- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Chuvas na Argentina;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
- Corte da produção norte-americana 24/25;
- Perda de potencial da safra argentina.
Na semana passada, as cotações da soja continuaram oscilando entre altas e baixas, com o vencimento para março encerrando o período em 1049,5 cents por bushel, ganhos de 0,7% no período.
O mercado continua acompanhando o desenvolvimento da safra da América do Sul e as medidas tomadas pelo segundo mandato Trump nos EUA. Na semana passada, após os EUA terem anunciados tarifas sobre México, Canadá e China, justificadas por questões migratórias e de entrada de opioides em território norte-americano, os países vizinhos conseguiram adiar a aplicação das tarifas por 30 dias, com o reforço de medidas para conter a migração para os EUA. Já a China tomou medidas retaliatórias, com entrada em vigor a partir de 10 de janeiro, com a implementação de uma tarifa de 15% sobre o carvão e produtos de gás natural liquefeito, 10% sobre o petróleo bruto, máquinas agrícolas, caminhonetes e alguns carros de luxo, além de restrições às exportações de alguns minerais críticos para a indústria de alta tecnologia.
Apesar de produtos agrícolas não estarem contemplados, pelo menos por quanto, as preocupações com um possível escalada das tensões comerciais entre os dois países continuam. No primeiro governo Trump, a China taxou a soja norte-americana em 25%, o que pressionou os preços da oleaginosa nos EUA, com a competitividade prejudicada, e reduziu as exportações do país, com o Brasil reforçando ainda mais seu papel de fornecedor para a China. De qualquer forma, por enquanto, qualquer medida entre os dois países que impacte diretamente o mercado de soja está no campo das especulações.


Atualmente, as expectativas são de que os embarque brasileiros ganhem força, com o avanço da colheita, além de a soja brasileira para a China estar se mantendo mais competitiva que a norte-americana. Os dados de lineup de navios já indicam volumes consideráveis de exportação da oleaginosa do Brasil em fevereiro.
Nos EUA, as vendas de exportação da safra 24/25 na semana encerrada em 30/01 alcançaram 387,7 mil toneladas, volume mais próximo do piso das estimativas, que iam de 300 mil a 1,1 milhão de toneladas, levando o volume acumulado para pouco mais de 43 milhões de toneladas. Mesmo assim, o ritmo das negociações é mais que suficiente para se atingir a estimativa de exportações do país, segundo o USDA, em 49,7 milhões de toneladas.

Quanto à safra da América do Sul, no Brasil, como comentado no relatório da semana passadas, a StoneX está estimando uma produção de soja em 170,9 milhões de toneladas, mesmo com perdas no Rio Grande do Sul, devido à seca. Outros estados, como Mato Grosso e Goiás, estão com perspectivas muito positivas, o que justifica a manutenção de uma estimativa recorde. Destaca-se que outras estimativas privadas também indicam um cenário parecido, com apostas em um resultado robusto, mesmo com a seca que atingiu a região mais ao sul do país.
Na Argentina, a ocorrência de chuvas na semana passada foi muito positiva, freando os impactos da seca sobre o potencial da safra do país. O percentual das lavouras em condições normais ou excelentes ainda apresentou uma queda semanal, segundo a Bolsa de Buenos Aires, para 67%, mas as precipitações melhoraram as condições hídricas do solo, com o percentual adequado/ótimo subindo 6 p.p., para 64%. A Bolsa de Rosário também destacou os bons volumes de chuvas no país, que ocorreram em um momento crítico para parte das plantas, limitando as perdas. Assim, por mais que se espere uma redução da safra argentina, em comparação às estimativas iniciais, o resultado ainda teria potencial para ficar perto de 50 milhões de toneladas, lembrando que o clima continuará no radar.
As previsões para as próxima duas semanas, indicam chuvas concentradas mais ao norte (incluindo Mato Grosso) e ao sul do país, com o Sudeste, partes do Centro-Oeste e Nordeste devendo registrar volumes menos significativos. Destaca-se que essas chuvas não devem ser muito exageradas nas regiões produtoras de soja e serão muito bem-vindas para o Rio Grande do Sul, que tem um ciclo produtivo mais tardio.
Nesta semana, serão divulgados os relatórios mensais do USDA e da Conab, sempre muito aguardados pelo mercado, com as duas instituições estimando a safra brasileira abaixo de 170 milhões de toneladas em suas últimas divulgações.
Além disso, as medidas tomadas pelo governo Trump continuam no radar, destacando o possível anúncio da taxação de 25% sobre as importações de aço e alumínio, com o Brasil sendo um dos maiores afetados. Com isso, o comportamento das cotações do dólar é acompanhado de perto.





