- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Previsão de chuva e temperaturas amenas nas próximas semanas;
- Exportações fracas dos EUA.
- Perdas consideráveis de safra na Argentina, devido ao clima;
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Perspectivas de corte de produtividade nos EUA;
- Área plantada muito abaixo do esperado nos EUA.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago registraram queda, com o clima nos EUA sendo acompanhado de perto pelo mercado. O vencimento para novembro encerrou a sexta-feira (dia 04) em 1333,25 cents por bushel, queda de 3,6% no período.
Com o início do mês de agosto, as previsões meteorológicas para a região produtora dos EUA são centrais, devido à fase de enchimento de grãos, que precisa de umidade adequada e tem grande impacto na produtividade final das lavouras.
As previsões, no geral, vêm mostrando um padrão positivo, indicando boas precipitações no cinturão. Nesse último final de semana, foram registradas boas chuvas nas regiões norte e central das Planícies e no centro e oeste do Meio Oeste, com os maiores volumes na Dakota do Sul, no sul da Dakota do Norte, no oeste de Iowa, no norte Missouri, no centro de Illinois e no oeste de Indiana.
Para esta semana que começa, estão previstos volumes mais significativos de precipitação no oeste, centro e sul do Meio Oeste e nordeste da região do Delta, o que deve ser favorável às condições de desenvolvimento das lavouras de soja norte-americana.
Com isso, as condições de safra do país são muito aguardas, no relatório semanal do USDA, que é divulgado no final da tarde de segunda-feira. Na última atualização, referente ao dia 30/07, houve um piora das condições, com o percentual bom/excelente passando de 54% para 52%, como resultado de uma onde de calor que atingiu parte da região produtora.
Diante desse cenário, o relatório de oferta e demanda do USDA, que será divulgado na sexta-feira (dia 11), é muito aguardado pelos ajustes de produtividade. As apostas são de que haverá alguma corte nos rendimentos das lavouras, lembrando que o mês de junho foi bastante seco em algumas áreas do cinturão nos EUA.
A StoneX divulgou sua primeira estimativa para a safra 2023/24 dos EUA, com a produtividade média ficando em 3,4 toneladas por hectare, frente ao número atual do USDA, de 3,5. Com isso, considerando os números oficiais de área do USDA, a produção norte-americana cairia para 113,57 milhões de toneladas, situação que preocupa quanto à possibilidade de racionamentos pelo lado da demanda, uma vez que o balanço de oferta e demanda do país não está folgado. No último relatório do USDA, foram realizados cortes da estimativa de exportações, o que aliviou o “aperto” no balanço, mas, mesmo assim, o tamanho da safra do país pode complicar esse equilíbrio.


Em relação aos embarques norte-americanos de soja, até o dia 27/07, foram inspecionadas 50,5 milhões de toneladas. Considerando a estimativa do USDA para as exportações da safra 20222/23, de 53,89 milhões de toneladas, o país precisa embarcar mais de 3 milhões de toneladas da oleaginosa até o final de agosto, o que representaria um volume semanal mais elevado que os registrados recentemente, na casa de 200 ou 300 mil toneladas. Dessa forma, as chances de a estimativa atual não serem alcançadas são relevantes.
Já as vendas de exportação acumuladas da safra 2022/23 alcançam 52,8 milhões de toneladas, num momento em que cancelamentos e rolagens para o próximo ciclo são bastante comuns. Na semana encerrada em 27/07, foram negociadas 90,6 mil toneladas de soja do ciclo atual, volume, dentro das estimativas, mas mais próximo do piso, de 50 mil toneladas, que do topo de 400 mil.
Para a safra 2023/24, o volume de negociações foi expressivo, de 2,64 milhões de toneladas, superando o topo das expectativas, entre 1 e 2,5 milhão de toneladas. Desse total, 860 mil toneladas foram vendidas para a China. Mesmo assim, o acumulado, de pouco mais de 8 milhões de toneladas, continua bem aquém do registrado nesse mesmo período em anos anteriores.

No Brasil, as exportações de soja em julho alcançaram 9,9 milhões de toneladas, acima das 7,5 milhões do mesmo mês do ano passado. No acumulado, o Brasil já embarcou 72,8 milhões de toneladas.
A StoneX também divulgou seu relatório de estimativa de safra na semana anterior e ajustou a estimativa de exportações da safra 2022/23 de 96 para 98 milhões de toneladas.
Mas o grande destaque foram os primeiros números para a safra 2023/24, com a produção brasileira subindo para o novo recorde, de 163,5 milhões de toneladas, aumento de 3,7% em relação ao ciclo anterior, que alcançou 157,7 milhões de toneladas.
Mesmo com a área plantada aumentando para 45,1 milhões de hectares, também um recorde, a variação frente ao ciclo passado seria de 2,1%, bem mais moderada que o histórico recente, uma vez que a queda de preços em 2023 apertou a margem do produtor.
Quanto à produtividade, muito ainda pode mudar, mas considera-se uma recuperação no Rio Grande do Sul, que foi afetado pelo La Niña, enquanto a média nacional também avançaria.
Nesta semana que começa, além do relatório de oferta e demanda do USDA, destaque também para o levantamento de safra da Conab. Contudo, o relatório da fonte oficial brasileira ainda não trará números para a safra 2023/24.





