fatores baixistas
- Estimativa de área e produção recordes no Brasil;
- Vendas de exportação dos EUA em ritmo lento;
- Embarques ainda baixos pela região do Golfo, após o furacão Ida;
- Avanço da colheita nos EUA com boas perspectivas de produção;
fatores altistas
- Possibilidade de uma nova ocorrência de La Niña;
- Situação do balanço dos EUA não indica estoques folgados;
- Margem de esmagamento em recuperação na China;
- Avanço da vacinação contra a Covid-19;
As cotações da soja em Chicago começaram a última semana com desvalorizações, pressionadas pelo baixo volume de esmagamento nos Estados Unidos (EUA) em setembro de 2021. Segundo dados do NOPA, divulgados no último dia 15, o país esmagou 4,19 milhões de toneladas no mês passado, abaixo da expectativa do mercado de 4,22 milhões e abaixo das 4,32 milhões de toneladas registradas em agosto/2021.
Entretanto, já no pregão principal de segunda-feira (18), os futuros da soja começaram a se recuperar, impulsionados pelos dados de inspeção das exportações dos EUA. Segundo o USDA, os exportadores norte-americanos embarcaram pouco mais de 2,29 milhões de toneladas de soja na semana encerrada no dia 14 de outubro, um aumento de 31,8% na comparação com a semana anterior.
Esse crescimento das exportações despertou uma tendência altista, após as últimas semanas terem sido marcadas pelo baixo volume de exportação dos EUA, que no acumulado do ano ainda está muito atrás do registrado em 2020/21 para o mesmo período (5,87 contra 11,89 milhões de toneladas). O aumento semanal de mais de 30% trouxe perspectivas de uma possível recuperação. O contrato com vencimento em novembro de 2021 finalizou o pregão com um avanço de 3,75 cent/bu no comparativo diário.
Ainda na segunda-feira (18), o acompanhamento da safra do USDA mostrou que, até o dia 17 de outubro, 60% da safra americana já tinha sido colhida. Na média dos últimos cinco anos para esse mesmo período, a taxa de colheita é de 55%. Em relação à qualidade da safra, o USDA não atualizou os números semanais. O Departamento afirmou que, com mais da metade da safra já fora do solo, não ocorrerão maiores mudanças nas condições da oleaginosa. Sendo assim, o mercado tem 59% das lavouras em condições boas/excelentes como dado final para a safra 2021/22.
Na terça-feira (19), o rali da oleaginosa continuou. Dessa vez, ele foi impulsionado pelo preço do farelo, que avançou 1,48% e fez a cotação da soja avançar 6,5 cents/bu.
Curioso destacar que o mercado da soja ainda apresenta relevantes fundamentos baixistas, como o firme avanço da colheita norte-americana e as perspectivas de grande produção nos EUA e no Brasil. Mesmo assim, chegando na metade da semana passada, mais uma vez ela se valorizou, de novo na esteira de um dos seus derivados. Na quarta-feira (20), foi a vez do óleo de soja dar suporte à commodity, que se valorizou pelo quinto dia seguido, concluindo o pregão com um avanço de 17,5 cents/bu no intradia.
Detalhando os motivos dos ganhos do óleo em Chicago, eles se relacionavam com a valorização de seus principais concorrentes. Destaque para a máxima de sete anos em Nova York do petróleo (WTI), os ganhos do óleo de palma em Bursa e a escassez de óleo de canola na Europa. É provável que esses fatores sigam impulsionando o óleo de soja e, portanto, é possível que em um futuro próximo novamente eles influenciem o preço da soja.
Na quinta-feira (21), os mercados futuros de soja registraram forte queda, com o contrato de novembro/21 em Chicago fechando a 12,335 USD/bushel, uma desvalorização de US¢ 21,50/bu. O movimento de queda foi sustentado pelas perdas no mercado de óleo de palma, que teve seus preços pressionados pela liquidação após comentários antiespeculativos do governo chinês e boatos de que a Índia pode retirar da MCX os contratos de óleo de palma e de soja, como uma forma de reduzir alta geradas por movimentos especulativos.
Em relação às vendas de exportação dos EUA, que tiveram seus dados semanais divulgados ainda na quinta, o USDA reportou a venda de 2,88 milhões de toneladas na semana encerrada no dia 14 de outubro. Vale destacar que problemas na região do Golfo seguem refletindo no ritmo das exportações estadunidenses, sobretudo para China, que vem comprando do Brasil com um prêmio em relação aos EUA.
No último dia da semana, os futuros da soja fecharam a sessão em queda. As boas condições climáticas na América do Sul, e o bom progresso dos trabalhos de campo no Brasil contribuíram para os recuos no dia. Segundo
acompanhamento da StoneX, o plantio da soja atingiu 39,2% até o dia 22 de outubro, contra 24,3% no ano anterior. Na CBOT, o contrato de novembro/21 fechou a sessão principal sendo cotado a 12,205 USD/bushels, acumulando uma leve valorização de 0,2% na semana, ou 2,75 cents/bu.