- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
- Corte da produção norte-americana 24/25;
- Clima mais seco no Sul do Brasil e na Argentina;
- Estimativas de safra argentina abaixo de 50 milhões de toneladas.
A semana passada foi novamente de alta para a soja em Chicago, apesar de alguns momentos em que as cotações foram pressionadas, com o vencimento para março encerrando a sexta-feira (dia 24) em 1055,75 cents por bushel, ganhos de 2,1% no período.
As preocupações com o clima na América do Sul continuaram sendo o principal fator a influenciar a movimentação da oleaginosa, com as bolsas da Argentina cortando suas estimativas para a produção de soja 24/25 do país, em decorrência do clima mais seco.
O ciclo da soja na Argentina começa no final de outubro e as precipitações escassas entre a segunda metade de dezembro janeiro afetaram parte das lavouras em fases chave de desenvolvimento, nos períodos reprodutivos. Com isso, a Bolsa de Buenos Aires reduziu em 1 milhão de toneladas a estimativa de produção de soja, para 49,6 milhões de toneladas, diante da piora nas condições das lavouras, com o percentual bom/excelente caindo de 32% para 22% em uma semana, enquanto a parcela em condição regular/ruim foi subiu 21% para 28%. A Bolsa de Rosário estima atualmente a produção de soja argentina em 50 milhões de toneladas, lembrando que o número do USDA está em 52 milhões.
No Brasil, a StoneX vai atualizar sua estimativa de safra em uma semana, no dia 3 de fevereiro, com perspectivas também de cortes, uma vez que a seca afetou estados mais ao sul, principalmente o Rio Grande do Sul. De qualquer forma, por enquanto ainda se espera que o resultado nacional seja um recorde de produção da oleaginosa. A colheita ainda está no início, com 3,5% completos a nível nacional na última sexta-feira (dia 24), segundo levantamento da StoneX.
Nesse último final de semana, foram registradas chuvas mais generalizadas nas regiões produtoras de soja em todo o Brasil, mas os níveis foram relativamente leves na maior parte das áreas. Para os próximos dez dias, as previsões continuam apontando a ocorrência de chuvas em todo o país, apesar de níveis mais leves em parte do sul, o que será bem-vindo e não deve ser suficiente para a atrapalhar a colheita. Na Argentina, os últimos dias também foram mais chuvosos, com boa parte da região produtora recebendo precipitações. Mesmo assim, mais chuvas são necessárias, com as previsões indicando volumes mais significativos nos próximos dias, enquanto, a partir do próximo final de semana as chuvas devem ocorrer de forma mais leve.


Pelo lado da demanda, as exportações dos EUA continuam no radar, nesse momento início da recomposição da oferta na América do Sul, com o começo da colheita no Brasil. Na semana encerrada em 16/01, as vendas de exportação da safra norte-americana 24/25 alcançaram 1,49 milhão de toneladas, nível dentro do intervalo das estimativas, que ia de 600 mil a 1,8 milhão de toneladas. Com esse resultado, o acumulado está em 42,2 milhões de toneladas frente a quase 38 milhões de toneladas um ano atrás. Com isso, o ritmo de vendas atual está acima do necessário para se alcançar a estimativa de exportações do USDA, em 49,67 milhões de toneladas.
De qualquer forma, a expectativa é que daqui para frente o Brasil passe a ser a principal origem das importações mundiais de soja, principalmente das compras chinesas. Diante desse cenário, a notícia de que a China teria barrado cargas de soja de 5 empresas no Brasil, devido a questões fitossanitárias, chegou a oferecer suporte aos preços, mas, posteriormente, foi esclarecido que era uma situação pontual, com o bloquei de localidades específicas (CNPJs), sendo que o Brasil tem mais de 1500 pontos autorizados de exportação de soja para a China em todo o território nacional. Com isso, os embarques da oleaginosa brasileira não devem ser impactados.

Ainda pelo lado da demanda, um destaque da semana anterior foi o anúncio de redução das retenciones (impostos sobre as exportações) na Argentina. Até o final de junho, a taxa sobre a soja deve passar de 33% para 26%, enquanto o percentual sobre o farelo e o óleo deve cari de 31% para 24%. Esses cortes têm o objetivo de favorecer a competitividade dos produtos do país, destacando a liderança nas exportações de farelo e óleo.
Nesta semana que começa, o mercado deve continuar acompanhando o clima na América do Sul, além de qualquer novidade relacionada ao segundo mandato de Donald Trump. Além das tensões geopolíticas, com ameaças de tarifas, as medidas relacionadas aos biocombustíveis nos EUA também estão sendo acompanhadas.





