- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Balanço de O&D ainda sem aperto nos EUA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Chuvas na Argentina;
- Dúvidas sobre subsídios para biocombustíveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Cobertura de posições vendidas pelos fundos;
- Corte da produção norte-americana 24/25;
- Perda de potencial da safra argentina.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago terminaram no campo negativo, com o vencimento para março encerrando a sexta-feira (dia 14) em 1036 cents por bushel, queda de 1,3% no período.
A manutenção de boas perspectivas para a safra brasileira de soja 24/25, enquanto as perdas estimadas para a Argentina não são muito grandes, continuou limitando ganhos mais sustentados da oleaginosa. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha o relacionamento entre China e EUA, que, pelo menos por enquanto, não impactou diretamente o mercado de soja.
A atualização mensal do USDA manteve a estimativa para a produção brasileira em 169 milhões de toneladas, enquanto cortou o número da Argentina de 52 para 49 milhões de toneladas. Houve também uma revisão negativa para o Paraguai, cuja estimativa passou de 11,2 para 10,7 milhões de toneladas. Mesmo com esses cortes, destaca-se que a produção mundial estimada para o ciclo 24/25 ainda está mais de 14 milhões de toneladas acima das expectativas para o consumo, situação que mantém um cenário mais confortável para a oleaginosa. Não houve alterações para o balanço chinês.
A Conab também atualizou seu levantamento mensal de safra com a estimativa ficando em 166 milhões de toneladas, queda marginal em relação ao divulgado em janeiro, que estava em 166,3 milhões de toneladas. A Companhia destacou as perdas de potencial produtivo no Rio Grande do Sul em parte do Mato Grosso do Sul, mas ressaltou que as condições na maior parte dos estados estão muito positivas.
Como já ressaltado, outras estimativas privadas também continuam apostando em uma safra brasileira recorde, a exemplo do último número da StoneX, em 170,9 milhões de toneladas.


Na Argentina, a Bolsa de Rosário cortou sua estimativa para a produção de soja do país para 47,5 milhões de toneladas, caindo abaixo das 50 milhões esperadas no início do ciclo. A Argentina sofreu com falta te chuvas e temperaturas elevadas, que prejudicaram parte das lavouras em fases importantes de desenvolvimento. A Bolsa de Buenos Aires continua mantendo seu número de safra em 49,6 milhões de toneladas, com mais de 60% da soja em condições de cultivo normal/excelente, mesmo após a onda de calor recente. De qualquer forma, a parcela das lavouras em condição ruim subiu de 32% para 36% em uma semana, com o clima no país continuando a ser acompanhado de perto. Nos próximos 15 dias, as previsões indicam a ocorrência de boas chuvas na Argentina, com os maiores volume devendo ser registrados na última semana de fevereiro.
Para o Brasil, também são esperadas chuvas nessas próximas duas semanas, com os maiores volumes devendo ficar concentrados no Sul, no Mato Grosso em partes de Goiás e do MATOPIBA, além da região Norte como um todo. A colheita continua em andamento, tendo avançado pouco mais de 10 p.p. na última semana, alcançando 26,9%, contra 32,3% no mesmo período do ano passado.
Quanto à demanda, as exportações brasileiras de soja estão fracas nesse início de ano, o que é usual, com os dados preliminares oficiais tendo mostrado pouco mais de 1 milhão de toneladas em janeiro e 348 mil toneladas na primeira semana de fevereiro, até o dia 7. De qualquer forma, os dados de lineup de navios indicam que os embarques devem ganhar bastante força ainda em fevereiro, destacando que a soja do Brasil para a China se mantém mais competitiva que a norte-americana.
Nesse contexto, as vendas de exportação de soja da safra 24/25 dos EUA, na semana encerrada em 06/02 alcançaram apenas 185,5 mil toneladas, contra estimativas que iam de 300 a 800 mil. No acumulado, já foram negociadas 43,2 milhões de toneladas, nível que ainda se mantém acima do necessário para se alcançar a estimativa anual de exportações dos EUA, em 49,67 milhões de toneladas até o final de agosto. Mesmo assim, o acumulado para a China está cerca de 1 milhão de toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, enquanto outras localidades compraram 5,6 milhões de toneladas a mais no comparativo anual.

Nos próximos dias, o clima na América do Sul deve continuar no radar, além de possíveis medidas do governo Trump, numa semana mais curta, devido ao feriado do Dia do Presidente nesta segunda-feira (dia 17).





