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Resumo Semanal de Soja

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Soja recua na semana, sem maiores ameaças à oferta
 
Ana Luiza Lodi
 
possibilidade de El niño diminui riscos de seca nos EUA, Brasil e Argentina
 
fatores baixistas
  • Produção mundial 2022/23 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
  • Combate à inflação pode gerar recessão;
  • Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
  • Margens de esmagamento negativas na China e aumento dos surtos de PSA;
  • Chances de El Niño aumentam.
 
fatores altistas
  • Relaxamento das medidas anti Covid na China;
  • Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
  • Área da safra dos EUA 23/24 não deve crescer e estoques em 01/03 ficam abaixo do esperado;
  • Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil, a partir de abril de 2023.

As cotações da soja em Chicago oscilaram entre altas e baixas na semana anterior e encerraram o período no campo negativo. O vencimento para maio terminou a sexta-feira (dia 21) em 1483,5 cents por bushel.

Um movimento de alta mais sustentado da oleaginosa continuou sendo limitado pelo aumento da disponibilidade da soja brasileira, com a colheita da safra recorde 22/23 caminhando para o final, além das preocupações pelo lado da demanda, em meio a um desempenho econômico mais fraco ao redro do mundo.

Segundo acompanhamento da StoneX, a colheita da safra de soja 22/23 do Brasil alcançou 91% na última quinta-feira (dia 20), situação que continua pesando sobre os prêmios por aqui, lembrando que a comercialização está atrasada e há questões logísticas, como a falta de armazenamento para essa safra enorme, de 157,7 milhões de toneladas (última estimativa da StoneX).

Ao mesmo tempo, a Argentina continua perdendo potencial produtivo, com a Bolsa de Buenos Aires tendo cortado a produção 22/23 do país para 22,5 milhões de toneladas, à medida que a colheita indica rendimentos mais baixos.

Por mais que a produção brasileira esteja “compensando” as perdas argentinas, haverá mudanças nos fluxos de soja, com a Argentina precisando importar volumes consideráveis da oleaginosa para alimentar sua indústria de esmagamento. 
 

Intraday semanal - maio/23 (CME)    

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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Além disso, ao se olhar para o balanço mundial, os estoques finais 22/23 estimados pelo USDA não indicam um cenário de folga, com o volume em linha com o registrado nos dois últimos ciclo. É importante destacar também que o balanço de oferta e demanda dos EUA está bastante restrito, com uma relação estoque/uso estimada em 4,8%, lembrando que a posição dos estoques do país em 01/03 ficou abaixo da média das expectativas.

Em relação à demanda safra norte-americana, a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês), divulgou um esmagamento de 5,06 milhões de toneladas em março, superando o que o mercado esperava e acima do ano passado. Quando às vendas de exportações, na semana encerrada em 13/04, foram negociadas 100,1 mil toneladas, volume abaixo do piso das estimativas, com o acumulado do ano safra 22/23 alcançando 50,4 milhões de toneladas, faltando 4,5 milhões para se atingir a estimativa de exportações dos EUA, além de precisar embarcar os volumes negociados até o final de agosto. Até o momento, foram embarcadas 46,3 milhões de toneladas da soja norte-americana 22/23.

Vendas semanais de exportação - EUA (mil toneladas)

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Ainda falando da demanda, o ritmo das compras/importações chinesas é acompanhado de perto, uma vez que mesmo com prêmios enfraquecidos da soja brasileira, as margens de esmagamento da China têm ficado no vermelho. Além disso, foram registrados surtos importantes de peste suína africana neste ano no país, com perspectivas de que a produção de carne possa ser impactada principalmente no segundo semestre.
Além da superoferta no Brasil e das preocupações pelo lado da demanda, adiciona-se a possibilidade cada vez maior de ocorrência do fenômeno El Niño, com elevação da temperatura das águas do Pacífico, resultando em mudanças climáticas e atmosféricas ao redor do mundo.
A ocorrência do El Niño durante o verão do hemisfério norte tende a favorecer a produtividade média da soja nos EUA, com potencial de resultar em uma safra grande, mesmo com as perspectivas iniciais de estabilidade da área plantada. Isso porque o fenômeno climático diminui o risco de secas prolongadas durante os meses de verão na maior parte do cinturão de grãos, garantindo um volume de precipitações adequado ao desenvolvimento da safra. 
Destaca-se, também, que mais para o final do ano, o El Niño tende a favorecer as safras brasileira e argentina.
No geral, o fenômeno resulta em mais chuvas nas regiões do Brasil que são as maiores produtoras de soja (em parte do Centro Oeste e no Sul) ao longo do ciclo de verão, garantindo umidade suficiente e evitando secas localizadas. Entretanto, dependendo da intensidade do fenômeno, as chuvas podem acabar sendo excessivas no Rio Grande do Sul, por exemplo, e um ponto de atenção é a falta de chuvas na região Nordeste.
Na Argentina, os efeitos do El Niño são muito semelhantes aos verificados no Sul do Brasil, com uma abundância de chuvas durante o desenvolvimento da safra. Com isso, os impactos sobre a produção tendem a ser muito positivos, levando a uma média de produtividade mais alta. Por outro lado, é preciso se acompanhar também a possibilidade de as precipitações serem excessivas, mas, no geral, o fenômeno tende a ser muito benéfico para a safra de soja do país.
Dessa forma, o mercado considera que a soja está num momento de menores ameaças pelo lado da oferta, enquanto há dúvidas sobre o desempenho da demanda, cenário que tem pesado sobre os preços e/ou limitado altas mais significativas.
Projeção da temperatura de superfície do Oceano Pacífico (°C)​
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Fonte: IRI/CPC/NOAA. Elaboração: StoneX. ​
 
 
PREÇOS FÍSICOS (R$/sc 60kg)
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