- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
- Plantio acelerado da safra norte-americana;
- Anos de El Niño podem ser benéficos para a safra dos EUA.
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Importações recordes de soja pela China em Maio;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil
- Previsões de clima seco persistente em parte do Meio Oeste dos EUA.
As cotações da soja em Chicago tiveram uma semana de alta expressiva, com o contrato para julho encerrando a sexta-feira (dia 16) em 1466,5 cents por bushel, alta de 5,8% no período. Os vencimentos da safra nova dos EUA tiverem avanços ainda mais significativas com o contrato para dezembro acumulando alta de 11,5% na semana.
O fator que continuou a predominar foi o clima nos EUA, com o mercado acompanhando as previsões que indicam falta de chuvas em partes importantes do Meio Oeste e apostando em impactos negativos sobre a produtividade da safra 2023/24 do país.
Neste último fim de semana, as chuvas ficaram concentradas nas regiões de planícies, enquanto a área mais central e oeste do cinturão de grãos norte-americano permaneceu mais seca. É importante destacar que as chuvas estão abaixo do normal em importantes estados produtores, com Iowa e Illinois, com as previsões indicando que esse padrão mais seco tende a persistir.
As previsões até a próxima sexta-feira (dia 23) indicam que essa região mais a oeste e central, além do norte do Meio Oeste, vão permanecer mais secas, com as chuvas previstas a partir do próximo final de semana devendo se concentrar mais a leste do cinturão.
Por mais que a fase mais crítica da soja, o enchimento de grão, se concentre em agosto, devendo adiantar um pouco esse ano por causa do plantio acelerado, a falta de umidade também é prejudicial em outros períodos de desenvolvimento. Ademais, na semana passada, o Serviço Nacional de Clima do NOAA divulgou perspectivas sazonais de seca, com o modelo válido para o período entre 15/06 e 30/09 indicando que parte importante do Meio Oeste norte-americano, com destaque para os estados ao redor do lago Michigan, deve manter um padrão mais seco neste período, que coincide com o desenvolvimento da safra do país.
Assim, as condições meteorológicas vão continuar movimentando o mercado nessas próximas semanas e meses, o que é normal para esse período do ano, configurando o que se conhece como mercado climático. Quando forem divulgadas previsões de chuva no Mio Oeste, as cotações tendem a recuar e vice-versa.


Diante desse cenário, as condições da safra norte-americanas também são acompanhadas de perto. Até o momento, o percentual bom/excelente está mais baixo que a média de 5 anos e que o registrado no ano passado. No domingo (dia 11), 59% das lavouras de soja do país estavam em condições boas/excelentes. Alguns estados, como Illinois, Michigan e Missouri registram um percentual bom/excelente abaixo de 50%. Como hoje (dia 19) é feriado nos EUA, a atualização do acompanhamento semanal de safra do USDA será divulgada somente amanhã (dia 20).
Outro destaque em relação à oferta, mas para a safra 2022/23, foi o novo corte da safra argentina promovido pela Bolsa de Rosário, com a produção ficando em 20,5 milhões de toneladas. A Bolsa de Buenos Aires manteve sua projeção em 21 milhões de toneladas, com a colheita da safra do país tendo alcançado 98,1% na última quarta-feira (dia 14).
Pelo lado da demanda, a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosa (NOPA, na sigla em inglês) divulgou que o esmagamento de soja dos EUA em maio alcançou 4,84 milhões de toneladas, superando o registrado em abril e em maio de 2022, quando ficou em 4,7 milhões.
Caso o ritmo seja mantido, o processamento anual de soja dos EUA poderia ficar entre 59,5 e 60,4 milhões de toneladas, com a estimativa do USDA para a safra 2022/23 estando no topo desse intervalo.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 08/06 alcançaram 478,4 mil toneladas para a safra 2022/23, nível mais próximo do topo das estimativas, que iam de 250 a 550 mil toneladas. No acumulado, as vendas dos EUA estão em 51,6 milhões de toneladas, contra 60,1 milhões nessa mesma semana do ano passado. Destaca-se que as negociações com a China estão mais aquecidas, 590 mil toneladas à frente de um ano atrás, enquanto há uma diferença negativa de 9,1 milhões de toneladas para outros destinos.
Para a safra 2023/24, as vendas de exportação norte-americanas ficaram em apenas 48,5 mil toneladas, abaixo do piso das estimativas, entre 100 e 350 mil toneladas, e muito inferior à média de três anos para a semana, em 598,7 mil toneladas.






