De qualquer forma, foi principalmente o lado da oferta que limitou possíveis ganhos da soja e levou as cotações a registrar queda importante após o relatório mensal de oferta e demanda, na sexta-feira (dia 12).
No Brasil, a Conab divulgou seu levantamento de safra, trazendo um aumento da produção brasileira 2022/23 para 154,8 milhões de toneladas, com ajustes positivos de área e produtividade. Esse número ainda está abaixo do da StoneX, em 157,7 milhões de toneladas, mas, de qualquer forma, configura um recorde absoluto, “compensando” as perdas na Argentina.
A Bolsa de Rosário reduziu a produção argentina 2022/23 de soja para 21,5 milhões de toneladas, enquanto a Bolsa de Buenos aires está em 22,5 milhões. Independentemente do número, o volume bem mais baixo ofertado pelo país tende a afetar o processamento doméstico, mesmo com o aumento das importações do grão. Na semana passada, surgiram rumores de cancelamentos de vendas de farelo argentino, com os compradores migrando para o produto dos EUA, mas esse fator altista não conseguiu oferecer maior suporte à soja em grão, após os dados fracos de vendas de exportação dos EUA.
O relatório mensal do USDA reforçou ainda mais esse cenário de “falta de ameaças” pelo lado da oferta, enquanto permanecem preocupações com a demanda.
Havia grande expectativa para o relatório, já que foi o primeiro com os números do ciclo 2023/24. Contudo, como já esperado, o USDA manteve a área das intenções de plantio e a produtividade do Fórum Agrícola para safra 2023/24 dos EUA, com a produção estimada em 122,7 milhões de toneladas. Pelo lada da demanda, o USDA trouxe um crescimento importante do consumo doméstico, que alcançaria 66,29 milhões de toneladas, enquanto as exportações ficaram mais fracas no novo ciclo. De qualquer forma, o balanço norte-americano ficaria mais folgado, como os estoques finais subindo para 9,1 milhões de toneladas.
Além disso, o Departamento não trouxe mudanças nas exportações da safra 2022/23 dos EUA, mesmo com os dados de vendas mais fracos.
Para a safra da América do Sul, o destaque foi o aumento da produção brasileira 2022/23 para 155 milhões de toneladas, enquanto a argentina foi mantida em 27 milhões de toneladas, mesmo com o mercado apostando num corte. Destaca-se, entretanto, a redução de 1,2 milhão de toneladas na produção paraguaia, para 8,8 milhões.
Enquanto os estoques mundiais variaram pouco no ciclo 2022/23, esses primeiros números para a safra 2023/24 indicam uma produção mundial bem acima da demanda, levando a um crescimento de mais de 20 milhões de toneladas nos estoques mundiais estimados, atingindo 122,5 milhões de toneladas, reforçando o cenário atual de uma oferta sem maiores problemas.