leste do cinturão norte-americano, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras.
No acompanhamento de safra do USDA, referente à semana encerrada em 07 de julho, 68% das lavouras estavam em condições boas/excelente, um aumento 1 p.p. frente à divulgação anterior, em linha com o esperado pelo mercado, mantendo-se consideravelmente acima da média de cinco anos para o período, em 59%.


Mesmo em meio às boas perspectivas para a oferta, o mercado monitora o comportamento dos derivados. O farelo de soja tem encontrado suporte em dúvidas sobre o tamanho do esmagamento na Argentina, após a recuperação da safra de soja, com a colheita de cerca de 50 milhões de toneladas no ciclo 23/24. Além disso, a oferta mais limitada do produto proteico em algumas localidades dos EUA também teve influência na movimentação das cotações.
No Brasil, foram embarcadas 2,8 milhões de toneladas de soja na primeira semana de julho, com o acumulado desde o início de 2024 estando em 67 milhões de toneladas, mantendo ainda um nível bastante aquecido, mas que tende a perder força nos próximos meses, uma vez que o excedente exportável neste ano é menor.
Nos EUA, as vendas de exportação na semana encerrada em 04 de julho alcançaram 207,4 mil toneladas, no piso das estimativas do mercado, que iam de 200 a 600 mil toneladas, levando o acumulado para 45 milhões de toneladas. Mesmo assim, o ritmo das negociações está em linha com o necessário para se alcançar a estimativa de 46,3 milhões de toneladas da safra 23/24, até o final de agosto.

Na sexta-feira, o USDA divulgou seu relatório mensal de oferta e demanda, mas sem maiores novidades, como já era esperado. Para a safra norte-americana 24/25, foi incorporada a área um pouco menor divulgada no dia 28 de junho. De qualquer forma, como esse recuo de área foi pequeno, a queda esperada para a produção também foi leve, com a estimativa passando de 121,1 para 120,7 milhões de toneladas, situação que ainda manteria o balanço do país sem grandes apertos, considerando a estimativa de produtividade em 3,5 toneladas por hectare e os volumes de demanda adotados pelo USDA atualmente.
O departamento não trouxe mudanças nos números de produção do Brasil, enquanto a safra argentina 23/24 foi cortada de 50 para 49,5 milhões de toneladas, nível abaixo do atualmente trazido pela Bolsa de Buenos Aires, em 50,5 milhões.
Para a China, destaca-se que o USDA aumentou as importações estimadas para o ciclo 23/24, passando de 105 para 108 milhões de toneladas, mas não atualizou o consumo, resultando em aumento dos estoques. Assim, não houve mudanças nas perspectivas de demanda do país, que estão sempre sendo acompanhadas, por meio das margens de esmagamento e da indústria de suínos.
Nesta semana, o andamento da safra norte-americana deve continuar no centro das atenções, com as condições das lavouras e o clima no radar.





