- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 consideravelmente acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda confortável nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX aumenta estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Período de colheita nos EUA;
- Plantio acelerado no Brasil.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Fundos especulativos com posição líquida vendida;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Corte da estimativa de produção dos EUA, que já não é recorde;
- Início do ciclo de cortes de juros do Fed.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago registraram alta, com o vencimento para janeiro terminando a sexta-feira (dia 8) em 1030,25 cents por bushel, avanço de 3,7% no período, voltando para acima de USD 10,00 por bushel. Destaque para a revisão de dados da safra norte-americana 24/25, enquanto no Brasil, as perspectivas se mantêm favoráveis à medida que o plantio da oleaginosa avança.
A StoneX dos EUA revisou seu levantamento da safra do país, considerando a área plantada oficial do USDA e ajustando a produtividade. O número de produção de soja caiu para 123,5 milhões toneladas, 2 milhões a menos que a estimativa de outubro, com a produtividade média nacional passando de 3,6 para 3,54 milhões de toneladas. Esses ajustes decorreram principalmente de cortes de rendimento no leste do cinturão, que foi mais impactado que o esperado anteriormente pelas condições mais secas. Mesmo assim, o resultado apurado ainda configuraria uma produção recorde.
Já o relatório mensal do USDA, divulgado na sexta-feira (dia 8), surpreendeu com um corte maior da produção de soja 24/25 dos EUA, que caiu para 121,4 milhões de toneladas, nível que, se confirmado, já não configura um recorde para o país, ficando levemente abaixo do registrado no ciclo 21/22, quando alcançou 121,5 milhões de toneladas. O rendimento nacional passou de 3,57 para 3,48 toneladas por hectares, com destaque para recuos em estados que são grandes produtores, como Iowa e Illinois.
Com esse corte de mais de 3 milhões de toneladas na produção norte-americana 24/25, os estoques finais estimados também caíram, ficando em 12,79 milhões de toneladas. Mas destaca-se que essa redução foi parcialmente compensada pelos cortes do esmagamento e das exportações esperadas. Mesmo assim, apesar do recuo da produção dos EUA ter surpreendido, o balanço de oferta e demanda estimado para o país ainda se mantém confortável.


Para outros importantes players do mercado de soja, o USDA não trouxe mudanças, com os ajustes nos balanço norte-americano se refletindo nos dados globais, cuja produção ficou em 425,4 milhões de toneladas, número ainda mais de 20 milhões de toneladas acima do consumo projetado.
O USDA continua estimando o consumo interno e as importações chinesas acima do que o governo do país espera e mesmo superando o adido do próprio USDA na China, que aposta em 104 milhões de toneladas a serem importadas no ciclo 24/25, contra as 109 trazidas no relatório mensal de oferta e demanda. De qualquer forma, as importações chinesas estão se mantendo bastante aquecidas nos últimos meses, com o dado oficial da alfândega do país indicando 8,09 milhões de toneladas em outubro, segundo maior volume já registrado para o mês.
Destaca-se que a China foi o maior comprador de soja norte-americana na semana encerrada em 31/10, respondendo por 1,22 das 2,04 milhões de toneladas negociadas no período. No acumulado para todos os destinos, foram negociadas 28,3 milhões de toneladas, contra 24,2 milhões um ano atrás.

No Brasil, após os atrasos iniciais no plantio, as perspectivas para a safra 24/25 se mantêm positivas. Segundo acompanhamento da StoneX, até a sexta-feira (dia 8), 68,4% da área de soja 24/25 estava semeada. Todos os estados acompanhados já ultrapassaram o percentual registrado no ano passado, com a média nacional estando 9,3 p.p. acima do da mesma semana de 2023. De qualquer maneira, o ciclo da oleaginosa ainda está em suas fases iniciais e o clima nas próximas semanas e meses ainda será central para confirmar as estimativas de produção recorde. É importante lembrar que um excesso de precipitações também pode trazer prejuízos.
Nos próximos sete dias, os maiores volumes de chuva devem ficar concentrados em partes do Sudeste e do Centro Oeste, com precipitações mais leves no Sul.
A StoneX atualizou também seu acompanhamento quinzenal de comercialização, com as negociações do ciclo 23/24 atingindo 91,6%, levemente acima do ano passado, quando estavam em 89%. As vendas de soja da safra 24/25 estão em 29,8%, contra 25,6% no ano anterior.
Nesta semana, a safra da América do Sul deve continuar no centro das atenções, com destaque para a divulgação do próximo levantamento da Conab na próxima quinta-feira (dia 14). Ademais, qualquer dado de demanda, principalmente pela soja dos EUA, que está em seu melhor período de exportações, pode movimentar o mercado. Cabe destacar que os níveis do Rio Mississipi melhoraram no país, com chuvas acima do esperado em parte do Meio Oeste, resultando em recuo dos fretes das barcaças.





