- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 consideravelmente acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda confortável nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Plantio acelerado no final no Brasil;
- Clima favorável na América do Sul;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos especulativos;
- Produção e consumo de diesel renovável aquecidos nos EUA;
- Corte da estimativa de produção dos EUA, que já não é recorde.
As cotações da soja em Chicago terminaram a semana anterior em leve alta, mas, no geral, a oscilação ao longo do período foi limitada. Ademais, o feriado de ação de graças no dia 28/11 resultou em menores volumes de negociação. O vencimento para janeiro encerrou a sexta-feira (dia 29/11) em 989,5 cents por bushel, queda de 0,6%.
O mercado de soja continua se deparando com as perspectivas de um balanço global mais folgado, com as estimativas de produção 24/25 superando consideravelmente o consumo. Mesmo com a redução da produção dos EUA no último relatório do USDA, o balanço do país também se mantém confortável.
Na América do Sul, as perspectivas para a produção de soja também continuam positivas, com estimativas de safra recorde no Brasil. O clima por aqui está no radar, com uma umidade um pouco mais baixa registrada no Sul do país no período recente, mas com as chuvas mais pesadas já retornando e aliviando as preocupações.


O plantio da safra de soja 24/25 está caminhando para o final. Segundo acompanhamento da StoneX, até a sexta-feira (dia 29/11), 92,4% da oleaginosa estava semeada, 10 p.p. acima do registrado no mesmo período do ano passado. Alguns estados, com Mato Grosso e Paraná já finalizaram o plantio. Por mais que as perspectivas continuem positivas, o clima vai continuar no radar nas próximas semanas e meses, lembrando que o período de enchimento de grão é central para a definição da produtividade. Além disso, durante a colheita, que deve estar a pleno vapor entre a segunda quinzena de janeiro e a primeira de fevereiro, há o risco de excesso de chuvas, que poderia prejudicar a maturação e a própria colheita, resultando em prejuízos.
Na Argentina, o plantio da soja 24/25 alcançou 44,4% da área total na quarta-feira (dia 27/11), segundo a Bolsa de Cereales de Buenos Aires, avanço semanal de 8,6 p.p. Assim como no Brasil, as chuvas, mesmo que mais tardias, têm se mantido em bons volumes, garantido boas condições para as lavouras, com 97% classificadas em condições normais ou excelentes.
Pelo lado da demanda, na semana encerrada em 28/11, as vendas de exportação dos EUA alcançaram 2,49 milhões de toneladas, volume acima do teto das estimativas, entre 1,5 a 2,4 milhões de toneladas. No acumulado, foram negociadas 33,9 milhões de toneladas de soja da safra 24/25.

Destaca-se, ainda, que o mercado acompanha anúncios relacionados a potenciais tarifas a serem implementadas pelo Governo Trump, a partir do próximo ano. Donald Trump afirmou em uma rede social que elevaria em 25% as tarifas de importação de México e Canadá e em 10% adicionais a qualquer tarifa para produtos vindos da China. Destaca-se que há muitas dúvidas relacionadas à potencial demanda de óleo de soja dos EUA, que poderia ser afetada, por exemplo, pela taxação da canola canadense, favorecendo a procura pelo derivado da soja. Por outro lado, permanecem muitas indefinições quanto a programa de créditos para biocombustíveis nos EUA, havendo rumores de que produtores de diesel renovável poderiam estar reduzindo a produção planejada para o início de 2025, diante das dúvidas sobre os subsídios.
Ainda em relação às potenciais tarifas dos EUA, no caso de uma retaliação chinesa que impacte a soja, a procura pela oleaginosa brasileira deve ser ainda mais reforçada, provocando um rearranjo dos fluxos do grão ao redor do mundo. A China deslocaria outros demandantes da soja brasileira, que, por outro, lado precisariam a buscar o produto nos EUA. Além disso, destaca-se que a China está com uma situação de estoques mais confortáveis da oleaginosa, o que já seria uma precaução no caso de uma guerra comercial no próximo ano.
No Brasil, a produção de biodiesel tem se mantido aquecida, com o acumulado entre janeiro e outubro tendo alcançado 7,55 milhões de m³, já superando 2023 como um todo, quando ficou em 7,52 milhões de m³, lembrando que a mistura obrigatória aumentou 2 p.p., passando do B12 para o B14. A produção em outubro alcançou 846,6 mil m³, máxima histórica mensal.
A tendência é que o consumo de óleo e soja continue aquecido nos próximos anos, à medida que a produção de biodiesel avança, lembrando também do programa Biocombustível do Futuro. Com isso, o esmagamento de soja deve crescer também, exigindo a ampliação da capacidade de processamento, já que o óleo de soja tende a continuar respondendo pela maior parte da matéria-prima utilizada. De qualquer forma, a maior parte da soja brasileira ainda será exportada.
Nesta semana, as atenções devem continuar muito voltadas para o andamento da safra da América do Sul, além de qualquer possível novidade sobre o segundo mandato de Donald Trump nos EUA.





