Na semana passada, as cotações da soja em Chicago registraram baixa, com o vencimento para novembro encerrando a sexta-feira (dia 07) em 1317,75 cents por bushel, um recuo de 1,9% frente ao fechamento de 30/07, após a surpresa com a área plantada nos EUA.
A semana começou com o mercado ainda digerindo a queda de 1,6 milhão de hectares da área plantada da safra 2023/24 dos EUA, quando as expectativas eram de um pequeno aumento. Com uma área em 33,8 milhões de hectares, o país fica sem espaço para perdas de produtividade. Considerando os níveis de demanda estimados pelo USDA, mesmo com o rendimento atual, em 3,5 toneladas por hectare, o balanço já ficaria muito restrito, resultando em algum racionamento pelo lado do consumo da oleaginosa.
De qualquer forma, além de movimentos de realização de lucro, após o rali muito expressivo condicionado pelo dado de área, o clima nos EUA continuou no centro das atenções com a ocorrência de chuvas em importantes áreas do Meio Oeste aliviando as preocupações com o padrão mais seco que predominou em junho.
Desde o início de julho, o clima nos EUA mudou para um padrão mais chuvoso, o que já está impactando as condições das lavouras. Na semana encerrada em 02/07, o percentual bom/excelente na média nacional ainda mostrou um recuo, caindo de 51% para 50%, quando as expectativas já eram de uma melhora. Contudo, alguns estados chave, como Illinois e Iowa, registraram aumento das lavouras nas classificações boa e/ou excelente.
Com isso, a atualização que será divulgada pelo USDA hoje no final da tarde é muito aguardada, com perspectivas de que essa melhora continue, refletindo-se, inclusive, no percentual nacional.
Nesse último final de semana, foram registradas boas chuvas na região central dos EUA, com os maiores volumes ocorrendo em áreas de Illinois, Indiana e Arkansas. A região mais ao norte e noroeste do cinturão de grãos norte-americano ainda permaneceu com um padrão mais seco, situação que preocupa quanto ao desenvolvimento das lavouras.
De qualquer maneira, até a próxima sexta-feira (dia 14), estão previstos volumes consideráveis de precipitação em praticamente todo o Meio Oeste, enquanto a previsão para o período entre 15/07 e 19/07 indica chuvas concentradas no sul e no leste do cinturão. Assim, o clima continua tendo o potencial de trazer mudanças significativas para a oferta da safra norte-americana, lembrando que, no caso da soja, o enchimento de grão, fase mais crítica quanto à falta de umidade, se concentra somente em agosto.


Por mais que o foco do momento seja a produção norte-americana e o mercado climático, é importante fazer algumas ponderações pelo lado da demanda, que também têm impacto direto no equilíbrio do balanço dos EUA.
Como comentado, a área menor tenderia a resultar em algum racionamento pelo lado da demanda e a primeira variável impactada em caso de oferta menor que o esperado é a exportação. Contudo, o ritmo das exportações norte-americanas já tem se mostrado mais lento, antes mesmo de qualquer aperto maior no balanço do país.
Dessa forma, caso esse andamento aquém do esperado se mantenha, ocorreria uma queda nas estimativas atuais de exportação do USDA, contribuindo para aliviar um pouco o cenário de restrição do balanço.
A soja brasileira destinada à China tem se mantido mais competitividade que a norte-americana exportada pelo Golfo, mesmo com o fortalecimento recente do real. Além disso, a China está aproveitando a safra recorde brasileira para realizar compras, o que pode impactar as exportações da safra nova dos EUA no final do ano.
Os dados de vendas de exportação norte-americanas continuam mostrando um ritmo mais lento, conforme comentado, trazendo dúvidas sobre se a estimativa atual para a safra 2022/23 será alcançada, destacando que já houve ajustes negativos realizados pelo USDA no relatório mensal de oferta e demanda. Na semana encerrada em 29/07, as vendas líquidas da safra 2022/23 ficaram em 187,8 mil toneladas, levando o acumulado para 52,5 milhões de toneladas.
Por outro lado, as vendas da safra 2023/24 alcançaram 592,8 mil toneladas, superando o teto das estimativas do mercado, de 400 mil toneladas. Mesmo assim, no acumulado, as vendas estão em 3,9 milhões de toneladas, volume consideravelmente mais baixo que o registrado nesse mesmo período em anos anteriores.

Nessa semana que começa, além do clima nos EUA continuar no centro das atenções, com o acompanhamento semanal de safra sendo muito aguardado, destacam-se as divulgações do Levantamento de Safra da Conab e do Relatório de Oferta e Demanda do USDA. Usualmente, a atualização de julho do USDA não altera o número de produtividade dos EUA, somente incorporando a área divulgada no final e junho. Contudo, após o mês de junho bastante seco, alguma surpresa no sentido de revisão da produtividade poderia ocorrer.




