- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- Recorde absoluto de produção no Brasil e falta de armazenagem;
- Mandatos de biocombustíveis nos EUA frustram expectativas;
- Exportações fracas dos EUA.
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Previsões de clima mais seco nos EUA nas próximas semanas
- Área plantada muito abaixo do esperado nos EUA.
As cotações da soja em Chicago registraram alta na semana passada, com o vencimento para novembro encerrando a sexta-feira (dia 21), em 1407,75 cents por bushel, ganhos de 2,3%.
No caso da soja, a não renovação do acordo para exportar soja pelo Mar Negro teve um impacto mais limitado sobre as cotações, uma vez que a região não é uma grande produtora e exportadora da oleaginosa, apesar de se destacar no mercado de óleo de girassol. Com isso, a soja acaba sendo influenciada pelos óleos vegetais, em decorrência da grande representatividade de Ucrânia e Rússia na produção e exportação do óleo de girassol.
O grande fator afetando os preços foi a safra norte-americana. As previsões climáticas estão indicando um padrão mais seco nas próximas semanas em grande parte do cinturão, num momento em que as lavouras de soja estão entrando na fase crítica para a definição da produtividade, o enchimento de grão.
A pergunta sobre qual será o tamanho da safra de soja dos EUA permanece, principalmente após a surpresa com o corte da 1,6 milhão de hectares na área plantada do país, para 33,8 milhões, na atualização divulgada em 30/06. A estimativa oficial para o rendimento ainda está em 3,5 toneladas por hectare, mesmo com a percepção de que a seca em junho tenha trazido alguns prejuízos pontuais. Com o clima se mantendo mais seco nas próximas semanas, a perda de potencial produtivo poderia se intensificar, lembrando que o balanço de oferta e demanda norte-americano não está folgado.


O acompanhamento semanal de safra do USDA, referente à semana encerrada em 16/07, trouxe um percentual bom/excelente em 55%, aumento de 4 p.p. em sete dias, mas ainda abaixo do ano passado e da média de 5 anos para o período, que estavam em respectivamente 61% e 62%. Além disso, alguns estados importantes para a produção de soja permanecem com percentuais abaixo de 50%, como Illinois, onde as lavouras em condição boa/excelente passaram de 36% para 40%.
De qualquer forma, por mais que o tamanho da safra de soja dos EUA possa resultar em racionamento pelo lado da demanda, as exportações norte-americanas continuam mais fracas, situação que já motivou o USDA a cortar a estimativa 2023/24 de 53,75 para 50,35 milhões de toneladas, além de revisar o número de 2022/23 também para baixo.
As inspeções de exportação dos EUA na semana encerrada em 13/07 ficaram em apenas 155,6 mil toneladas, levando o total embarcado do país desde setembro de 2022 para 49,9 milhões de toneladas, faltando 45 dias para o encerramento do ano safra de 2022/23, no final de agosto.
Enquanto isso, as exportações brasileiras de soja têm se mantido aquecidas. Até o dia 14/07, foram embarcadas 6,2 milhões de toneladas, contra 7,5 milhões no mesmo mês de 2022 como um todo. No acumulado, desde janeiro, o Brasil já exportou 69,1 milhões de toneladas de soja, após a colheita de uma safra recorde, e com a China se aproveitando desse cenário para intensificar suas compras.
Assim, as exportações da safra 2023/24 dos EUA podem acabar sendo penalizadas, lembrando que o melhor período de embarques de soja do país é o último trimestre do ano, logo após a colheita. Além de a soja brasileira permanecer competitiva, há as questões geopolíticas entre China e EUA que podem pesar na escolha da origem das compras pelo país asiático.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 13/07 alcançaram 760,3 mil toneladas para a safra 2023/24, superando o teto das estimativas, entre 150 e 700 mil toneladas. Contudo, no acumulado, foram negociadas 4,9 milhões de toneladas da safra nova, volume consideravelmente mais baixo que o registrado nesse mesmo período em anos anteriores.

O mercado monitora também o esmagamento de soja dos EUA, lembrando que as perspectivas para o uso do óleo de soja são muito positivas, à medida que a produção de diesel verde cresce. Mesmo assim, o número da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês) trouxe 4,5 milhões de toneladas de soja esmagada em junho, abaixo da média das expectativas, em 4,64 milhões.
Nesta semana que começa, o clima nos EUA deve continua sendo central para a movimentação das cotações da soja em Chicago, além dos dados de exportação do país.





