fatores baixistas
- Produção mundial 2022/23 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Combate à inflação pode gerar recessão;
- Possibilidade de recorde absoluto de produção no Brasil;
- Sinas de desaceleração econômica na China e aumento dos surtos de PSA;
- Fórum Agrícola traz crescimento da produção 23/24 nos EUA.
fatores altistas
- Relaxamento das medidas anti Covid na China;
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Balanço dos EUA estimado no Fórum Agrícola não indica folga;
- Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil, a partir de abril de 2023.
Na semana anterior, as cotações da soja registraram baixa em Chicago, em meio a um contexto macroeconômico mais negativo, após a quebra de instituições bancárias nos EUA. O vencimento para maio encerrou a sexta-feira (dia 20) 1476,50 cents por bushel.
Mesmo assim, o balanço mundial da oleaginosa caminha para uma situação de maior aperto, com novas revisões da safra argentina 22/23 para baixo. A Bolsa de Buenos Aires (BCBA) reduziu seu número de produção de 29 para 25 milhões de toneladas, lembrando que as estimativas iniciais indicavam uma safra em 48 milhões de toneladas. Esse novo corte foi resultado de falta de chuvas na região central da área agrícola, além de geadas precoces em fevereiro e temperaturas elevadas em fases críticas de desenvolvimento das lavouras, segundo apontado pela BCBA em relatório.
Considerando que essa produção em 25 milhões de toneladas está 8 milhões abaixo do número do USDA, essa diferença já levaria o consumo mundial de soja a superar a produção no ciclo 22/23, resultando em recuo dos estoques finais.
Assim, mesmo uma safra recorde aqui no Brasil, acima de 150 milhões de toneladas, pode não ser suficiente para garantir um balanço de oferta e demanda mundial tranquilo. É preciso acompanhar o que vai acontecer pelo lado da demanda nos próximos meses, principalmente em relação à China.
Um ponto de atenção é a ocorrência de surtos mais consideráveis de peste suína africana no país, que estão sendo reportados recentemente. Espera-se que os surtos atuais acabem reduzindo o rebanho suíno chinês mais no final desse ano, com o sacrifício de animais, incluindo matrizes, para controlar o contágio. Apesar de os surtos atuais não serem considerados tão sérios quanto os de 2018 e 2019, já há estimativas não oficiais no mercado de que a produção de carne suína poderia ser reduzida em cerca de 10%.
Intraday semanal - maio/23 (CME)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
De qualquer maneira, pelo menos por enquanto, a demanda chinesa por importações de soja, e também de milho, está mais aquecida que no mesmo período do ano passado. A importação chinesa de soja em janeiro e fevereiro de 2023 (os dois meses em conjunto) alcançou 16,2 milhões de toneladas, superando o registrado no primeiro bimestre de 2022.
Destaca-se que a maior parte desse volume teve origem nos EUA, que responderam por pouco mais de 10 milhões de toneladas do total, um aumento de 15,4% frente ao ano anterior. Já a participação da soja brasileira recuou, com 2,24 milhões de toneladas sendo recebidas pela China no período. Cabe lembrar que a safra do Brasil este ano está atrasada, com a colheita tendo alcançado 61,7% do total na última sexta-feira (dia 17), de acordo com a StoneX, contra 70,6% nessa mesma época de 2022.
Dessa forma, nesses próximos meses, as exportações brasileiras de soja voltarão ao protagonismo mundial, com perspectivas de crescimento em 2023, acompanhando a colheita recorde.
Ainda pelo lado da demanda, na semana encerrada em 09/03, as vendas líquidas de exportação dos EUA alcançaram 665 mil toneladas, volume no teto das expectativas, que iam de 50 a 700 mil. No acumulado, foram negociadas 49,3 milhões de toneladas, contra 53,3 milhões no ano passado. Já os embarques estão em 42,8 milhões de toneladas, volume pouco acima do registrado um ano atrás. De qualquer forma, cabe lembrar que, mesmo com a revisão positiva no último relatório do USDA, as exportações 22/23 estão estimadas em 54,8 milhões de toneladas, este volume está quase 4 milhões abaixo do registrado no ciclo 21/22, em 58,7 milhões de toneladas.
No caso dos EUA, a tendência é que os volumes negociados sejam baixos nos próximos meses, mas o ritmo de vendas e embarques é sempre acompanhado de perto para saber se as estimativas do USDA serão alcançadas.
Vendas semanais de exportação - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.