- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
- Plantio acelerado da safra norte-americana;
- El Niño tende a ser benéfico para a safra dos EUA.
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Importações recordes de soja pela China em Maio;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil
- Previsões de clima mais seco em parte da região produtora dos EUA.
As cotações da soja em Chicago começaram a semana anterior em baixa, mas a tendência de alta voltou a predominar, com o mercado climático dos EUA influenciando os preços. Além disso, destaca-se que houve movimentação de spreads entre os vencimentos de julho e novembro (safra velha e safra nova dos EUA), o que também ofereceu suporte em alguns momentos. O vencimento para julho terminou a sexta-feira (dia 09) em 1386,5 cents por bushel, alta de 2,5% na semana.
Na segunda-feira (dia 05), algumas previsões de chuva para áreas do Meio Oeste norte-americano até pesaram sobre os preços da soja. Contudo, no dia seguinte os modelos climáticos já tinham se alterado, voltando a mostrar um padrão mais seco.
A região que mais preocupa é o centro do Meio Oeste dos EUA. Neste último final de semana, as chuvas foram leves nessa região e mais ao norte do cinturão. Para os próximos cinco dias, o Meio Oeste deve registrar chuvas abaixo do normal em sua maior parte, com as previsões indicando o retorno das chuvas a partir do próximo final de semana (dia 17). Mesmo assim, essas precipitações não devem ser suficientes para aliviar as condições mais secas em algumas áreas, com preocupações quanto ao padrão climático nos principais estados produtores, Illinois e Iowa.
Em meio a esse cenário de atenção com o clima, destaca-se que o primeiro acompanhamento das condições de lavoura divulgado pelo USDA, referente à semana encerrada em 04/06, trouxe 62% da safra norte-americana em condições boas/excelente, abaixo da média de 71% para o período. Os estados que puxaram esse percentual para baixo foram Nebraska, Dakota do Sul, Missouri, Arkansas, Illinois e Indiana.
Como o enchimento de grão no país, fase chave de desenvolvimento da soja, se concentra em agosto (este ano deve ser um pouco antecipado), o clima vai continuar no centro das atenções nos próximos meses, o que é usual nesse período e que, neste ano, pode alterar as perspectivas de oferta mundial 2023/24 muito acima da demanda estimada pelo USDA.


Falando em demanda, por mais que as preocupações com o desempenho econômico ao redor do mundo continuem presentes, as importações de soja da China (maior consumidor mundial) estão bastante aquecidas. Em maio, o país importou um recorde mensal da oleaginosa, em 12 milhões de toneladas, levando o acumulado desde setembro para 72 milhões de toneladas. Se mantido esse ritmo mais acelerado, a estimativa do USDA para o ciclo 2022/23, de 98 milhões de toneladas, poderia até ser superada.
Nesse contexto, destacam-se as exportações brasileiras, que se mantêm muito competitivas após a colheita de uma safra recorde, com estimativas de que junho continue sendo de embarques muito elevados, mais próximos de 15 milhões de toneladas do que de 10 milhões.
Merecem destaque também os ganhos do óleo de soja na sexta-feira (dia 09), em meio a rumores de que o segmento de biocombustíveis nos EUA estaria com um nível baixo de estoques, com o mercado físico impulsionando o futuro.
Já as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 01/06 alcançaram 172,7 mil toneladas para a safra 2022/23 e houve um cancelamento líquido de 106,8 mil toneladas para o ciclo 2023/24. Apesar de o resultado para a safra atual ter ficado dentro do esperado, as vendas acumuladas estão em 51,2 milhões de toneladas, consideravelmente abaixo do registrado nesse mesmo período no ano passado, em quase 60 milhões.
Na sexta-feira (dia 09), foi divulgado o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, mas sem maiores surpresas. Não houve mudanças no balanço norte-americano 2023/24, uma vez que a produtividade só começa a ser revisada em agosto, com base em levantamentos qualitativos, e a área plantada será atualizada no final de junho.
Por outro lado, o Departamento reduziu o número de exportações dos EUA para a safra 2022/23, de 54,8 para 54,4 milhões de toneladas, com impacto de igual magnitude nos estoques finais, que subiram para 6,27 milhões de toneladas.
Os maiores destaques, foram novas revisões para a safra 2022/23 da América do Sul. A produção brasileira ganhou mais 1 milhão de toneladas, passando para 156 milhões, enquanto a argentina caiu de 27 para 25 milhões de toneladas, número ainda consideravelmente acima das estimativas das bolsas do país. A Bolsa de Buenos aires estima a produção da Argentina em 21 milhões de toneladas, enquanto o número da Bolsa de Rosário está em 21,5 milhões. Essa diferença entre as estimativas para a produção argentina pode impactar diretamente o balanço do país. Caso, o número mais baixo se confirme, as importações argentinas de soja podem subir ainda mais e o esmagamento se mais penalizado, refletindo-se no farelo e no óleo, cujas exportações mundiais são lideradas pela Argentina.
Nessa semana que começa, o clima nos EUA deve continuar sendo o fator central movimentando as cotações, mas destacam-se a divulgação dos números oficiais preliminares de exportação do Brasil entre 01 e 09/06 e o Levantamento de Safra da Conab.





