- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
- Plantio acelerado da safra norte-americana;
- Chances de El Niño a partir de julho aumentam.
- Relaxamento das medidas anti Covid na China;
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Margens de esmagamento chinesas estão positivas;
- Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil
- Previsão de clima mais seco nos EUA em junho.
A semana anterior foi mais curta em Chicago, devido ao feriado do Memorial Day na segunda (dia 29). De qualquer maneira, as cotações da soja alternaram entre altas e baixas no período, com o mercado climático nos EUA ganhando força. O vencimento para julho acumulou alta de 1,1% no período, encerrando a sexta-feira (dia 02) em 1352,5 cents por bushel.
A perspectiva de uma oferta confortável de soja é um dos principais fatores que vem pesando sobre os preços da soja e o potencial de uma safra norte-americana dentro da normalidade está incluído nesse cenário.
Assim, qualquer possível ameaça à safra dos EUA acaba abrindo espaço para altas dos preços, apesar de o ciclo produtivo ainda estar no início no país. As previsões de chuvas mais escassas no começo de junho já vinham dando suporte às cotações, situação que acabou reforçada pelas previsões mais longas. Por mais que previsões longas possam sofrer mudanças, as perspectivas de que o mês de junho como um todo seja mais seco em partes dos EUA, com destaque para os estados de Iowa e Illinois, maiores produtores de soja, acabaram configurando um fator altista importante nessa última semana.
O último monitor de seca divulgado pelo USDA, que mostra as condições atuais, indica que a situação é mais crítica principalmente para o estado de Missouri, cuja relevância para a produção de soja não é tão grande. Mesmo assim, outras áreas do cinturão também indicam condições de seca menos importantes, que poderiam ser agravadas no caso de as previsões de clima mais seco se confirmarem.
De qualquer maneira, por mais que a falta de umidade possa prejudicar as plantas em qualquer fase de desenvolvimento e que as previsões ainda possam sofrer modificações, o mês de junho não é o período mais crucial para a soja nos EUA, com a fase de enchimento de grão ficando concentrada em agosto. Neste ano, como o plantio está adiantado, parte das lavouras já devem estar enchendo grão em julho.


Sobre o plantio da safra norte-americana, o andamento dos trabalhos no campo continuou acelerado, com a média nacional alcançando 83% até o domingo (dia 28), consideravelmente acima da média de 5 anos para o período, em 66%. Mesmo a Dakota do Norte, que vinha com um atraso significativo, registrou um forte avanço, atingindo 53%, pouco abaixo da média de 55%.
Destaca-se, ainda, que essas previsões climáticas menos positivas acabaram incentivando a cobertura de posições vendidas, após as cotações terem recuado consideravelmente.
Outro fator que contribuiu para os ganhos recentes da soja foi a alta do óleo de soja, diante dos avanços do petróleo. Com o combustível fóssil mais caro, os biocombustíveis acabam melhorando sua competitividade.
Ainda nos EUA, as vendas de exportação na semana encerrada em 25/05 alcançaram 133,4 mil toneladas para a safra 2022/23 e 301 mil para o ciclo 2023/24, volumes dentro das expectativas do mercado em ambos os casos. Mesmo assim, o atraso importante do acumulado da safra 2022/23 permanece, com 50,96 milhões de toneladas negociadas, contra 59,5 milhões no mesmo período do ano passado.

O protagonismo atual no mercado exportador é da soja brasileira, cujos embarques atingiram 15,6 milhões de toneladas em maio, levando a acumulado desde janeiro para 49 milhões de toneladas.
Além de sazonamento esse ser o momento das exportações brasileiras de soja, com a safra recorde alcançada neste ano, que está pesando sobre os preços, o produto nacional está muito competitivo, por exemplo, chegando mais barato à China em comparação à soja norte-americana, o que contribui para o movimento recente das margens de esmagamento chinesas. As margens do país têm ficado no terreno positivo, o que também é resultado da evolução de preços do farelo e do óleo.
Contudo, a situação econômica da China é acompanhada de perto, além do setor de proteína suína do país, que continuam registrando margens negativas, situação que pode afetar as perspectivas futuras de demanda por soja.
Ainda sobre a demanda pela soja brasileira, mesmo com as exportações elevadas em maio, os preços continuam pressionados, diante da safra recorde, aliada à falta de armazéns suficientes e uma comercialização atrasada. A StoneX atualizou seus números de comercialização na última sexta-feira (dia 02), com o percentual da safra 2022/23 alcançando 61%, mantendo-se abaixo do registrado nessa mesma época nos ciclos anteriores.
Nesta semana que começa, o clima nos EUA deve continuar no centro das atenções, sem esquecer do relatório mensal de oferta e demanda do USDA, que será divulgado na sexta-feira (dia 09). Apesar de muito aguardado, não são esperadas mudanças para a produção da safra 2023/24 dos EUA, com a área plantada sendo atualizada no final de junho e produtividade em agosto.





