- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Safra brasileira ainda robusta, apesar dos impactos climáticos;
- Margens de esmagamento mais pressionadas na China;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Finalização da colheita na Argentina, com safra robusta;
- Condições de safra favoráveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Perdas de safra nos Rio Grande do Sul, devido a inundações;
- Fundos com elevada posição vendida
- Esmagamento aquecido nos EUA;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- USDA aumenta novamente as importações chinesas.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago continuaram mais pressionadas, alternando momentos de alta e de baixa, mas encerrando o período novamente em queda. O contrato para agosto terminou a sexta-feira (dia 19) em 1097,25 cents por bushel, recuo de 0,7%. Os vencimentos mais acentuados registraram baixa mais significativa.
Usualmente a metade do ano é marcada por volatilidade dos preços na CBOT, sob influência do clima nos EUA e seus potenciais impactos sobre a safra norte-americana. Contudo neste ano, o clima tem estado mais favorável, sem grandes ameaças, após as chuvas terem amenizado o padrão mais seco no leste do cinturão.
O acompanhamento de safra semanal do USDA continua trazendo um percentual bom/excelente das lavouras mais elevado, com o resultado da semana encerrada em 14 de julho permanecendo em 68%, enquanto a média de cinco anos para o período estava em 60%. Como já ressaltado em relatórios anteriores, a continuidade desses percentuais elevados para o percentual bom/excelente até agosto tende a estar associado a produtividades muito boas, podendo superar a tendência.
O lado da demanda, sem surpresas e com um crescimento do consumo mundial mais previsível, também não está conseguindo alterar essa tendência de preços mais pressionados da soja.
O mercado acompanha o consumo chinês, com o país mantendo importações de soja aquecidas, mas com sua indústria de suínos ainda enfrentando desafios. O setor é responsável por cerca de um terço do consumo de ração no país. Há relatos de descarte de matrizes, o que contribuiu para o aumento da oferta de carne, mas as expectativas indicam que a produção pode cair, com esse movimento de descarte já finalizado. Mesmo com o USDA tendo elevado a estimativa de importação de soja da China, de 105 para 108 milhões de toneladas na safra 23/24, esse excedente seria destinado aos estoques e não a um consumo mais elevado.


No EUA, o consumo doméstico da soja está no centro das atenções, puxado pelo segmento de diesel renovável, que tem incentivado o aumento da capacidade de esmagamento de soja, já que o óleo de soja é a principal matéria prima.
A Associação Nacional de Processadores de Oleaginosa (NOPA, na sigla em inglês) divulgou o esmagamento de soja em junho nos EUA, que ficou em 4,78 milhões de toneladas, enquanto a média das estimativas do mercado era de 4,84 milhões. Mesmo com esse resultado mais baixo que o esperado, o volume processado por 95% do mercado norte-americano, representado pela NOPA, ainda está no caminho para alcançar a estimativa do USDA de esmagamento no ano safra 23/24, em 62,3 milhões de toneladas. Em relação aos estoques de óleo, o nível de 735,7 mil toneladas, também ficou abaixo do esperado, terceiro menor nível para junho considerando os últimos nove anos.
Em relação às exportações norte-americanas, as vendas líquidas na semana encerrada em 11 de julho alcançaram 360,1 mil toneladas da safra 23/24, volume no intervalo das estimativas, que iam de 150 a 600 mil. No acumulado, foram negociadas 45,2 milhões de toneladas, com a estimativa de embarques do UDSA para o ciclo estando em 46,3 milhões.

Nos últimos anos, os EUA estão investindo em incrementar o consumo doméstico de soja, diante da competição com o Brasil nas exportações. Atualmente, a soja brasileira destinada à China continua mais competitiva que a norte-americana.
Por enquanto, as exportações brasileiras continuam bastante aquecidas, tendo atingido 5,3 milhões de toneladas nas 2 primeiras semanas de julho, levando o acumulado desde janeiro para 69,4 milhões. Contudo, como a produção deste ano foi menor, a expectativa é que os embarques percam força nas próximas semanas/meses, não superando o recorde de 2023, de mais de 100 milhões de toneladas.
Na última sexta-feira (dia 19), a StoneX atualizou seu acompanhamento de comercialização, com a safra 23/24 atingindo 67% e a 24/25 ficando em 17,7%, percentuais ainda lentos, mesmo com o incentivo do real mais fraco, que favorece a competitividade do grão nacional.
Destaca-se que, em meio a esse cenário de balanço de oferta e demanda global de soja sem ameaças pelo lado da oferta e com preocupações quanto ao ritmo da demanda, os fundos especulativos continuaram ampliando sua posição vendida em Chicago, alcançando um resultado líquido vendido recorde superior a 185 mil contratos.
Nesta semana, o andamento da safra dos EUA deve continuar no radar, assim como o as questões políticas do país, após a desistência de Joe Biden de concorrer à reeleição pelo partido Democrata.





