nos EUA
- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- USDA mantém produtividade elevada em revisão das estimativas de setembro;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Condições de safra favoráveis nos EUA;
- Vendas de exportação acumulada da safra 24/25 dos EUA seguem abaixo do ciclo anterior.
- Fatores altistas
- Medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos com elevada posição vendida;
- Esmagamento aquecido nos EUA;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- EUA avaliam limitar importação de óleo de cozinha usado (UCO);
- Perspectiva de início do ciclo de cortes de juros do Fed.
As cotações da soja encerraram próximas da estabilidade na última semana de negociação na bolsa de Chicago, com o mercado permanecendo em terreno pressionado, influenciada principalmente pela perspectiva de que balanço de oferta e demanda confortável para a temporada 2024/25, após um relatório WASDE do USDA sem grandes mudanças. O vencimento de novembro encerrou a sexta cotado a 1006 cents por bushel, leve ganho de 0,1% no período.


Sobre a atualização das estimativas do USDA da última quinta-feira (12), as maiores expectativas eram em relação à produtividade, uma vez que seria o primeiro relatório que o Departamento traria atualizações baseadas em pesquisa de campo. Todavia, o complexo de soja não verificou grandes mudanças, com o balanço de oferta e demanda se mantendo em condições confortáveis. O rendimento da soja nos EUA se manteve inalterado, com a estimativa para a produção americana em 2024/25 passando por uma redução marginal de 124,89 para 124,81 milhões de tons, com um ajuste para baixo de 1,8% nos estoques finais para 14,87 milhões de tons. Ainda assim, os estoques são 61% superiores ao estimado para 2023/24. Já em termos globais, a produção verificou leve ajuste de 0,1% para cima, enquanto os estoques finais e a relação estoque/uso da soja foram ajustadas em 0,2% para cima.
Pelo lado da demanda, as vendas de exportação da safra 24/25 na semana encerrada em 5/09 totalizaram 1,474 milhão de tons, dentro do intervalo das estimativas, que iam de 900 mil a 1,6 milhão de tons, e ficando acima da média dos últimos três anos para o período, de 1,2 milhão. Em termos acumulados, A safra acumula 15,4 milhões de tons, ainda permanecendo em ritmo inferior à safra anterior, que era de 16,7 milhões de tons no mesmo período.

Enquanto isso, no Brasil, os agentes seguem acompanhando os baixos níveis de umidade e temperaturas elevadas, que têm prejudicado a fase inicial do plantio da soja. Até o momento, poucas áreas nos estados do Paraná e Mato Grosso já foram plantadas, com um atraso em relação ao avanço observado para o mesmo período do ano anterior. Vale destacar que atualmente os modelos de previsões de chuvas apontam para algumas precipitações em regiões produtoras no final do mês, todavia, ainda devendo se mostrar irregulares, o que pode gerar algumas preocupações em algumas áreas do Centro-Oeste e Nordeste.
Nesse início de semana, os agentes devem repercutir os dados de esmagamento de soja dos Estados Unidos da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas (NOPA), divulgados no início da tarde dessa segunda-feira (16). A associação reportou um esmagamento de 4,3 milhões de tons, variação de -13,6% em relação a julho e de -2,1% frente a agosto de 2023, quando foram esmagadas 4,394 milhões de toneladas. O resultado foi significativamente inferior à mediana das estimativas, que apontavam para um esmagamento de 4,663 milhões de tons. Já para os estoques de óleo de soja foi contabilizado 516 mil tons, forte queda de 24,1% frente ao mês anterior e de 9,0% frente a agosto/2023. O resultado também fica abaixo do estimado pelos agentes, que projetavam 615 mil tons.
Uma redução no ritmo de esmagamento já era sazonalmente esperada para este período do ano, já que a safra está próxima do fim, com menores volumes disponíveis, e parte das esmagadoras entram em período de manutenção em preparação para o próximo ciclo, que começa em outubro, todavia, o resultado mostra um apetite aquém do esperado da indústria. Vale destacar também que o esmagamento fraco junto dos estoques baixos fornece algum suporte às cotações do óleo de soja. Por outro lado, com a chegada da nova safra e a recente expansão da capacidade de esmagamento da indústria americana, a expectativa é de que volumes significativamente maiores de soja sejam processados nos Estados Unidos no último trimestre do ano.
Ademais, o cenário macroeconômico deve ter grande influência em meio à decisão de política monetária do Federal Reserve, com expectativas de que o banco central americano reduzirá sua taxa básica de juros pela primeira vez desde março de 2020. Todavia, as dúvidas giram em torno de se o corte promovido será de 25 ou 50 pontos base. Como analisado no último semanal de câmbio, até o final da semana passada, parecia mais provável uma redução de 25 pontos base, uma vez que os indicadores recenes apontam uma economia americana desacelerando de maneira gradativa, e não brusca e intensa. Já nesta segunda, após algumas declarações de membros da autoridade monetária sobre a possibilidade de um corte inicial mais intenso, 59% das apostas apontam para a redução de 0,50 ponto percentual, enquanto 41% apostam no corte mais suave. Caso se confirme, a redução pode dar algum suporte para o complexo de commodities de maneira geral. Adicionalmente, terá destaque a atualização das projeções trimestrais dos membros do Fed para as principais variáveis da economia americana, que servirão para balizar as expectativas sobre os próximos passos do Fed.





