- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 consideravelmente acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda confortável nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX aumenta estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Plantio acelerado no Brasil;
- Clima favorável na América do Sul.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos especulativos;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Corte da estimativa de produção dos EUA, que já não é recorde.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago fecharam em leve baixa, apesar do registro de cobertura de posições vendidas por parte dos fundos especulativos na segunda-feira (dia 18). O vencimento para janeiro encerrou a sexta-feira (dia 22) em 983,5 cents por bushel queda de 1,5% no período. O bom andamento da safra na América do Sul, além das dúvidas sobre a política de biocombustíveis nos EUA continuaram pesando sobre os preços.
Nos últimos anos os EUA têm investido no segmento de diesel renovável, cuja principal matéria-prima é o óleo de soja, o que também incentivou o aumento da capacidade de esmagamento do país. Contudo, a mudança de governo no próximo ano, com a eleição de Donald Trump, tem trazido muitas dúvidas de como ficará a política de biocombustíveis do país. Além da equipe que vem sendo anunciada para compor o governo Trump ser composta por pessoas com ideias divergentes sobre biocombustíveis, há incentivos que que precisam ser renovados, pois estarão vigentes somente até 2027, para dar um horizonte mais seguro para o segmento de renováveis, garantindo a continuidade dos investimentos em esmagamento, por exemplo.


Quanto às exportações do país, na semana encerrada em 14/11, foram negociadas 1,86 milhão de toneladas de soja da safra 24/25, volume acima do teto das estimativas, que iam de 1 a 1,6 milhão de toneladas, com o acumulado estando em 31,6 milhões, nível em linha com o necessário para se alcançar a estimativa de exportações do USDA para o país. Destaca-se que as negociações com a China continuam mais fracas que no ano passado, com uma diferença de 1,4 milhão de toneladas, enquanto as vendas para outros países estão mais adiantadas, colocando o total vendido 2,6 milhões de toneladas acima do registrado um nessa mesma época em 2023.
Mesmo assim, o mercado continua monitorando a economia chinesa. Apesar das medidas de incentivo anunciadas pelo governo do país recentemente, há preocupações com o ritmo de crescimento chinês e como o segmento de proteína e, consequentemente, de ração animal, será afetado.

No Brasil, o plantio da safra 24/25 de soja alcançou 88% do total na sexta-feira (dia 22), segundo acompanhamento da StoneX, mantendo-se consideravelmente acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando estava em 73,7%. O clima continua favorável, passados os atrasos iniciais, com a demora do retorno das chuvas.
Na Argentina, o plantio também está acelerado, tendo alcançado 36% da área total estimada na última quarta-feira (dia 20), segundo a Bolsa de Buenos Aires, um avanço de cerca de 20 p.p. em uma semana.
O clima nas regiões produtoras da América do Sul continua favorável, com a ocorrência de bons volumes de precipitação em praticamente toda a área agrícola e com as previsões indicando que as chuvas continuarão ocorrendo nas próximas duas semanas.
Em relação à demanda, as exportações brasileiras estão perdendo força, tendo alcançado 1,48 milhão de toneladas até o dia 14 de novembro, com perspectivas de que os embarques fiquem abaixo de 3 milhões de toneladas neste mês, volume mais baixo que as 5,2 milhões de toneladas exportadas em novembro de 2023. De qualquer forma, desde janeiro deste ano, as exportações brasileiras de soja já somam 95,8 milhões de tonelada, volume bastante aquecido, considerando que a safra 23/24 foi menor.
Na Argentina, as exportações de farelo de soja continuam aquecidas, com o país retomando o posto de maior exportador mundial do derivado proteico da soja. No ano passado, com as perdas muito grandes de safra na Argentina, o Brasil ocupou o posto de maior exportador de farelo de soja, destacando que o esmagamento por aqui também é crescente. Contudo, a Argentina tem sua agroindústria da soja focada no processamento do grão e venda dos derivados, diferentemente do Brasil, que concentra suas exportações na soja em grão.
Nesta semana, as atenções do mercado devem continuar focadas no andamento da safra da América do Sul, além de novos dados de demanda, com o último trimestre do ano sendo o melhor período de exportações dos EUA.




