- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 amplia diferença frente ao consumo, segundo o USDA;
- Estimativa de produção recorde para os EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Período de colheita nos EUA;
- Chuvas mais generalizadas e em bons volumes no Brasil.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos cobrindo posição vendida;
- Conversão de plantas para diesel renovável na Califórnia;
- Esmagamento aquecido nos EUA em setembro;
- Início do ciclo de cortes de juros do Fed.
As cotações da soja em Chicago tiveram mais uma semana de queda, com o vencimento para novembro encerrando abaixo de USD 10,00 por bushel, em 970 cents, recuo de 3,5% no período. Além do avanço da colheita nos EUA, a melhora no clima no Brasil acabou favorecendo um movimento de venda.
Nos EUA, até o dia 13/10, tinham sido colhidos 67% da safra 24/25, que caminha para um recorde, com a estimativa do USDA em 124,7 milhões de toneladas, enquanto números privados são até superiores. Assim, não se esperam maiores surpresas pelo lado da oferta, com as atenções devendo se focar cada vez mais na demanda.
A Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês) divulgou o esmagamento norte-americano de soja em setembro, que ficou em 4,83 milhões de toneladas, contra a média das estimativas do mercado em 4,66 milhões. As expectativas estavam mais conservadoras, após o resultado fraco do mês anterior, mas é preciso lembrar que as margens de esmagamento estão favoráveis e o período é de disponibilidade do grão, com o avanço da colheita.


As exportações dos EUA também tiveram resultados aquecidos nas últimas divulgações. Na semana encerrada em 10/10, foram vendidas 1,7 milhão de toneladas da safra 24/25, volume acima da mesma semana um ano atrás. No acumulado, as negociações da safra 24/25 estão em 21,8 milhões de toneladas, contra 20,8 milhões no comparativo anual, mas é preciso lembrar que o USDA aposta num crescimento anual das exportações em 4,1 milhões de toneladas. Dessa forma, o acumulado das vendas está mais fraco que o ritmo necessário para se alcançar a estimativa de exportações em 50,35 milhões de toneladas. Destaca-se que as compras chinesas estão 800 mil toneladas mais fracas que no ano passado, com os próximos meses sendo centrais por configurarem o melhor período de exportações dos EUA.
É preciso acompanhar os níveis do Rio Mississipi nos EUA, que já estão prejudicando a competitividade dos embarques pelo Golfo, enquanto as exportações pelos portos do Nordeste do Pacífico estão bastante aquecidas. De qualquer forma, a soja norte-americana para a China continua mais competitiva que a brasileira, o que é usual nesse período do ano, de entressafra por aqui. Outro ponto de atenção é o comportamento chinês como um todo, independentemente da origem da soja, com o país tendo importado 11,37 milhões de toneladas em setembro, após o recorde 12,14 milhões em agosto, segundo os dados oficiais da alfândega. Esses resultados levaram o acumulado do ano safra 23/24, entre outubro de 2023 e setembro de 2024, para 104,8 milhões de toneladas, um recorde anual, o que alimenta as especulações sobre um aumento dos estoques da oleaginosa podendo impactar as importações futuras.

No Brasil, após a volta das chuvas mais generalizadas e em melhores volumes o plantio da soja está avançando mais rapidamente, com o acompanhamento da StoneX apontando 23,2% da área nacional semeada até a sexta-feira (dia 18), um avanço de 12 p.p. em sete dias. Apesar de ainda estar atrasado em relação ao usual para esse período, o produtor deve continuar avançando rapidamente, situação que arrefeceu as preocupações com possíveis impactos negativos sobre as lavouras ou mesmo perdas de área.
Em relação à área, destaca-se que a Conab divulgou seu primeiro levantamento para a safra 24/25 do Brasil apontando um crescimento de 2,8% na área plantada da oleaginosa, para 47,33 milhões de hectares, menor avanço em seis anos diante do cenário menos favorável de preços para o produtor. Com um clima dentro do esperado, a Companhia espera que a produção alcance o recorde de 166 milhões de toneladas, nível que está em linha com o de outras estimativas divulgadas no mercado.
As previsões climáticas para as próximas duas semanas continuam apontando para chuvas em maiores volumes e em praticamente toda a região produtora de soja, situação que deve continuar viabilizando os trabalhos de semeadura, contribuindo para a continuidade da redução dos atrasos.
Na Argentina, o plantio está prestes a começar, já que o ciclo da soja tem um início mais tardio por lá, mais em linha com o calendário do Rio Grande do Sul aqui no Brasil, e as previsões também indicam bons volume de chuva para o país, situação que deve favorecer a implementação da oleaginosa. Como já destacado anteriormente, as expectativas apontam para aumento da área plantada no país, para 19 milhões de hectares, segundo a Bolsa de Buenos Aires, com esse crescimento ocorrendo principalmente sobre regiões de milho, após o cereal ter sofrido com uma ampla infestação de cigarrinha no ciclo 23/24.
Nesta semana, as atenções devem continuam muito centradas no clima, tanto aqui na América do Sul, onde a safra está em seu início, quando nos EUA, devido aos níveis do Rio Mississipi. Ademais, dados de demanda também estarão no radar.





